Notícias - Vanessa Nicolav e João Marinho - Educação&Participação

“A escola de tempo integral é uma conquista: ela mostra que a escola brasileira pode ser uma escola de excelência”

O pesquisador Antônio Augusto Gomes Batista comenta estudo do Cenpec e a necessidade de ampliação do acesso à educação integral para o Ensino Médio

No momento em que se discute a Base Nacional Comum Curricular (BNC), cujo prazo para consulta pública encerrou-se nesta terça-feira, 15 de março, a Coordenação de Pesquisas do Centro de Pesquisas e Estudos em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) divulgou os resultados preliminares do estudo Ensino Médio, qualidade e equidade: avanços e desafios em quatro estados: (CE, PE, SP, GO).  A pesquisa amplia o debate público sobre os desafios do Ensino Médio no Brasil, além de dar insumos para a discussão sobre e Base Nacional Curricular para essa etapa do ensino.

“Até o momento, os principais resultados que nós encontramos são os de que as políticas que vêm sendo desenvolvidas podem aumentar a desigualdade entre os alunos, especialmente entre os mais favorecidos e aqueles menos favorecidos, [mas] não é um problema da matrícula em tempo integral. A escola de tempo integral é uma conquista: ela apresenta resultados muito positivos e mostra que a escola brasileira pode ser uma escola de excelência, tanto no Ensino Fundamental quanto no Ensino Médio – mas, ao ser parcialmente implantada, e implantada muitas vezes em lugares que são aqueles que menos precisam, ela pode gerar mais desigualdade”, comenta Antônio Augusto Gomes Batista, coordenador de Pesquisa do Cenpec, na entrevista em vídeo à plataforma Educação&Participação.

Assista à entrevista completa:  

Além de tratar da ampliação das matrículas em tempo integral, a pesquisa também analisa o monitoramento dos processos pedagógicos e o investimento em reformas curriculares nos estados do Ceará, Pernambuco, São Paulo e Goiás.

Você sabia?

  • 82,6% dos jovens brasileiros de 15 a 17 anos estão na escola
  • Apenas 58% deles estão no Ensino Médio
  • 1,7 milhão de jovens nessa faixa etária estão fora da escola
  • 11 milhões de jovens entre 18 e 29 anos não concluíram essa etapa da Educação Básica

Fontes: Pnad/Cenpec

 

Ampliação de acesso e escola mais justa

Entre os quatro estados estudados, Pernambuco se diferenciou por ser o único em que a relação entre alunos mais favorecidos e maior número de matrículas em escolas de tempo integral não se verificou.

Para Batista, isso indica os resultados que a ampliação da oferta de educação integral pode trazer, em vez de creditar à própria educação integral o aprofundamento das desigualdades: “Como nós vivemos em um país muito desigual, é preciso fazer com que aqueles com menos oportunidades desde o nascimento tenham mais oportunidades na escola […]. Pernambuco tomou a decisão de colocar uma escola de tempo integral em todos os municípios do estado. Isso fez com que boa parcela dos menos favorecidos tivesse acesso a essa escola melhor. Uma decisão, que é uma decisão simples, fez com que a escola se tornasse mais justa”.

Saiba mais

  • Leia mais sobre o estudo e assista ao vídeo de lançamento no site do Cenpec;
  • Confira nosso especial sobre os desafios da educação integral para o Ensino Médio;
  • “A educação integral é uma concepção estratégica para a redução de desigualdades”. Confira a entrevista com Patricia Mota Guedes, que aborda o papel da educação integral na redução de vulnerabilidades sociais;
  • O Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) recentemente apresentou uma proposta para reformulação do Ensino Médio, com proposições ao Projeto de Lei (PL) 6840/2013, que tramita no Congresso sobre esse assunto, e levando em conta a discussão em torno da Base Nacional Comum Curricular. A proposta amplia o debate sobre essa etapa da Educação Básica.
TagsCeará, educação integral, ensino médio, escola em tempo integral, goiás, juventude, Pernambuco, são paulo

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