Experimentações ampliam visões de mundo de participantes do Jovens Urbanos

Criar esculturas com materiais reciclados, montar uma peça teatral com base no diálogo sobre questões que envolvem a juventude e conhecer o território pelo olhar de fotógrafo são algumas das oportunidades que
os jovens vivenciam com as experimentações da  9ª edição
do Programa Jovens Urbanos.

“Mudei a forma como olho o mundo ao meu redor ao participar
da oficina ‘Fotografia Panorâmica’. Agora saio de casa observando melhor a minha rua, a minha escola. Vejo cenas que antes eram desconhecidas para mim”, diz Stephanie Souza, 17, que mora na Brasilândia.

Para o assessor responsável pela atividade, Ítalo Brito, o objetivo é criar imagens, por meio da interação dos jovens com seu território, para produzir uma exposição que será apresentada no Encontro Público da Zona Norte. “Durante a exploração no Parque da Juventude, por exemplo, capturamos muitas imagens que estão sendo editadas pelos jovens. Essas atividades promovem uma mudança de olhar e de comportamento, pois os ajudam a reconhecer o território de uma maneira critica e investigativa.”

Essa experimentação é uma das 20 desenvolvidas na Brasilândia e no Capão Redondo, distritos onde o Programa atua em São Paulo. Promovendo ações com especialistas em diversas áreas, como grafite, fotografia e moda, as experimentações se tornam espaços privilegiados para que o jovem possa ter contato com novas tecnologias e saberes, sempre em diálogo com o mundo do trabalho e dos interesses juvenis.

A “Oficina de Teatro Conexão Atitude! Teatro, Ritmo e Comunidade”, assessorada por Asdrúbal Serrano, é uma das experimentações oferecidas na Brasilândia nesta edição. Com base na linguagem e nas técnicas teatrais, os 21 jovens participantes debatem inúmeros temas, como doenças sexualmente transmissíveis, preconceito na escola, violência doméstica, uso de drogas durante a gravidez, machismo, entre outros assuntos, no intuito de trocar experiências e promover uma integração do grupo.

Para Alexis Vargas, 18, a oficina o ajuda a se relacionar melhor com as pessoas. “O teatro me ajuda a expressar melhor meus sentimentos, que estão engasgados dentro de mim”, afirma Alexis.

De acordo com o assessor da experimentação, o mais importante é trabalhar com a diversidade do grupo. “Como os jovens têm uma resistência em perceber o novo, proponho atividades em que eles reconheçam essas novas possibilidades de pensamento, de convívio, para que eles possam trabalhar em equipe.”

Para o Encontro Público da Brasilândia, que será realizado em julho, os jovens dessa oficina apresentarão uma peça sobre violência doméstica. “Como o jovem está exposto a inúmeras cenas de violência todos os dias, vamos mostrar como ele reflete isso em seus espaços de convívio”, esclarece Asdrúbal.

Na experimentação “Lixo em Arte”, o intuito é discutir o que é lixo e como ele pode virar arte, afirma a assessora Carla Tennenbaum. “A proposta é trabalhar com o lixo, discutindo o que é e como ele afeta nossa vida; depois dessa percepção, pegamos materiais descartados e transformamos em arte.”

“Durante a experimentação, organizamos diferentes materias, como papelão, e transformamos isso em escultura, em arte. O lixo pode virar arte. Só depende de você”, declara Robson Alves, 15, um dos 12 participantes dessa oficina.

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