Notícias - Vanessa Nicolav - Políticas de Educação Integral

Formação em Porto Alegre busca articular práticas de educação integral entre organizações e escolas públicas

Construir um trabalho mais integrado entre as escolas públicas e as organizações da sociedade civil. Esse foi o caminho que o governo municipal de Porto Alegre (RS) encontrou para ampliar e aprimorar sua política de educação integral em 2015.

A solução encontrada partiu da parceria entre a prefeitura e a Fundação Itaú Social que, sob coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), vem prestando assessoria ao Programa Cidade Escola, que implementa a educação integral na rede de ensino da capital gaúcha.

Para iniciar e fortalecer a integração, essa parceria tem focado suas ações na formação de educadores, coordenadores pedagógicos e gestores públicos de escolas e organizações que participam do Programa Cidade Escola.

“Nosso objetivo macro é conseguir integrar o trabalho das entidades conveniadas e o das escolas. Identificar os pontos de convergência entre eles e atuar sob o ponto de vista da política educacional, e também da política pedagógica”, afirma Solange Feitoza, do Cenpec.

Os parâmetros que orientam a formação focam a investigação de temas ligados a políticas públicas, aprendizagens e educação integral. A ideia é possibilitar que conceitos e práticas alinhem-se, criando estratégias combinadas que reflitam os princípios estipulados pela educação integral.

De forma colaborativa e propositiva, são promovidos ciclos de encontros que estimulam a reflexão e o aprofundamento de assuntos relativos ao trabalho e a contribuição desses diferentes agentes educativos.

Segundo Maria Cristina Chaves Garavelo, coordenadora do Programa Cidade Escola, a estratégia de estimular a articulação entre esses atores vêm de um processo de fortalecimento da educação integral que começou há dois anos.

“Iniciamos as conversas com a Fundação Itaú Social e o Cenpec em 2013, e já em 2014 demos início às formações, que foram pensadas para focar primeiro a figura do educador social das organizações conveniadas. No segundo semestre, passamos a fazer um trabalho específico com os coordenadores pedagógicos dessas organizações e, hoje, pensamos em ampliar ainda mais e integrar também os professores referência das escolas participantes”, conta.

Encontros

Por meio de atividades reflexivas e leitura crítica de diferentes materiais, os participantes, de forma circular, levantam os conceitos-chave de seus trabalhos e tentam aprofundar suas problemáticas e formas de superação e trabalho em conjunto. O conceito de ação-reflexão, nesse sentido, é central na construção de processos participativos e também propositivos

“No processo de reflexão, conseguimos identificar as questões: o que temos de mais potente, e o que é colocado como desafio. Porém não podemos parar aí, temos também que enxergar por onde podemos caminhar”, explica Feitoza.

Os encontros acontecem entre os educadores sociais e, em paralelo, entre os coordenadores pedagógicos. Periodicamente também são realizados encontros centralizados, com a presença de todos os participantes. O intuito desses momentos é reforçar a consciência do trabalho educativo articulado que responde aos mesmos objetivos: formação ampliada das crianças e dos adolescentes.

A partir dessa estratégia, começam a surgir várias propostas, como a de realizar a reunião de pais de forma conjunta, com a presença tanto de professores como de educadores sociais. Outra ideia que surgiu a partir da vontade de ampliação da comunicação e intensificação de laços foi a criação de um boletim informativo, que sistematiza os conteúdos trabalhados nos encontros e que, ao circular livremente entre os diferentes espaços, reforça a noção de pertencimento e colaboração.

Sobre o Cidade Escola

Atualmente, o Programa Cidade Escola atende mais de 23 mil alunos, contemplando todas as escolas municipais de Porto Alegre, e tem como objetivo ampliar e qualificar os tempos e os espaços de aprendizagem das crianças e dos adolescentes.

Por meio de convênios com diversas organizações sociais do município, o programa articula ações de desenvolvimento integral a partir de atividades de letramento, numeramento, ludicidade e corporeidade, que ocorrem dentro das escolas ou nas próprias organizações cadastradas.

Com essas práticas, Porto Alegre não apenas amplia em três horas diárias sua jornada escolar, mas também expande seus horizontes educativos ao incentivar e integrar, num mesmo plano de educação, diferentes saberes e formas de conhecimento.

Hierarquia dos saberes

Um dos temas levantados e apontados como centrais no trabalho educativo em rede foi a hierarquia dos saberes. Tal tema refere-se à desigualdade de valores atribuídos a certos campos do conhecimento, considerando alguns como superiores e outros como supérfluos ou simplesmente acessórios.

Nessa lógica, certos agentes e profissionais da educação ganham mais destaque que outros, e a educação deixa de ser pensada em sua dimensão plural e interdependente.

Para Feitoza, a formação também serve para o empoderamento dos participantes. “Essa questão é fundamental na educação integral. Para que ela funcione, você tem que empoderar o educador social em relação ao professor, empoderar a entidade conveniada em relação à escola e vice-versa.”

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  •    Andrea da Silva  em 
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         Prêmio Itaú-Unicef respondeu em