Notícias - Thais Iervolino - Políticas de Educação Integral

Educação integral é um dos destaques de seminário da Undime SP

Dirigentes e técnicos de Educação de municípios paulistas se reúnem para trocar experiências, fortalecer ações e políticas de educação. Entre os principais pontos discutidos está a educação integral

“Eu acredito sempre em um novo olhar para a educação para além do sistema antigo, que não se renova. Acredito que o modelo da educação integral é o que traz as oportunidades educativas que nossos alunos não tinham. Se temos a possibilidade de acompanhar mais duas ou três horas na vida da criança, a gente tem de fazer algo que transforme a sua vida”. É o que diz Victor Narezi, coordenador do Programa de Educação Integral de Tremembé (SP) que, com outros técnicos e dirigentes que representam os municípios do estado de São Paulo, estiveram presentes no 1º Seminário Técnico da Undime SP, encontro realizado de 16 a 18 de outubro em Campos do Jordão (SP).

Narezi contou sua experiência em duas oficinas sobre o Programa Mais Educação realizadas no encontro. Ele era professor de Arte quando foi convidado a coordenar as ações de educação integral de seu município. “Quando houve a oportunidade de participar, fui estudar o que era educação integral e percebi que os alunos devem ser incentivados a dar sua opinião nas rodas de conversa, que devem ir para a praça para ter aula de ginástica, ou seja, que os direitos de aprendizagem são muito maiores do que estar na sala de aula e ouvir o professor”, explica.

Para ele, o principal desafio é ver a educação integral para além do tempo. “Quando a gente pensa na ampliação da jornada, ela não é só de tempo, mas sim de caminhada. Essa é a questão. Temos que pensar na educação integral de maneira mais ampla, com outras ações que podem fazer parte da educação integral”, diz.


Dirigentes e técnicos debatem sobre caminhos para a implementação de políticas de educação integral

Como podemos levar para a rede de ensino uma nova forma de educação, que é a educação integral?

O seminário, que teve o objetivo de reunir dirigentes e técnicos municipais do estado de São Paulo para aprimorar a gestão da educação pública municipal, também proporcionou aos participantes dois outros momentos para a reflexão sobre a educação integral. Uma delas foi a oficina Percursos da Educação Integral em Busca da Qualidade e da Equidade, apresentada por Júlio Neres, do Núcleo de Educação Integral do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).

Com a participação de técnicos e dirigentes dos municípios paulistas de Tremembé, Lagoinha, Ilhabela, Getulina, Areias, Campinas e Alfredo Marcondes, entre outros, a atividade buscou refletir sobre o projeto de educação integral que se quer para o município.

A ampliação de tempo, participação da comunidade, integração das políticas com outras secretarias e parcerias com outras instituições foram temas presentes no debate, que buscou traçar caminhos para perguntas do tipo: “Como podemos levar para a rede de ensino uma nova forma de educação, que é a educação integral?”.

Para Neres, o gestor precisa pensar na política de educação integral como uma política integrada, mesmo que a rede de ensino pense de forma fragmentada. “Ainda que cada município tenha o seu arranjo, já que as realidades são múltiplas, quando se planeja uma política de educação integral, é preciso pensar em sua integração com o território, com o currículo escolar, além de mobilizar os professores.”

Para mostrar alguns dos caminhos possíveis, Neres apresentou a ferramenta Nosso Plano, um passo a passo para que técnicos e gestores possam construir planos de educação integral completos.

Guia – A ferramenta faz parte do Guia Políticas de Educação Integral, que apresenta de forma didática tanto as questões mais básicas sobre educação integral como temas e referências mais específicos para cada etapa de implementação.

Ele foi elaborado com base em estudos de experiências bem-sucedidas e nos resultados dos programas de assessoria às secretarias municipais e estaduais de Educação e também pode ser usado como material de apoio para educadores, gestores e pesquisadores interessados no tema. Acesse aqui.


Anna Helena Altenfelder fala sobre educação integral em seminário da Undime-SP

Como evoluir a partir do Mais Educação para uma Política de Educação Integral?

Outro momento em que o tema educação integral esteve presente no seminário foi durante o debate Como Evoluir a Partir do Mais Educação para uma Política de Educação Integral? Contou com a participação de Anna Helena Altenfelder, presidente do Conselho Administrativo do Cenpec; Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna, e Sandra Tiné, assessora técnica da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC).

De acordo com a presidente do Cenpec, o Mais Educação é uma política indutora da educação integral, mas a educação integral busca o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens e a garantia de seus direitos. “Os municípios empenharam um grande esforço para a implementação das políticas de educação integral. Para que ela seja efetivada, temos de estar atentos ao cumprimento do Plano Nacional de Educação (PNE). O PNE foi uma conquista a partir de uma luta por direitos e, por isso, cumprir com as metas do Plano é uma condição estrutural para a educação integral”, explica.

Anna Helena também cita a questão do currículo. “Ainda que a educação esteja permeada com a questão do tempo ampliado e no próprio PNE exista uma meta sobre isso, precisamos pensar para além do tempo. Enquanto pensarmos em dois currículos, em uma ideia de turno e contraturno, o conceito que limita a educação integral a tempo maior na escola não será ultrapassada. Temos de criar um currículo integrado que articule diferentes linguagens e práticas pedagógicas ao mesmo tempo”, afirma.

Dirigentes falam sobre a importância da educação integral 

Solange Villon Kohn Pelicer, secretária municipal de Educação de Campinas – Buscamos sempre pensar a educação integral a partir do conceito do desenvolvimento integral dos alunos. Em nosso município, ainda que seis escolas possuam templo ampliado de 7 horas, a educação integral está presente em todas elas. Nosso intuito é agora construir um marco legal da educação integral em Campinas.

Luiz Miguel Martins Garcia, presidente da Undime SP – Esse encontro faz parte de uma prática de formação contínua e que busca aprofundar algumas temáticas e questões fundamentais para subsidiar tecnicamente o planejamento das ações dos dirigentes para o ano que vem.

Para nós, a educação integral é fundamental, um sonho para grande parte dos dirigentes. Ainda há muitos desafios que vão desde o financiamento até a resistência de famílias e professores, a falta de infraestrutura e o desconhecimento do conceito sobre educação integral.

No entanto, acreditamos que temos de avançar com a cultura da educação integral, desde a perspectiva de que ela não é somente a ampliação de tempo, mas também que ela se baseia na integralidade dos direitos para o exercício da cidadania. E, nesse sentido, grande parte dos municípios já começou a traçar seu caminho na efetivação dessa política.

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