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Formação busca fortalecer polos municipais para a construção de Políticas de Educação Integral

Na terça-feira, 22 de agosto, um auditório na cidade de Vinhedo (SP) reuniu gestores e professores de 11 cidades do estado para uma formação em educação integral. O objetivo: alinhar conceitos e trocar experiências para que municípios possam construir seu plano de educação integral.

 

 

 

A estratégia de reunir e articular os diferentes gestores municipais foi a solução encontrada pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) e Fundação Itaú Social para fortalecer políticas de educação integral no âmbito regional. Após a aprovação da Lei  n. 13.005/2014 do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê a oferta da educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas até 2024, muitos municípios ainda enfrentam o desafio de estruturar seus planos específicos para realizar essa implementação.

Dessa forma, o encontro formativo reuniu gestores de cidades paulistas como Assis, Cordeirópolis, Campo Limpo Paulista, Sumaré, Campinas, Hortolândia, Vinhedo, Limeira, Santos, Fartura e Valinhos para apresentar subsídios conceitos, processos, arranjos e metodologias diferentes que auxiliem na elaboração, implementação e/ou aprimoramento de planos municipais de educação integral, a partir da reflexão sobre desafios e possíveis caminhos dos contextos de cada região.

O curso realizado em Vinhedo já foi apresentado em outros polos regionais do país. Contudo, ele trouxe um formato inédito: em vez de serem desenvolvidos apenas presencialmente, seus oito módulos foram trabalhados de forma híbrida. Quatro realizados em ambiente virtual, e quatro módulos desenvolvidos em encontros presenciais. Todas as etapas, on-line e presenciais, usaram como base a ferramenta Nosso Plano, parte integrante do Guia de Políticas de Educação Integral.

A ferramenta Nosso Plano e o Guia de Políticas de Educação Integral são gratuitos e de livre acesso. Acesse aqui e veja o vídeo explicativo sobre seu funcionamento.

“Essa é uma formação que parte da ideia de que a educação integral pode ser pensada a partir de um consórcio de municípios. Existem municípios que estão mais avançados, outros que estão começando. Como podem trocar experiências? A aposta é justamente na ideia de que eles podem avançar com a vivência do outro”, afirma Júlio Neres, da equipe do Cenpec, responsável pela facilitação do encontro.

Nesse primeiro encontro presencial, a troca de experiências entre os participantes começou com a exposição e o alinhamento sobre preceitos norteadores da educação integral. A partir da leitura de textos do Caderno de apoio à gestão escolar uma publicação do município de Itabira (MG) com a colaboração do Cenpec –, questões como “O que é formar uma pessoa integralmente?” levou os participantes a refletir sobre o conceito de integralidade, a importância da ressignificação dos processos educativos, da intersetorialidade e o redimensionamento de tempos e espaços.

A exposição das diferentes práticas nos municípios, seus marcos legais, arranjos e parcerias foi realizada na sequência. Nessa atividade, cada município sistematizou seu conjunto de ações. (Veja a seguir a galeria com imagens e o panorama dos municípios apresentado pelos participantes.)

A diferença de propostas, etapas e até mesmo de nomenclaturas ficou bastante visível nesse momento. Mas a diversidade motivou uma intensa troca de conhecimentos entre os participantes. Para Luciana Conrado, da equipe do Cenpec e facilitadora do encontro, a riqueza dessa assessoria se deve justamente à diversidade.

“Nenhuma educação integral é igual a outra, nenhum município faz educação igual ao outro porque é um outro público, é um outro contexto sócio-cultural, são outros financiamentos. Então, fazer parte desse tipo de atividade ajuda a perceber esses elementos, as potencialidades e os desafios que precisam ser compensados. A beleza de estar juntos é se ver e aprender com o outro”, afirma.  

Segundo os participantes, o contato com tantos arranjos e diferentes possibilidades de trabalho foi o destaque. Para Márcia Calçada, chefe de seção do Ensino Fundamental de Santos (SP), “a troca de experiências foi um dos momentos mais importantes, porque a gente vê outros modelos, outros pensamentos, outros formatos que vem agregar ao nosso fazer, e vem fomentar novas ideias […]. É uma injeção de ânimo. É um revigorar”.

Sandrini Rossini, supervisora de ensino da rede municipal de Limeira concorda. “A gente vai se fortalecendo, conhecendo outras experiências, o que cada um já tentou fazer, como conseguiu de fato implementar as políticas. Assim, a gente não fica tão refém do que tem sido oferecido ao longo do tempo.”

A aposta no compartilhamento das experiências e o caráter intrinsecamente intersetorial das políticas de educação integral refletiram também nas propostas metodológicas trabalhadas na formação. Na última etapa do encontro, os facilitadores abordaram a importância da prática de escuta para os profissionais que trabalham com educação integral. Após a leitura de texto e a discussão sobre o tema, as equipes das diferentes cidades levaram para casa a tarefa de escutar os públicos de seus programas. Com isso, poderão iniciar um diagnóstico mais qualitativo de suas redes. De acordo com Júlio Neres, esse recurso faz parte do processo em que eles cartografam seus municípios, iniciando um panorama sobre o estágio de desenvolvimento da educação municipal em seu território.

Conheça os representantes dos municípios e o panorama sobre a educação integral em seus territórios:

 

Tagsgestão, políticas de educação, pólo de educação integral

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