Notícias - João Marinho - Educação&Participação

Educação integral 2016: os destaques do ano e os desafios para 2017

A plataforma Educação&Participação faz um balanço dos destaques da educação integral no contexto nacional e nos programas por ela expressos

Pelo bem ou pelo mal, se há algo que podemos dizer sobre 2016 é que foi um ano intenso – e isso se reflete na área da educação. Em janeiro deste ano, a plataforma Educação&Participação publicou uma reportagem sobre os desafios para a educação integral para 2016: Base Nacional Comum Curricular (BNCC), financiamento e corte de verbas e metas do Plano Nacional de Educação (PNE). Chegando a dezembro, qual balanço podemos fazer desses desafios? Quais outros fatos marcaram a educação integral neste ano? Confira abaixo em nossa retrospectiva.


Contexto nacional

Mais Educação: financiamento e reformulação

Instituído há oito anos, o Programa Mais Educação consolidou-se como o principal indutor de políticas de educação integral no Brasil (veja aqui nossa reportagem a respeito), mas foi impactado pela crise econômica e pelo corte de verbas em 2016.

Já em março, ainda na gestão Aloizio Mercadante, o Ministério da Educação (MEC) anunciava reformas que na prática reduziriam o alcance do programa, indo de mais de 58,6 mil escolas para cerca de 26 mil.

Recentemente, na gestão Mendonça Filho, ele foi substituído pelo Programa Novo Mais Educação, instituído pela Portaria MEC n. 1.144/2016, cuja adesão é feita por meio das secretarias de Educação estaduais, municipais e distrital. As secretarias indicam as escolas que poderão participar, e a adesão depois é confirmada pelas escolas.

Com a expectativa de investimento de R$ 400 milhões, o Novo Mais Educação, mesmo mantendo atividades nos campos de artes, cultura, esporte e lazer, tem foco na melhoria da aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática.

> Saiba mais sobre o Novo Mais Educação no portal do MEC.

> Confira a entrevista com Luciane Maria Ribeiro da Cruz, secretária de Educação de Itabira (MG), que aborda o Mais Educação, entre outros assuntos.

Escola sem Partido: o debate sobre o papel da escola

Ao longo do ano, a participação da família na escola e o desafio do diálogo entre diferentes valores estiveram em destaque, com o crescimento do movimento Escola sem Partido e de projetos de lei inspirados em suas ideias – inclusive, um em nível nacional. A plataforma Educação&Participação abordou o assunto em uma reportagem publicada em junho.

No texto, um infográfico apresenta a relação de todos os projetos de lei (aprovados ou não) que defendem a iniciativa. Além disso, especialistas falam sobre os desafios que essas iniciativas trazem para o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens. Confira.


Reforma do Ensino Médio: e o que querem os jovens?

É corrente a percepção de que o Ensino Médio é a etapa que mais problemas enfrenta na educação básica, inclusive em termos de uma proposta de educação integral. Em 2016, a edição da Medida Provisória (MP) nº 746, recentemente aprovada na Câmara dos Deputados, colocou a reforma do Ensino Médio sob os holofotes, mas tem sido criticada por especialistas, sobretudo pela falta de diálogo e por ter sido proposta via Medida Provisória.

Confira aqui a cobertura da plataforma Educação&Participação do Seminário Internacional sobre Inclusão de Adolescentes e Jovens do Ensino Médio, que teve a contribuição do Programa Jovens Urbanos, uma iniciativa da Fundação Itaú Social, com coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). O que os jovens querem é o que a reforma traz?

Temática  – Saiba mais sobre o tema e conheça o que os jovens querem do Ensino Médio na Temática Inclusão de adolescentes e jovens no Ensino Médio. Saiba mais.


