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Diretrizes da Educação Integral de Vitória (ES) contam com subsídios de Maria do Pilar Lacerda

Em uma ação inédita, a ex-secretária de Educação Básica do MEC faz uma leitura crítica do documento e se reúne com técnicos da Secretaria Municipal de Educação de Vitória a fim de contribuir para a implementação da política nas redes de ensino do município

Construir as Diretrizes da Educação Integral de Vitória (ES) com a contribuição de uma especialista da área para implementar a política na rede de ensino. Esse foi o objetivo da Assessoria de Educação Integral, iniciativa da Fundação Itaú Social em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Vitória (Seme) sob coordenação do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), ao convidar Maria do Pilar Lacerda, ex-secretária de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC) e hoje diretora da Fundação SM, a fazer uma leitura crítica do documento.

Esta foi a primeira vez que a Assessoria adotou essa metodologia de trabalho. Após fazer uma análise sobre as diretrizes do município, Maria do Pilar Lacerda apresentou suas considerações em um encontro realizado no dia 26 de março para membros da Secretaria, em uma conversa em que os principais desafios de uma política de educação integral foram apresentados e discutidos.

Participaram do encontro cerca de 30 pessoas, entre técnicos da Seme, coordenadores do Programa Municipal de Educação Integral e outros convidados. “A proposta é que, depois de redigido pela Comissão de Educação Integral, o documento circule tanto na Secretaria quanto entre professores, coordenadores do Programa, diretores etc. para que ocorram outras reuniões e essas pessoas tragam contribuições para, então, finalizá-lo”, esclarece Letícia Araújo, do Cenpec.

“Encontrei um grupo maduro, com muita experiência em educação”, relata Pilar Lacerda. “Por eles terem essa longa caminhada, existem concepções diferentes de educação integral, e eles buscam um consenso – e é também uma discussão avançada, progressista.”

A especialista destaca alguns desafios comuns a Vitória e outros municípios na implementação de políticas de educação integral. “O primeiro desafio comum é a intersetorialidade, que eu digo que é ‘difícil de falar e ainda mais difícil de fazer’: alinhar as diferentes secretarias em torno do projeto da escola. O segundo desafio é romper com a concepção do contraturno: a de que existiria um turno com as ‘disciplinas duras’ e o outro, o do ‘lazer’, quando, na verdade, se trata de uma abordagem integrada e multidisciplinar. O terceiro desafio é o do mapeamento: derrubar os muros da escola, sair com o grupo de professores para mapear o  território – a igreja, o campo de futebol, o terreiro de candomblé – e ver que potenciais existem ali. Quando a escola se abre, a comunidade se une para facilitar essa abertura.”

> Confira os debates virtuais sobre intersetorialidade e articulação no território para se aprofundar nesses temas.

Os projetos político-pedagógicos (PPP) de cada uma das escolas é outro dos desafios comuns apontados por Pilar Lacerda nos municípios que desejam implantar a educação integral. “É preciso haver um projeto político-pedagógico ‘amarradinho’, que aponte a intencionalidade pedagógica das práticas. Não pode ser em cima da hora, não vale ser de improviso, não vale ser em cima do voluntarismo”, explica a especialista. A participação social é um elemento importante no PPP que foi abordada na reunião em Vitória. “Além dos professores, é preciso também envolver estudantes e famílias. Quanto mais dialogado o PPP – com as secretarias, os diretores, os professores, os estudantes e as famílias –, melhor, o que vai na linha do conceito definido pelo Unicef: a educação é para todos e para cada um”, comenta Letícia Araújo.

> O Guia Políticas de Educação Integral aborda a importância dos projetos político-pedagógicos. Consulte seu conteúdo.

No próximo dia 28 de abril, ocorrerá uma nova reunião mensal na capital capixaba, em que está prevista uma discussão sobre os apontamentos apresentados por Pilar Lacerda. “A importância dessa ação e, em específico, da Pilar, é ter um especialista da área da gestão pública, com experiência em política pública, para fazer a leitura do documento a fim de avaliar as contribuições dele em termos práticos e a possibilidade de ele atingir, realmente, a rede de ensino. Optamos por um profissional com esse perfil, em vez de um acadêmico, por entender que profissionais que já foram gestores poderiam contribuir para as questões relacionadas à efetivação dessa política. A possibilidade de contar com leituras de especialistas no processo de construção desses documentos é bastante importante, uma vez que esses profissionais têm acompanhado de perto o desenvolvimento da política de educação integral e podem agregar diferentes olhares aos já estabelecidos pela equipe técnica da Secretaria”, finaliza Araújo.

Entenda o processo

A Secretaria Municipal de Vitória procurou a Fundação Itaú Social em 2014 visando à criação de um documento, as Diretrizes da Educação Integral, que tem a proposta de constituir uma política de Estado, que supera as questões governamentais e partidárias.

“Já havia uma Comissão de Educação Integral composta pela Secretaria. Iniciamos, então, a assessoria e se formou um núcleo de pessoas que são tanto da Educação Infantil como da gerência do Ensino Fundamental para começar a discutir o que seria esse documento. Entramos como apoiadores dessa ação, levando nossa experiência e o Guia Políticas de Educação Integral para negociar com a Secretaria um ‘roteiro’ do que esse documento precisava ter, além de alinhar com eles as pautas de formação dos coordenadores do Programa Municipal de Educação Integral. A leitura crítica da Pilar Lacerda  estava prevista, e consideramos que seria muito mais rico, além dos apontamentos que ela faria – e fez – no documento em construção, realizar um encontro para conversar com as pessoas envolvidas”, conta Letícia Araújo.

A técnica de projeto também ressalta o caráter formativo das assessorias. “As pessoas envolvidas já tinham concepções sobre educação integral. Havia quem já realizava, quem já tinha bastante conhecimento, mas houve também bastante coisa que construímos em parceria com eles. Essa é uma das questões que acontecem quando fazemos uma assessoria para discutir, para construir um documento e concretizar uma política de educação integral em termos escritos: as próprias discussões acabam desencadeando um processo formativo, que possibilita que as pessoas se apropriem ainda mais do tema.”

Para saber mais sobre a assessoria em Vitória (ES), clique aqui.

 

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