Notícias - Thais Iervolino - Políticas de Educação Integral

Vitória investe no acompanhamento pedagógico para promover educação integral na rede

Por meio de reuniões e encontros regionais, ação integra planejamento de atividades nas 43 escolas que fazem parte do programa de educação integral e amplia potencial educativo do territórios

Promover um olhar pedagógico por parte da Secretaria Municipal de Educação de Vitória (ES) integrando o programa responsável pela política de educação integral do município a outras ações das escolas da rede, como gestão, infraestrutura e a própria área pedagógica do ensino fundamental, construindo um olhar mais unificado da educação municipal. Esse foi um dos principais motivos que levaram a Assessoria às Políticas de Educação Integral, uma iniciativa da Fundação Itaú Social sob coordenação técnica do Cenpec, a investir em ações relacionadas ao acompanhamento pedagógico do programa nas 43 escolas onde ele é desenvolvido.“O intuito não era apenas realizar um acompanhamento sistemático das ações das escolas porque a rede escolar já previa essa ação. O que queríamos era que a secretaria também tivesse um olhar pedagógico específico para as ações de educação integral, com uma discussão sobre o currículo, por exemplo. Assim temos a oportunidade de evitar que o programa de educação integral se aparte das demais atividades da escola e criamos um olhar mais integrado”, explica Letícia Araújo, da equipe técnica do Cenpec,  responsável pela Assessoria em Vitória. 

Acompanhamento específico e regionalizado

As ações de educação integral nas escolas tem acompanhamento mensal. Um dos técnicos visita cada escola, reunindo o coordenador pedagógico, integradores sociais (responsável por fazer atividades diversificadas com as crianças), monitores do Programa Mais Educação, além dos representantes da equipe diretiva da escola (diretores e pedagogos) para a discussão pedagógica e o acompanhamento das ações de educação integral em relação à escola como um todo.

“O acompanhamento pedagógico proporciona um trabalho coletivo entre a equipe da Secretaria de Educação com as equipes das escolas na elaboração  e no desenvolvimento de objetivos e indicadores que qualificam as ações de educação integral. Através do acompanhamento, podemos identificar os desafios a serem superados, avaliar as ações realizadas e repensar as práticas pedagógicas”, relata Fátima Rodrigues, coordenadora do Programa de Educação Integral em Vitória.

Para Letícia, a reunião contribui com as ações da escola como um todo. “Quando toda a equipe se reúne bimestralmente para discutir o programa, mais atores acabam conhecendo o Programa de Educação Integral e percebem que a educação integral não é específica, mas de toda a educação, da escola, afinal, as crianças são as mesmas”, conta.

No mês seguinte ao da visita do técnico de educação integral acontece o acompanhamento pedagógico regionalizado. Nele, as 43 escolas que participam do programa foram divididas em seis grupos de acordo com a região. Em cada grupo, reúnem-se os coordenadores, os integradores sociais e os monitores de cada escola. O objetivo dessa metodologia é ter um olhar em relação aos potenciais do território. “A partir desse acompanhamento, conseguimos criar uma rede na qual as escolas se apoiam, fazendo ações conjuntas, planejando as ações de atuação”, relata Letícia.

Processo de construção, avanços e desafios

De acordo com Letícia, a ação de acompanhamento desenvolvida neste ano contou com uma experiência-piloto realizada no ano passado. “Ajudamos a Secretaria Municipal de Educação a acompanhar três escolas. A partir disso, conseguimos construir um modelo para que todas as 43 escolas pudessem ser acompanhadas neste ano”, explica.

Em 2016, já com todas as escolas participando do acompanhamento pedagógico, alguns desafios foram encontrados. “Vimos que falta entendimento, por parte de algumas equipes pedagógicas das escolas, de que as ações de educação integral necessitam ser articuladas com o ensino regular e devem contar com a participação dos estudantes e das famílias nas ações”, explica.

De acordo com Fátima, “já observamos pontos positivos, tais como: a escuta sensível de toda a comunidade escolar a respeito da importância e dos desafios da educação integral e o comprometimento coletivo para superar os desafios. Dessa forma, já conseguimos visualizar caminhos para pensar em um processo formativo que proporcione reflexão sobre as práticas pedagógicas”.

Para Letícia, avanços têm sido vistos, inclusive, na própria gestão da Secretaria Municipal de Educação de Vitória. “Esse acompanhamento pedagógico tem transformado não só as atividades escolares, mas também cria um diálogo maior dentro da secretaria. Ao planejar a ação, participam profissionais não apenas da educação integral, mas também aqueles que atuam com gestão democrática, educação infantil, entre outros, o que possibilita uma aproximação e entendimento do tema em diferentes setores da pasta”, explica.

Mais sobre o tema

Para o Guia Políticas de Educação Integral, o acompanhamento e a avaliação da política de educação integral têm, como em qualquer política pública, além da fundamental transparência e controle social, a necessidade de articulação com setores e entidades, como o Conselho Municipal de Educação, entre outros conselhos, pois estes têm a função legal de acompanhar, avaliar e propor as políticas. “A decisão sobre garantir que esses processos sejam participativos envolve uma concepção de gestão, que trabalha na horizontalidade e no fortalecimento das instituições sociais, do próprio executivo, das instâncias administrativas e instituições da sociedade civil”, diz a ferramenta on-line.

Para saber mais, clique aqui.

 

Tagseducação integral, gestão, gestores, monitoramento, políticas de educação integral, políticas públicas

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