Cine-debate com educadores sobre uso e consumo de drogas incentiva a reflexão

Saiba como foi evento organizado pelo Alfasol, em parceria com o Programa Jovens Urbanos e o Centro Ruth Cardoso, que teve a mostra do filme “Quebrando Tabu” e a presença do diretor Fernando Andrade

Um olhar curioso, desbravador e sem preconceitos sobre as políticas de combate ao consumo e ao comércio de drogas em diversos locais do mundo, com o objetivo de despertar a discussão. Esse foi o ponto de partida para a realização do documentário Quebrando Tabu,dirigido pelo cineasta Fernando Andrade quedurante dois anos, entrevistou 169 pessoas de 18 diferentes cidades do planeta sobre o assunto. Para isso, o diretor fez pesquisas desde a selva da Colômbia, até periferias de São Paulo e Rio, passando pelos presídios Bangu I, II e III, além de ter explorado outras realidades, como as de Portugal, Estados Unidos, Suíça e Holanda. Nesses diferentes países, visitou escolas, onde pode conversar com muitos jovens, sobre o uso de drogas e o tratamento legal que se dá atualmente ao problema.

“Não sou especialista, mas com esse trabalho deu para aprender algumas coisas. Primeiro: resolver o problema eliminando a oferta é impossível. As drogas fazem parte da nossa vida desde sempre. Os EUA, até 2010, gastaram um trilhão de dólares no combate à venda de drogas, e não conseguiram resolver o problema. O consumo está em todas as classes sociais e, se não dá para erradicar a demanda, talvez o caminho seja reduzi-la. Outra coisa é que existem diferentes grupos quando falamos do tema, que não podem ser tratados da mesma maneira: os que são somente usuários, os que são dependentes e, portanto, têm uma doença, e aqueles que nunca usaram drogas”. Foi o que afirmou Fernando, durante conversa com educadores que aconteceu no dia 14/9, como encerramento de uma série de cine-debates, organizados pelo Alfasol, em parceria com o Programa Jovens Urbanos e o Centro Ruth Cardoso.

Esses encontros se caracterizaram pela mostra de um filme seguida de um bate-papo com o diretor da obra, e foram realizados com o intuito de discutir temáticas pertinentes ao universo dos jovens, de modo a ampliar o repertório de quem trabalha nos campos de juventude e educação, contribuindo ao desenvolvimento do seu trabalho socioeducativo com os jovens. Durante a apresentação deQuebrando Tabu, e o diálogo com Fernando Andrade, foram debatidos, entre outros temas: as possíveis abordagens do assunto drogadicidade com os jovens, violência e preconceito relacionados ao combate às drogas e responsabilidade da sociedade em geral com a resolução do problema.

“O filme é bom, porque traz de forma muito ampla o tema da criminalização das drogas. Na discussão, acho que cabe à gente acrescentar algumas coisas. O que faltou no filme, para melhorar o entendimento sobre o tema, a discussão permitiu. Tanto o filme como a discussão foram positivos, porque permitiram falar do assunto e, por algum momento, deixar a questão pipocando nas cabeças de todos, para que reflitam e busquem materiais que possam dialogar e contribuir com um debate mais aberto, sem interesses específicos, ou em nome de uma moralidade”, afirmou Pedro Oliveira, educador do Jovens Urbanos que atua em São Miguel Paulista (zona leste de São Paulo).

Outra educadora do Jovens Urbanos que marcou presença no evento, Amanda Souza da Silva, disse compartilhar a ideia de Fernando Andrade exposta no filme, de que está equivocado o modo como hoje é tratado o dependente químico e a pessoa que experimenta algum tipo de droga por curtição ou curiosidade. “Como eu trabalho com jovens, o tema é muito constante. Sempre escuto eles falarem sobre o dia em que tomaram um porre, ou experimentaram um baseado. E eu me ponho a pensar em como eu vou falar sobre isso com eles, sem ser moralista e ao mesmo tempo esclarecendo sobre os riscos do uso indiscriminado das drogas. Esse debate veio a somar na minha reflexão”, concluiu a educadora, que atua no Jardim Santa Helena (zona leste de São Paulo).

Filmes sugeridos pelos educadores para disparar diferentes debates com os jovens

Batismo de Sangue

“É um filme interessante para se debater a questão do controle, da Ditadura e da repressão” (Pedro Oliveira).

Veja abaixo o trailer do filme:

Linha de Passe
“O filme fala de um monte de coisas, como sonhos, expectativas, família e esporte. Quando trabalhei com os jovens o tema, percebi que eles se viram na família retratada no filme: uma mãe que tem que sustentar vários filhos e educá-los e criá-los sozinha” (Amanda Souza da Silva).

Veja o trailer do filme. Clique aqui.

Juno
“O filme é ótimo para trabalhar temas de sexualidade e gravidez com os jovens” (Amanda Souza da Silva).
Veja abaixo o trailer do filme:

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