“Queremos disseminar a discussão sobre a educação integral não apenas na rede de ensino de Salvador, mas também nos municípios do entorno”

No dia 27 de outubro, foi realizado na capital baiana o Seminário de Educação Integral de Salvador, que abordou conceitos e práticas da educação integral e apresentou a parte conceitual do Plano de Educação Integral de Salvador. Após o evento, Ocimar Munhoz Alavarse, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE/USP), e Solange Feitoza, do Núcleo de Educação Integral do Cenpec, concederam uma entrevista à plataforma Educação&Participação.

Nessa conversa, os dois especialistas, que participam da Assessoria de Educação Integral para a construção da política na capital baiana, falam sobre o seminário e o processo de elaboração do plano. Confira.

Educação&Participação: Como foi o debate com Jaqueline Moll e Cláudia Galian durante o seminário?

Ocimar Alavarse: Elas fizeram discussões muito interessantes. Jaqueline fez uma abordagem mais voltada para o Programa Mais Educação, enquanto Cláudia discorreu mais sobre questões curriculares. Eu fiz um papel de mediação, em que procurei estabelecer um diálogo entre as contribuições dadas por elas e a proposta de Salvador.

> Mais de 160 escolas em Salvador participam do Mais Educação. Veja nosso especial sobre o Programa.

E&P: Por que a ideia de fazer um seminário de educação integral em Salvador?

Solange Feitoza: Nas assessorias do Núcleo de Educação Integral, temos a previsão de, em algum momento, realizar um seminário. O de Salvador teve um caráter regional, com a presença de educadores da rede municipal, da rede estadual e das redes dos municípios do entorno. Construímos esse seminário ao longo do ano com a Secretaria Municipal da Educação de Salvador (SMED). É uma parceria, e, de acordo com nossa assessoria, as secretarias devem ser protagonistas do processo: construímos as pautas, os temas, definimos os debatedores, e a Secretaria de Educação tem o papel de articuladora disso tudo. Nesse sentido, é também um trabalho de empoderamento das equipes municipais.

E&P: E por que convidar as redes de outros municípios e do próprio estado para o evento?

S.F.: O objetivo é disseminar a discussão sobre a educação integral não apenas na própria rede de ensino, mas também nos municípios do entorno. A ideia é que, se há um município que está implementando uma política de educação integral com a nossa assessoria, seja para formação, seja para a elaboração de um Plano de Educação Integral, esse município pode transbordar e disseminar essa experiência.

E&P: Como foi a recepção do público?

S.F.: Foi muito boa! Inclusive, eu destacaria a presença de Porto Alegre na parte da manhã. Esteve presente uma técnica do Projeto Cidade Escola, alguém que toca e implementa a educação integral lá. Apresentar a experiência de Porto Alegre em Salvador rendeu um diálogo muito importante, com um elevado número de perguntas e questionamentos. Foi muito interessante proporcionar isso: que uma rede de ensino troque experiências com outra – e dois municípios onde nós temos atuado.

E&P: E o que você destacaria da proposta que está sendo construída em Salvador?

S.F.: Em 2014, nós trabalhamos com política de formação em Salvador, tivemos oito encontros formativos reunindo vários segmentos da educação: professores, coordenadores pedagógicos, diretores, equipes das gerências regionais, além da Secretaria da Educação. Trabalhamos conceitos, fundamentos e objetivos da educação integral.

Em 2015, temos dois objetivos principais: a elaboração do Plano de Educação Integral e a criação de uma proposta de implantação para um equipamento que está em construção, que é o Centro de Educação Integral (CEI). Tudo isso está sendo construído com um grupo formado por cerca de 50 pessoas que representam a educação integral de Salvador: membros das gerências regionais e das 14 escolas que estão implementando a educação integral no município.

É um processo construído de forma democrática e coletiva, e implantamos uma tecnologia para considerar, no documento, a visão das escolas: a visão de quem de fato implementa a política pública.

Isso foi uma coisa muito interessante de nosso trabalho em Salvador: à medida que identificávamos alguns pontos fundamentais de uma política educacional, nós os pautávamos com o grupo: compreendíamos as percepções deles e as debatíamos. Essas discussões foram alimentando a construção do Plano. No seminário, Ocimar fez a apresentação da parte conceitual desse Plano, cotejando-a com as contribuições de Jaqueline Moll e Cláudia Galian.

O.A.: O Plano tem uma parte mais conceitual. A outra parte é como implementar. A partir da demanda de escrever o Plano, costuramos uma proposta: encontros mensais com essas escolas que têm educação integral, para os quais levamos alguns temas, dinâmicas associadas e textos de apoio. Com isso, de um lado, dizendo que aqueles temas precisavam ser contemplados no documento e, de outro, escrevendo algo que representasse quem está na escola. Os participantes respondiam, nós debatíamos com eles, e isso dava segurança de como os assuntos levados eram pertinentes.

E&P: O Plano foi avaliado pelo grupo também?

S.F.: Sim. Em determinado momento, apresentamos uma proposta de texto. Eles ficaram duas ou três horas analisando e, quando retornaram, comentaram que conseguimos captar o que eles pensavam. Isso foi muito gratificante: ter um Plano que é representativo daquele coletivo.

Os encontros temáticos, que aconteciam em oito horas, divididos em dois períodos, abordavam temas fundamentais da educação integral – avaliação, currículo, práticas pedagógicas, educação e educação escolar, diagnóstico etc. –, e os debates que suscitavam deram base para produzirmos um texto bastante próximo do grupo.

 

Saiba mais

> Veja como foi o seminário em Salvador. Clique aqui.

> Leia sobre a assessoria em Porto Alegre no escopo do projeto Cidade Escola, realizada pela Fundação Itaú Social com coordenação técnica do Cenpec.

> Leia sobre o seminário no site da Secretaria da Educação de Salvador.

> Ocimar Alavarse, Débora Marreiro e Maria Amábile Mansutti participaram do debate virtual sobre avaliação na educação integral. Saiba mais.

> Alavarse também falou de sua contribuição em Salvador ao portal do Cenpec. Saiba mais.

 

 

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