Avaliação econômica do Programa Jovens Urbanos

Avaliação Econômica da 3ª edição do Programa Jovens Urbanos sinaliza tendências e caminhos no trabalho com juventude

No último dia 5, o Cenpec recebeu Ligia Maria Vasconcellos e Ricardo Meilman L. Cohn, da Gerência de Avaliação de Projetos da Fundação Itaú Social, para apresentação dos resultados da 2ª Avaliação Econômica realizada com os participantes da 3ª edição do Programa Jovens Urbanos em São Paulo (2007/2008). A Avaliação tem como objetivo mensurar o impacto do Programa na empregabilidade, renda e educação dos participantes, além de aspectos relacionados ao índice de leitura e participação em organizações sociais. Foi realizada em dois momentos: em 2009, um ano após o encerramento da edição, e em 2012, quatro anos depois.

No curto prazo, o estudo mostra que o Programa Jovens Urbanos tem impacto positivo na renda dos participantes, na inserção no mercado de trabalho formal, na freqüência com que leem jornais, revistas e livros e na participação em atividades comunitárias.

No longo prazo, os primeiros ganhos observados na primeira avaliação se diluem, o que, na análise do coordenador, sinaliza a inexistência de políticas públicas voltadas para juventude que sustentem esse avanços, em especial entre a população jovem mais vulnerável. Por outro lado, são constatados outros efeitos positivos, como o percentual significativo de jovens que ingressaram no Ensino Superior (14,2%) – apontando caminhos a serem explorados pelo Programa.

Segundo dados da Pnad/IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), entre 1995 e 2009, o número de jovens carentes de 18 a 24 anos (pertencentes ao primeiro quintil de renda) (20% mais pobres) que tiveram acesso ao Ensino Superior cresceu 950%. Entretanto, esse contingente representa apenas 3% do do total de jovens nessa faixa de renda.

“O dado sinaliza uma tendência geral que deve ser contemplada nas propostas de trabalho com esse público”, acredita o coordenador do Programa, Wagner Santos. Ele explica que, graças a políticas como o ProUni e o Fies, o acesso às universidades – especialmente as privadas – cada vez mais faz parte do horizonte dos jovens em situação de vulnerabilidade. “É um avanço importante, porque, no longo prazo, isso se reverte em aumento da renda”, afirma. “Nesse sentido, o Programa Jovens Urbanos deve ser atualizado para esse novo mundo do trabalho e o novo perfil de jovem”, conclui Santos.

Ele observa, entretanto, que há uma contradição nesse quadro, já que ao mesmo tempo em que há um crescimento expressivo do número de jovens que entram na universidade, existe também um grande número de jovens que sequer conseguem concluir o ensino médio. “Essa é uma questão que precisa ser trabalhada: por que uma parcela vai para universidade e outra não consegue permanecer na escola?”, pergunta.

Programa Jovens Urbanos – A edição avaliada pela Fundação Itaú Social foi realizada junto a jovens moradores dos bairros de Lajeado (Zona Leste) e Grajaú (Zona Sul), em São Paulo, entre junho de 2007 e outubro de 2008.

Iniciativa da Fundação Itaú Social com a coordenação técnica do Cenpec, o Programa Jovens Urbanos encontra-se na sua 8ª edição em São Paulo, atuando na Brasilândia (Zona Norte de São Paulo) e Capão Redondo (Zona Sul) e atendendo 480 jovens.

Fonte: Cenpec

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