Plano Nacional de Educação: o desafio das metas

Aprovado em 2014, o PNE tinha metas a serem cumpridas ainda em 2016, segundo a proposta inicial. Entre elas, estão: a meta 19, que requer assegurar condições para a gestão democrática nas escolas; as metas 1 e 3, que tratam da universalização da Educação Infantil na pré-escola para crianças de 4 a 5 anos de idade e da universalização do atendimento escolar para jovens de 15 a 17 anos; e a meta 18, que estabelece um plano de carreira para os profissionais de educação. As metas não foram cumpridas.

Especificamente em relação à educação integral, tratada na meta 6 – “oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas e atender, pelo menos, 25% dos alunos da educação básica” –, ainda há desafios. Em 2015, menos de 19% das matrículas foram em tempo integral, como consta no Relatório do 1º ciclo de monitoramento das metas do PNE: biênio 2014-2016, divulgado pelo Inep.

Além disso, também se previam as implantações do Sistema Nacional de Educação (SNE) e do Custo Aluno Qualidade Inicial (CAQi), igualmente não cumpridas. A importância do CAQi, que dialoga com a meta 20 do PNE, sobre financiamento da educação, é tratada neste artigo de Daniel Cara e Andressa Pellanda para a plataforma Educação&Participação.


Na plataforma

Premiação e reconhecimento

Na plataforma Educação&Participação, o ano de 2016 foi marcado por sucessos. Um deles diz respeito ao curso Educação e Participação em Rede, que recentemente ganhou o primeiro lugar na categoria Educação a Distância, modalidade Sociedade Civil, no Prêmio ARede Educa 2016.

Com três edições realizadas neste ano, o curso teve a participação de 878 inscritos de 339 municípios de todas as regiões do país. Cerca de 30% dos inscritos eram professores de escolas públicas e 17%, estudantes.

Um dos professores participantes foi Francisco Ediomar Roque. “Foi muito bom poder contar com toda a tecnologia apresentada no decorrer do curso, pois ampliei muito a minha prática para com meus alunos em sala de aula. Conhecer e poder trabalhar com essa ferramenta nos ajudou a refletir melhor acerca da importância de se trabalhar em redes, bem como as que nos foram apresentadas durante o curso que realizamos aqui nesta plataforma”, relata.

Para Ana Emidia, o formato do curso foi um diferencial. “O curso trouxe materiais cuidadosamente selecionados, claros e eficientes. A estrutura em três subtemas me agradou bastante. A possibilidade de escolher um percurso também. As atividades serviram para retomar as ideias e refletir sobre o conteúdo”, conta.

Conheça um pouco mais sobre o curso. Assista ao vídeo:

Plataforma em números

Além de obter reconhecimento conquistando o prêmio de melhor curso na categoria EAD,  a plataforma Educação&Participação também se fixou com um dos veículos de referência em educação integral. Confira os números:

1.566.083 páginas vistas até 10 de dezembro;
9.457 usuários cadastrados até 13 de dezembro;
59 notícias publicadas em 2016;
42 materiais, entre publicações, artigos, vídeos e debates em 2016;
37 eventos divulgados até 15 de dezembro em 2016;
11 reportagens em 2016;
8 entrevistas em 2016;
7 temáticas e especiais em 2016.

Prêmio Itaú-Unicef: formação e mobilização

O segundo ano da 11ª edição do Prêmio Itaú-Unicef, como ocorre tradicionalmente com os anos pares, foi marcado pela formação, mas com uma série de novidades. Uma delas foi o uso de redes sociais, como o Facebook, e aplicativos, como o WhatsApp, para a troca de informação e o compartilhamento de experiências entre os 32 projetos finalistas da premiação de 2015, além da oferta dos cursos para a rede do Prêmio e também para todos os interessados em temas sobre educação integral. Este ano, o Prêmio também realizou três encontros presenciais.

Outro destaque foi a realização de 20 encontros de mobilização local visando valorizar as ações socioeducativas dos projetos finalistas em seus territórios e nas comunidades atendidas.

