Entrevistas - João Marinho - Jovens Urbanos

“Muitos jovens que eram considerados ‘problemas’ dentro das escolas hoje estão assumindo uma liderança positiva”

A partir da próxima semana, participantes da 2ª edição do Jovens Urbanos no Rio de Janeiro iniciam o módulo de Experimentações, com atividades que prosseguem durante o movimento de ocupação das escolas e greve de professores. Ouça na entrevista com Sergio Pereira

Sergio Pereira é formado em Ciências Sociais e possui MBA em Gestão Cultural pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Gerente da área de Juventude e Esporte do Cieds, coordenou ações de capacitação de grupos produtivos no Estado do Rio de Janeiro, consolidou redes de articulação em diferentes comunidades e desenvolveu metodologias em projetos socioesportivos.

Linha do tempo, com os marcos importantes na história de cada jovem (foto). Painel de referência, com a produção de uma cartografia de interesses, e diagnóstico participativo, a formulação da hipótese de um problema, desafio ou demanda na comunidade. Essas atividades constituem parte do percurso formativo do módulo Portfólio e Juventude, que o Programa Jovens Urbanos tem oferecido a 120 jovens inscritos na cidade do Rio de Janeiro em 2016.

A partir da próxima semana, os jovens terão contato com o módulo Experimentação, que apresenta um cardápio de oficinas totalmente planejado com base nas opções disponíveis no território e nas demandas que os próprios jovens apresentaram no início do processo.

Confira os detalhes desta edição na entrevista com Sergio Pereira, gerente de Projetos do Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (Cieds), organização parceira do Programa no Rio de Janeiro, que conta como têm sido desenvolvidas as ações e a participação dos jovens.


“Eles estão muito engajados e entusiasmados. O diagnóstico participativo, por exemplo, foi para eles uma experiência incrível: começaram a refletir e perguntar à comunidade sobre seus problemas. Com isso, descobriram todo um universo, toda uma reflexão em cima de questões que consideravam importantes e que, antes, eles não tinham como dimensionar o quanto afetavam o bairro, o território”, comenta Sergio.


 

Bloco 1 – Do convite à parceria a instituição multiplicadora

O contato entre o Cieds, a Fundação Itaú Social e o Cenpec começou em 2014 e resultou na primeira edição do Jovens Urbanos no Rio de Janeiro. Ouça como aconteceu.

 

Bloco 2 – Territórios e cartografias

“Os participantes têm basicamente entre 16 e 21 anos de idade”, conta Sergio. A faixa etária dos 15 aos 17 anos concentra a maior parte dos jovens participantes dessa 2ª edição (81%), e há uma preponderância de mulheres (57%), pardos (46%) e estudantes do 1º ano do Ensino Médio (29%).

Esses jovens têm ainda em comum o fato de circularem por um território marcado por vulnerabilidades sociais, numa região em que iniciativas de formação e ampliação de repertório – um dos fundamentos da educação integral – são, no mais das vezes, incomuns.

As características do público, da comunidade e das escolas e a contribuição que a formação em módulos e as cartografias do Jovens Urbanos tem dado nesse contexto são o tema deste bloco.


> Leia mais sobre explorações cartográficas no Programa Jovens Urbanos.

 

Bloco 3 – Família, mobilização e sociedade

O Estado do Rio de Janeiro passa atualmente por uma crise financeira que reverberou na educação e resultou na greve de professores que se estende desde março.

Em apoio, jovens de mais de 70 escolas públicas estaduais iniciaram um movimento de ocupação, que também reivindica diminuição dos cortes na educação, ampliação dos direitos relativos ao passe livre e obras de melhoria nos prédios.

O Programa Jovens Urbanos tem acompanhado esse movimento – e realizado suas atividades em escolas ocupadas, numa iniciativa de interlocução com as próprias escolas, professores e diretores, jovens, famílias e poder público. “Num primeiro momento, houve uma desconfiança, mas fizemos uma articulação, apresentamos o Programa, incluímos os diretores nas atividades exploratórias. Então eles foram ganhando confiança na metodologia do Jovens Urbanos e na execução do Cieds, e nos deram cada vez mais espaço”, conta Sergio a respeito da experiência nas escolas.

Para o gerente de Projetos, o Jovens Urbanos se insere em um momento muito importante, por prover atividades aos jovens que permanecem na escola o dia inteiro: “O Jovens Urbanos acabou dando uma direção e uma atividade aos alunos, que permaneceram frequentando a escola sem, a princípio, terem algo programado ou previsto para eles”.

Algumas das atividades do Programa foram, inclusive, ampliadas para não inscritos, como as explorações com visitas a outros espaços e a Feira de Oportunidades, em que profissionais, projetos e lideranças do entorno conversam com os jovens a respeito do futuro. As famílias também foram incluídas, como conta Sergio neste bloco.

 

A voz dos jovens

E o que os jovens têm a dizer sobre tudo isso? Confira o depoimento de Jean, um dos participantes do Jovens Urbanos, a respeito do impacto do Programa em sua formação e em sua vida.

 

Sobre a edição no Rio de Janeiro

Em 2016, a 2ª edição do Jovens Urbanos no Rio de Janeiro consolida também a transferência de sua tecnologia social para o Cieds, que tem sido o responsável pelo gerenciamento do Programa e pelas relações com duas organizações da sociedade civil (OSCs) executoras – o Instituto Bola pra Frente, no bairro de Deodoro; e o Centro Comunitário Irmãos Kennedy, no bairro da Vila Kennedy –, além de duas escolas públicas no Realengo: o Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Oswaldo Aranha e o Centro Educacional Madre Teresa de Calcutá.

A parceria do Programa se estende às próprias escolas e à Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. Além disso, o Cieds atua como instituição multiplicadora, transferindo a tecnologia do Jovens Urbanos para o Bola pra Frente e o Irmãos Kennedy.

 

Sobre o Jovens Urbanos

Iniciativa da Fundação Itaú Social com coordenação técnica do Cenpec e criado em 2004, o Programa Jovens Urbanos busca promover, na perspectiva da educação integral, a ampliação do repertório sociocultural de jovens que vivem em territórios urbanos vulneráveis.

O Programa desenvolve, implementa e dissemina tecnologias de trabalho com a juventude por meio de processos de formação ampliada, geração de oportunidade e inserção produtiva, além de contribuir para que esses jovens concluam o Ensino Médio e tenham acesso ao Ensino Superior.

Reconhecer que o desenvolvimento dos jovens passa pela diversidade e complexidade de suas demandas – e também por seus potenciais – faz o Jovens Urbanos atuar em rede, envolvendo poder público, iniciativa privada, organizações locais, população e entidades de reconhecida expertise social e técnica.

 


Com colaboração de Sergio Pereira e Rafael Fróes, do Cieds. Fotos e vídeo: arquivo/Cieds.

Tagseducação integral, Jovens Urbanos, juventude, ocupações

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Total de 1 comentário(s)

  •    Maria de Lourdes  em