Entrevistas - Vanessa Nicolav - Educação&Participação

“A gente resolveu construir um modelo democrático de escola”

Uma das lideranças do movimento de ocupação das escolas estaduais de São Paulo, Dafne Damasceno Cavalcante fala em entrevista à plataforma Educação&Participação sobre o que propiciou a criação do movimento, seus ganhos e o modelo de escola que os alunos defendem: “livre, com cultura, em tempo integral”

Com 17 anos de idade e uma trajetória de pelo menos 7 anos na luta por melhorias na educação, Dafne Damasceno Cavalcante foi uma das lideranças do movimento de ocupação das escolas estaduais de São Paulo. “No começo [da ocupação], tinha pais de alunos dizendo que a gente estava impedindo os filhos deles de estudar, mas na verdade a gente queria garantir que no próximo ano esses filhos estudassem ali também”, explica.

Em outubro de 2015, alunos da rede pública tomaram as ruas para protestar contra o plano de reforma do sistema educacional do Estado – que previa, entre outras ações, o fechamento de 93 escolas e afetaria diretamente 311 mil alunos e 74 mil professores. Após ocupar quase 200 escolas, o movimento provocou o cancelamento da reforma prevista pelo governo estadual. Mais do que evitar o fechamento das escolas, a luta foi um marco na busca por uma educação mais democrática e mostrou que é possível haver uma gestão escolar que contemple a participação dos alunos, professores e da comunidade.

Durante a entrevista, dividida em quatro blocos, Dafne fala sobre o início de sua trajetória na luta por uma educação de qualidade, o contexto que propiciou a criação do movimento e o modelo de escola desejado pelos participantes: uma “escola livre, com cultura, em tempo integral”.

Assista à entrevista:

A escola é nossa – “No começo, tinha pais de alunos dizendo que a gente estava impedindo os filhos deles de estudar, mas na verdade a gente queria garantir que no próximo ano esses filhos estudassem ali também”.

 

Escola livre – “A gente resolveu construir um modelo de escola horizontal, democrático, sem bandeiras. Na nossa gestão, trouxemos a escola que a gente quer: uma escola livre, com cultura, em tempo integral”.

 

Diálogo e participação – “É preciso trazer a comunidade para a escola. É dar a responsabilidade de garantir a educação não só ao professor e ao aluno, mas para os pais, para a comunidade”.

 

Protagonismo das mulheres

Aproveitando que a entrevista foi feita no mês em que se lembra a luta das mulheres por um mundo com equidade, a estudante conta como foi o protagonismo feminino nessa resistência. “Quando a imprensa ia para a escola, os jornalistas chamavam sempre um menino e a gente respondia que a porta-voz era uma menina. ‘Uma menina?’, eles diziam surpresos. Nós mulheres provamos que podemos, sim, lutar pela escola e que mulher não serve só para passar, lavar e cozinhar”.

 

 

 

Tagsescola, estudantes, gestão, gestão democrática, jovens, juventude, ocupação das escolas, participação, participação social

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Total de 1 comentário(s)

  •    Josevaldo Penes  em 
         Educação&Participação respondeu em