Ao longo do ano, também foram realizados quatro Debates Virtuais – OSCs e escolas e o fortalecimento de vínculos com as famílias e a comunidade; Vulnerabilidades sociais e território; Intencionalidade educativa das ações socioeducativas; e Competências para formar o cidadão do século XXI – e os cursos Educação e Proteção social: Articular para Garantir Direitos, e Mobilização de Recursos: Conquistar e Manter, que registraram, em conjunto, um total de 25 turmas, com mais de 1.800 inscritos.

Ao todo, participaram dos cursos promovidos pelo Prêmio Itaú-Unicef habitantes de 441 municípios de todas as regiões do país. A maioria deles (19%) é gestor ou técnico de organizações sociais e 14% professores.

No “forno”, a turma-piloto do curso Direitos da Criança e do Adolescente: uma Construção Histórica, que será disponibilizado ao público em 2017, registrou mais de 70 inscritos, com 30% de certificação.

Programa Jovens Urbanos: inovação e ampliação

Reconhecido pelo MEC como exemplo de inovação e criatividade, o Programa Jovens Urbanos ampliou suas atividades nos territórios onde atua.

A parceria com o Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (Cieds) consolidou, no Rio de Janeiro, a transferência de sua tecnologia social, enquanto, em Minas Gerais, o Programa tem atuado em parceria com a Secretaria de Educação do estado para contribuir com a construção de uma proposta de educação integral para o Ensino Médio.

No município de São Paulo, o Jovens Urbanos atuou novamente no distrito da Cidade Tiradentes, em um percurso formativo que resultou em projetos de intervenções sociais transformadoras na região.

Políticas de Educação Integral: currículo e polos disseminadores

Em 2016, o programa Políticas de Educação Integral destacou assessorias visando à formulação de políticas públicas de educação integral em municípios como Sobral (CE), com a proposta de Cidade Educadora, protagonismo juvenil e cartografia; Itabira (MG), com ideias inovadoras de educação integral para o Ensino Fundamental e a formação de um polo no Médio Piracicaba para discutir o tema; Petrópolis (RJ), com a consolidação dos Núcleos de Educação Integral; Vitória (ES), que investiu no acompanhamento pedagógico; e Porto Alegre (RS), que discutiu fortemente o tema do currículo na educação integral. Saiba mais sobre o tema de currículo na Temática Currículo e Educação Integral. Clique aqui. 

Outro destaque do ano foi a formação do polo disseminador de educação integral em Aracati (CE), com encontros entre representantes dos municípios de Aracati, Alto Santo, Fortim, Icapuí, Jaguaruana, Limoeiro do Norte, Palhano, Quixeré, Russas e São João do Jaguaribe.

O programa também investiu na disseminação do Guia Políticas de Educação Integral e realizou os Debates Virtuais Cidade Educadora, Intersetorialidade na gestão pública: relações e articulações possíveis e Currículo e educação integral.


E para você, quais foram os destaques da educação integral em 2016? Que conteúdos você mais gostou na plataforma Educação&Participação neste ano? Comente!


Faça um comentário!

O seu endereço de e-mail não será publicado.

  • Parabéns a toda a equipe da EDUCAÇÃO&PARTICIPAÇÃO, para nossa Instituição Atleta Bom de Nota e as escolas parceiras de nosso
    Projeto Esporte, Cultura e Educação: transformando Cidadãos,
    foi muito enriquecedor os assuntos abordados para aprimoramento da educação integral em 2016
    Nossa equipe consegui acompanhar todos conteúdos da plataforma Educação&Participação e assim poder junto debater sobre as transformações na educação e conseguir ficar atualizados.
     
    Esperamos que 2017 seja cheio de sucesso e aprendizagem que transforma
     
    Abraços a todos e Feliz 2017 com muita EDUCAÇÃO&PARTICIPAÇÃO
    Professor Gil Brasil
    “Educa a criança no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele” (Prov. 22:6).
     
     
    INSTITUTO SOCIOEDUCATIVO ATLETA BOM DE NOTA
    Fundação 23/09/2003 – CNPJ 05.910.737/0001-65 – CMDCA 016/2014  –  Utilidade Publica Lei 1561/2014   
    Pinhais, Paraná