Notícias - Vanessa Nicolav - Jovens Urbanos

Batidas, criatividade e expressão na 10ª edição do Jovens Urbanos

Oficinas de experimentação do Programa agitam cultura na Cidade Tiradentes

Rafael sempre foi apaixonado por música eletrônica, mas nunca pensou que teria oportunidade de aprender a fazer suas próprias composições. Morador de uma das regiões periféricas com menor índice de desenvolvimento humano da cidade de São Paulo, o adolescente de 14 anos, hoje, além de escutar, passa as tardes aprendendo a criar batidas, samples e rimas.

“Eu sempre quis aprender a fazer minha própria música, sempre quis deixar minha marca no mundo. Quando vi a oficina, logo me inscrevi. Contei pra minha mãe, ela ficou superfeliz e me apoiou também”, diz.

Junto com outros 140 jovens, Rafael participa da 10ª edição do Programa Jovens Urbanos em São Paulo, cujas ações são realizadas na Cidade Tiradentes, zona leste da cidade. O Programa, que tem como estratégia ampliar as oportunidades educativas dos jovens dos centros urbanos, atualmente articula práticas de experimentação de novas ferramentas e linguagens que visam despertar potenciais e criar novos horizontes de vida para esses jovens.

Uma das atividades é a Produção musical: música para bolso, da qual Rafael participa. A oficina foi pensada para apresentar noções básicas de teoria e composição musical aos integrantes para que possam criar digitalmente suas próprias músicas. Nela são desenvolvidas práticas que envolvem desde a manipulação de programas específicos de criação e mixagem de áudios, até o desenvolvimento de composições individuais e em grupo.

Segundo o responsável pela oficina, o assessor técnico Israel Neto, a música tem a vantagem de, além de ser praticamente uma unanimidade entre os jovens, estimular a expressão e o autoconhecimento. “Aqui na oficina, eles são estimulados a expressar suas experiências. Tem a parte técnica, do software, da matemática do ritmo, mas também vemos que é preciso saber se expressar, se descobrir, ver o outro para poder criar”, conta.

Adler, também de 14 anos, outro participante da oficina, concorda que as atividades são caminhos para descobertas. “O que eu percebi é que é muito mais legal quando você está fazendo, criando mesmo, do que quando você está escutando”, explica.

Ao longo dos seis encontros de quatro horas cada, os participantes aprendem a separar e juntar trechos de músicas, fazer jingles e batidas personalizadas. Para Adler, a experiência é educativa, mas também prazerosa. “Eu acho que estar aqui é lazer e também educação. Porque aqui a gente vai aprendendo e se divertindo, brincando, dando risada.”

Jovens durante oficina de gastronomia "Viagem no Mundo dos Alimentos"
Jovens durante oficina de gastronomia “Viagem no Mundo dos Alimentos”

Além dessa atividade, que acontece no espaço da organização parceira Pombas Urbanas, o Programa articula outras oito práticas de experimentação pautadas na ideia de educação integral, de criar novas possibilidades de práticas e escolhas de vida.

Tais práticas fazem muito sentido especialmente em um território que apresenta um dos mais altos índices de desemprego entre os jovens. Rafael é um dos que já percebeu que esses aprendizados podem servir para além do hobby pessoal.

“O que eu aprendo aqui é diversão, mas também pode se tornar uma profissão. Sempre gostei muito de música eletrônica, mas só agora estou podendo aprender e ver isso como uma carreira, uma possibilidade de vida mesmo”, explica.

De acordo com Fernanda Andrade, que integra a equipe do Jovens Urbanos, as oficinas oferecidas aos jovens têm cada vez mais atendido aos interesses previamente apontados por eles aos educadores ao longo das atividades que dão início ao Programa. “Também procuramos oferecer linguagens que achamos que têm diálogo com a juventude e o mundo do trabalho hoje”, diz. Das propostas disponíveis, as que obtiveram maior procura foram culinária, música e teatro.

Atualmente, o Programa está finalizando seu segundo módulo, e outros três ainda estão previstos: o módulo Cidade, no qual os jovens intensificam as discussões sobre direito à cidade e exploram diferentes espaços do bairro e de outras partes da metrópole; o módulo Juventude, no qual passam a conhecer os direitos da juventude e a pensar a intervenção que desejam realizar em sua comunidade; e o módulo Projetos, que envolve a implementação da intervenção e a mobilização de outros atores nesse processo.

 

Saiba mais sobre a 10ª edição do Programa Jovens Urbanos em São Paulo. Clique aqui.

 

 

 

Tagsarte e cultura, experimentacao, jovens, juventude

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