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2º Seminário de Educação Integral: “ou garantimos os direitos civis, políticos, sociais, ou não garantimos a cidadania”

“Os direitos nunca chegam de uma vez, eles são sempre questionados. Ou garantimos os direitos civis, políticos, sociais, ou não garantimos a cidadania”, assim declarou Heloisa Starling, professora de História do Brasil da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), durante a palestra A Educação e a República no Brasil, atividade que fez parte do 2º Seminário de Educação Integral, que está sendo realizado até hoje (21), em São Paulo.

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“Precisamos nos reencontrar com o legado e os valores que a República nos orienta, o da tolerância, igualdade, compaixão e solidariedade.”

(Heloisa Starling)

De acordo com a professora, que durante sua fala fez uma análise histórica sobre a reivindicação dos direitos no Brasil e o significado da República, o risco da descaracterização dos direitos mostram a crise na República. “A revolução dos direitos é uma revolução contínua. A primeira vez que se reivindicaram direitos no Brasil foi no século XVIII durante a Conjuração Baiana, na qual foi introduzida a ideia de democracia, destacando a importância da inclusão social. Precisamos nos reencontrar com o legado e os valores que a República nos orienta, o da tolerância, igualdade, compaixão e solidariedade”, explica.

Durante a mesma palestra, Lilia Moritz Schwarcz, professora do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP), também chamou a atenção para a questão dos direitos e da inclusão social. “A educação é uma questão para todos. Vivemos em um país plural, mestiço. Tão múltiplo e tão marcado pelas desigualdades, pelos marcadores sociais da diferença, como o gênero, a raça e a etnia”, diz.

 

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“O ‘descobrimento’ do Brasil encobre o genocídio. Estima-se que mais de 95% da população que vivia na costa leste da América do Sul tenha perecido.”

(Lilia Moritz Schwarcz)

 

Lilia traçou um pouco da história da desigualdade brasileira, desde a chegada dos portugueses, o período da escravidão e os dias de hoje. “O ‘descobrimento’ do Brasil encobre o genocídio. Estima-se que mais de 95% da população que vivia na costa leste da América do Sul tenha perecido.” Segundo ela, a escravidão começou com os indígenas e, com a entrada dos africanos, a escala mudou. “Uso o termo escravizado porque a escravidão é uma circunstância e não uma realidade”, fala.

Em relação aos dias de hoje, a professora aponta que o contexto não mudou muito. “O Brasil continua campeão da desigualdade no mundo. Isso não é uma história do passado já que os negros, por exemplo, têm menor acesso à educação. Também estamos vivendo uma guerra civil na qual os jovens negros estão sendo assassinados”, explica.


“Por que é tão difícil garantir que meninos e meninas entrem na escola, aprendam na escola e permaneçam na escola?

(Maria do Pilar Lacerda)


Participou também como mediadora dessa palestra Maria do Pilar Lacerda, diretora da Fundação SM. Para ela, os professores não podem exercer seu ofício sem ter clareza de como é o país em que vivemos e trabalhamos. “Por que é tão difícil garantir que meninos e meninas entrem na escola, aprendam na escola e permaneçam na escola? Esses são problemas com que lidamos diariamente, e lidamos com altos índices de evasão – e quem evade primeiro? O menino negro, de periferia e pobre, segundo pesquisa do Unicef. Depois, perdemos as meninas que engravidam precocemente”, diz.

Abertura

Antes do início desse debate, o seminário contou com uma abertura institucional feita por Angela Dannemann, superintendente da Fundação Itaú Social, e Javier Palop, diretor geral da Fundação SM. Para ele, “a educação não é possível sem a figura do professor. Estamos convencidos de que cada educador é um líder que pode transformar a educação”, diz.

Angela chamou a atenção para o fato de a educação ser a condição essencial para o desenvolvimento de qualquer país. Segundo ela, é preciso haver uma ação conjunta entre empresas, poder público e instituições para se implementar uma educação pública de qualidade. “O atual contexto coloca em risco o cumprimento da meta 6 do Plano Nacional de Educação, que estabelece a oferta da educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% dos alunos da Educação Básica até 2024. Por isso, acreditamos na parceria para mitigar esse risco”, afirma.

Tagsdesigualdade, direitos, educação, evasão, República

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