Notícias - Alex Criado - Prêmio Itaú-Unicef

Avaliação do Prêmio Itaú-Unicef: respeito à singularidade de cada projeto

O Prêmio Itaú-Unicef sabe da importância da avaliação e que ela não se limita a apenas aprovar ou rejeitar um projeto socioeducativo. A chancela de um prêmio de âmbito nacional pode alavancar um importante trabalho voltado para a inclusão de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, tornando-o referência para outras ações.

O processo de avaliação e seleção dos diversos projetos que se inscrevem no Prêmio é cuidadoso. É uma ação que olha e acolhe a singularidade de cada projeto.

 

O desafio do olhar

Para a filósofa Marcia Tiburi, olhar é diferente de ver. Enquanto o ver é rápido, imediato, o olhar é lento, demorado. O olhar se detém e contempla o objeto. “O olhar mostra que não é fácil ver, mas é preciso ver”, diz ela.

Esse cuidado com o olhar está presente na formação dos 300 avaliadores do Prêmio. Hoje (7/4), tem início o primeiro módulo – presencial – na regional Rio de Janeiro. Quinta e sexta-feira é a vez da regional Curitiba. Outras três regionais já passaram por essa etapa e iniciaram a formação a distância. Walderez Nosé, da equipe de formação, explica que se tem trabalhado a capacidade de ler as linhas e enxergar as entrelinhas, ver as partes e olhar o todo.

Como a avaliação, num primeiro momento, é documental, retorna a questão do olhar. Para muitas organizações da sociedade civil, escrever sobre seu trabalho é algo novo, e, muitas vezes, existe dificuldade em descrever o que fazem. “Não podemos desconsiderar um projeto porque a escrita não está clara, é preciso buscar o que está implícito”, diz a pedagoga do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).

 

Papel indutor do Prêmio

Hoje se percebe o papel indutor do Prêmio Itaú-Unicef, que ao longo de seus 20 anos tem ajudado as organizações da sociedade civil (OSCs) e escolas públicas parceiras a ampliar e qualificar suas ações. A própria ficha de inscrição mostra aquilo que se valoriza e traz uma indicação do que é um bom projeto. Dessa forma, várias organizações observam o que falta em seu trabalho e buscam ampliá-lo e aperfeiçoá-lo.

Como diz Walderez, é preciso olhar nas entrelinhas, contemplar o todo. É necessário analisar, além da parceria em si, toda a ação socioeducativa desenvolvida pela organização. “A qualidade do trabalho da OSC decerto vai impactar o projeto de parceria desde o seu início”, diz ela.

 

Avaliação levada a sério

O processo formativo do Prêmio Itaú-Unicef é levado a sério. O cuidado na avaliação e seleção dos projetos de todo o país se expressa, por exemplo, na regionalização dos avaliadores. A partir da parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e o Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social (Congemas), em 2003, são indicados profissionais que conhecem profundamente a realidade local.

A composição paritária do grupo de avaliadores, com profissionais da educação e da assistência social, permite uma avaliação equilibrada e enriquece o processo. Por outro lado, a formação propõe que os avaliadores se afastem de suas origens para olhar os projetos a partir de um novo prisma, baseado no conceito de educação integral.

Outro aspecto da cautela com que as ações socioeducativas são avaliadas é o fato de que cada uma delas é analisada por dois avaliadores diferentes. São dois olhares, duas percepções, mas uma só diretriz: buscar experiências de parcerias que promovam o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens pelo Brasil afora.


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Tagsavaliação, formação, ONG, OSC, premiação

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