Filme sobre empreendedorismo social inspira jovens à participação pela transformação

Saiba como foi cine-debate, organizado pelo Alfasol em parceria com o Programa Jovens Urbanos, que apresentou o documentário “Quem se importa” e teve a presença da diretora do filme, Mara Mourão

 

Escrito por Fabíola Munhoz

Um professor de Economia da Universidade de Bangladesh decide se tornar fiador dos moradores de uma vila pobre para que essas pessoas pudessem emprestar 27 dólares do banco local. Assim se criou o microcrédito, que atualmente é reproduzido em diversas partes do planeta. Por sua vez, um médico brasileiro se muda à Amazônia para prestar atendimento a comunidades ribeirinhas, e acaba por contruir um projeto em conjunto com as populações locais, que hoje leva saúde e alegria a pessoas que antes viviam isoladas. Em outro canto do mundo, uma jovem oriental todas as noites sofre com o pesadelo de que é torturada numa prisão. Pensando nas várias pessoas que se encontram realmente nessa situação, ela decide dedicar-se a prestar assessoria a diversos Estados, para que garantam o direito de defesa às pessoas privadas de liberdade.

Essas são algumas das histórias reais contadas no documentário Quem se importa, idealizado e dirigido pela cineasta Mara Mourão. O filme foi apresentado e discutido durante um cine-debate organizado pelo Alfasol em parceria com o Programa Jovens Urbanos e o Centro Ruth Cardoso, que teve a participação da diretora e reuniu diversos educadores e profissionais atuantes na área da juventude.

A mostra do documentário, que retrata a trajetória de pessoas comuns que se tornaram empreendedores sociais, aconteceu como parte de uma série de sessões realizadas com o intuito de discutir temáticas pertinentes ao universo dos jovens, de modo a ampliar o repertório de quem trabalha nos campos de juventude e educação, contribuindo ao desenvolvimento do seu trabalho socioeducativo com os jovens. A apresentação do filme e o debate com Mara Mourão foram inspiradores, revelando que o cinema pode cumprir um papel importante para a conscientização e a reflexão das pessoas sobre seu poder de transformação social.

“Sempre houve lideranças sociais, mas agora as pessoas se dão conta do papel do empreendedorismo social e de sua importância. O empreendedorismo não pode ser considerado exatamente uma profissão. Vejo essa atividade mais como um espírito que paira sobre as mais diversas profissões. Todos nós dentro da nossa medida podemos causar um impacto social positivo, podemos provocar uma transformação”, afirmou a cineasta.

Durante o debate, Mara também confirmou o propósito educativo de sua obra e disse que serão disponibilizadas cópias do documentário a 20 mil escolas de ensino médio públicas do Brasil, para que o empreendedorismo social seja debatido com os jovens. No site criado para divulgação do longa, podem ser encontrados materiais didáticos segeridos aos educadores para que trabalhem seu conteúdo em aula. “Queremos tornar o filme acessível a todas as escolas e universidades. A ideia é chegar ao maior número possível de instituições educativas. Portanto, a intenção do filme é mais possibilitar inspiração e educação, que incentivar o debate político”, acrescentou.

Saiba mais sobre o filme e como utilizá-lo em sua escola, no site:

http://www.quemseimporta.com.br

Segundo Elaine Minero, educadora do Programa Jovens Urbanos em São Miguel Paulista (zona leste de São Paulo) que participou do cine-debate, o filme Quem se importa é importante porque mostra que cada pessoa individualmente pode fazer algo para transformar a realidade. Para ela, também é sempre muito produtiva a oportunidade de debater e trocar experiências com outros educadores. “No Programa Jovens Urbanos, trabalham educadores de várias áreas, e essa variedade influencia o trabalho do educador e a diversidade de maneiras de se tratar um tema (…). Quanto ao filme, gosto de perceber nele ações de pessoas muito novas ou inspiradas na fase em que essas pessoas ainda eram novas, pensando em trabalhar com os jovens o protagonismo juvenil e o potencial transformador dos jovens”.

 

Ouça o que acharam do encontro Elaine e outros educadores que participaram do debate

 

Dicas dos educadores sobre outros filmes para se trabalhar em aula:

 

O ano em que meus pais saíram de férias

 

Machuca

“A memória é política. As pessoas escolhem falar de determinados grupos, e excluem outros dos livros didáticos e do debate nas salas de aula e na mídia. (…) Muita gente lutou e morreu para construir o que temos hoje. Então, indico filmes que tratem a memória política, especialmente da Ditadura Militar, que é um tema caro e a população desconhece. Recomendo esses filmes porque tratam essa memória do ponto de vista das crianças.” (Marcel Cabral, educador do Programa Jovens Urbanos em São Miguel Paulista)

 

Eu não quero voltar sozinho

“Os jovens têm várias referências preconceituosas e reproduzem isso a cada instante. Esse curta fala de homossexualidade com adolescentes e deficiência visual, de uma maneira leve e com respeito. Por isso, é importante usá-lo com os jovens e até mesmo crianças” (Elaine Minero, educadora do Programa Jovens Urbanos)

 

Home

“É um documentário poético, que fala sobre o aquecimento global e como esse problema tem influenciado a vida e a biodiversidade, especialmente nos pólos sul e norte”. (Escobar Franelas, educador do Programa Jovens Urbanos em São Miguel Paulista)

Uma verdade inconveniente, de Al Gore

“Esse é outro filme que trata a questão ambiental, e é simbólico porque mostra uma figura pública tomando as nossas dores, dando voz ao lado fraco da corda.” (Escobar Franelas, educador do Programa Jovens Urbanos em São Miguel Paulista)

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