Construindo oportunidades na educação integral: Banco de Oficinas é tema de formação em Vitória (ES)

Dirigido a educadores de escolas de jornada ampliada e organizações não governamentais (ONGs) que desenvolvem trabalhos socioeducativos com crianças, adolescentes e jovens, o Banco de Oficinas de Educação Integral já gerou os primeiros frutos em Vitória (ES).

No dia 25 de junho, foi implementada uma formação na capital capixaba com os coordenadores de programas de educação integral do município. A formação, que aconteceu na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Aristóbulo Barbosa Leão, teve dois encontros de quatro horas cada, com a participação de 80 pessoas – técnicos de secretaria, coordenadores do programa de educação integral e professores responsáveis pelo laboratório de informática das escolas.

Para Flavio Marcus Ramos Fernandes, professor de Filosofia e responsável pela coordenação de Educação Integral da Secretaria Municipal de Educação de Vitória, foi uma oportunidade única: “O Banco de Oficinas possibilitou conhecer melhor e aprofundar o sentido de ‘oficina’ como possibilidade didática diferenciada, capaz de articular atividades práticas e lúdicas com importantes áreas de conhecimento, sendo desenvolvidas com clara intencionalidade pedagógica. As oficinas apresentadas oferecem uma variedade de possibilidades criativas e atrativas de trabalhar questões importantes”. A presença dos professores de informática foi algo que chamou a atenção: “Procuramos ocupar todos os espaços possíveis dentro da escola, e o laboratório de informática aparece como um local importante”.

Segundo Fernandes, o trabalho com as oficinas tem relevância para a educação integral de Vitória: “Possibilita otimizar os trabalhos nos espaços escolares e extraescolares e oferece a oportunidade de uma dinâmica inteligente e diferenciada para o tempo ampliado. Uma vez que temos uma preocupação em articular as atividades do turno com o contraturno, da educação integral com os componentes curriculares, pensamos que a metodologia propicia essa conexão, uma vez que harmoniza o lúdico, experimental e prático, com a dimensão teórica e abstrata do ensino regular”.

Por conta disso, nos últimos dias 8 e 11 de agosto, a Secretaria Municipal de Educação de Vitória replicou a formação, dessa vez com um público total de 120 pessoas, sendo 80 integradores sociais – profissionais que dão suporte e apoio aos coordenadores de educação integral – e 40 monitores do Programa Mais Educação, na EMEF Ceciliano Abel de Almeida. Os 120 participantes foram divididos em dois turnos de 60.

A metodologia utilizada foi a mesma empregada na formação feita pelo Cenpec: primeiro discutem-se os conceitos que os educadores têm de oficina pedagógica, em seguida são escolhidas algumas oficinas do Banco, que são divididas entre grupos de educadores, apresentadas aos demais participantes e, então, discute-se sobre como desenvolvê-las, as etapas e os desafios.

“Discutimos o sentido de ‘oficina’ e suas possibilidades para a educação integral. Na replicação, foram escolhidas as oficinas: ‘Oficina dos sonhos’, ‘Zoom! Ampliando a cena’, ‘Qual é o seu talento?’, ‘O que dizem esses rostos?’, ‘Os preços dos alimentos no nosso território’, ‘Memórias do nosso lugar’, ‘É proibido falar!’, ‘Qual é a mímica?’ e ‘Somos invisíveis na internet?’. São oficinas interessantes, pois remetem a campos de estudo pouco trabalhados no ensino regular, que envolvem o interesse, expectativas e sentimentos dos alunos, refletindo sobre novas maneiras de ver e experimentar o mundo”, conta Fernandes.

Segundo o educador, a proposta do Banco foi bem recebida pelos profissionais: “Os educadores, de modo geral, gostaram muito das oficinas e das possibilidades que elas abrem. No tempo corrido da rotina escolar e de exigência crescente dos alunos por experiências diferenciadas, o educador, muitas vezes, não consegue pensar em atividades criativas e variadas. Quando é apresentado um número considerável desse tipo de atividade, fica mais fácil navegar pelos campos educativos,  adequando-os à realidade do aluno”. A iniciativa do Banco de Oficinas é da Fundação Itaú Social, com coordenação técnica do Cenpec.

Escrito por: João Marinho

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