Notícias - João Marinho - Políticas de Educação Integral

Grupos de escuta contribuem para a educação integral em Itabira (MG)

Alunos, pais, professores, coordenadores e gestores de escola apontam os desafios e potencialidades do município para construir a educação integral que desejam

Ampliar a oferta do ensino com aulas de espanhol, chinês, artes plásticas, música (aulas de canto, instrumentos), gastronomia, natação, educação ambiental, saúde e sexualidade, artes marciais, comunicação, história (da escola, dos bairros, da cidade), programação de apps e games, entre outras. Esse foi um dos elementos que alunos do Ensino Fundamental II de Itabira (MG) pontuaram ao serem motivados a pensar sobre a educação integral que querem para o município.

A iniciativa de ouvir os alunos da rede de ensino partiu da Assessoria de Educação Integral que o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) e a Fundação Itaú Social, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Itabira, realizam desde maio deste ano.


“Queremos que as pessoas nos ouçam também” (Sara, aluna)


Os grupos de escuta de alunos em Itabira são heterogêneos e têm alunos das cinco escolas do Ensino Fundamental II, de um total de 30 que compõem a rede municipal. Os adolescentes são distribuídos em duas turmas, que têm prevista a realização de três encontros de três horas cada – uma turma à tarde e a outra na manhã do dia seguinte. Toda a construção dos encontros é feita apenas pelos alunos.

Os encontros são organizados pela equipe do Cenpec: o primeiro aconteceu nos dias 10 e 11 de junho e o mais recente, nos dias 31 de julho e 1º de agosto, cada qual com uma média de 20 alunos por turma, em cada etapa. A terceira e última etapa está programada para acontecer em meados de setembro.

O que querem os alunos de Itabira

>> Há alunos que identificam a existência de centros comunitários próximos às casas e escolas, como a Mata do Intelecto, e boa parte defende que a escola deveria proporcionar mais “passeios” e “viagens”, assim como atividades em espaços fora da unidade escolar. Há necessidade de atividades mais práticas e dinâmicas, como atividades ao ar livre, dinâmicas de grupo, artesanato, atividades corporais, palestras sobre temas atuais, utilização de recursos como filmes, livros e músicas;

>> Existe descontentamento em relação à rotina e a algumas regras que não entendem: eles gostariam de negociar mais as condições para cada uma;

>> Algumas sugestões caminharam para uma estrutura de fluxo com salas ambientes;

>> Aumento do tempo de intervalo, aumento da quantidade de intervalos e de “tempos livres” para mexer nos computadores, ajudar na limpeza da escola, para jogos e brincadeiras;

>> Há sugestões de como poderia funcionar a jornada ampliada: a parte da tarde começar mais cedo, haver aulas de reforço, abertura da biblioteca e ala de informática etc.;

>> Oferta do ensino de outras línguas além do inglês, como espanhol, francês e chinês; artes plásticas, música (aulas de canto, instrumentos), dança, literatura, gastronomia, natação, educação financeira, educação ambiental, saúde e sexualidade, artes marciais, comunicação, história (da escola, dos bairros, da cidade), informática, programação de apps e games, robótica e mecânica;

>> Merenda mais variada, com sucos naturais, frutas variadas, leite, verduras, sobremesa.

O intuito é construir um Plano de Educação Integral com base na participação da sociedade, com o desenvolvimento de oficinas de escuta que contemplam diferentes atores: coordenadores e gestores de escola; professores; encontro integrado com coordenadores, gestores e professores; pais de alunos residentes tanto na zona rural como na urbana; e, por fim, alunos do Ensino Fundamental II.

Até o momento, foram realizados oito encontros. De acordo com Thales Santos Alves, 33, educador e membro do Núcleo de Educação Integral do Cenpec, que acompanha a realização dos grupos de escuta, a criação e o fortalecimento desses grupos aumentam o comprometimento dos atores na construção da política de educação integral. “Tem sido muito gratificante desenvolver um processo altamente democrático e participativo de construção de ideias e possíveis encaminhamentos. Isso aumenta o sentido de pertencimento das pessoas e o comprometimento delas. São bastante perceptíveis algumas mudanças de comportamento durante as etapas: o que se limitava a ser uma queixa passa a ser problematizado para se pensar em possibilidades de solução.”

 

Futuro mais tecnológico: mochila a jato e professores-robôs 

Além de pensar na educação integral hoje, os adolescentes também foram levados a pensar como seria a educação no futuro – e os aparatos tecnológicos se destacaram: mochila a jato, skate voador, professores-robô foram alguns dos pontos colocados pelos alunos.

“Existe uma relação intensa dos alunos com as novas tecnologias. Foi uma pauta que durou quase uma hora em uma das turmas. Além disso, eles almejam que as expectativas passem por processos mais dinâmicos, de movimento, de trabalho coletivo”, conta Thales. Entre as sugestões, aulas de criação de software e aplicativos, mecânica, rádio e robótica, entre outras. Já na segunda etapa, os alunos tiveram a chance de apresentar o registro de pesquisas que fizeram em suas escolas com outros colegas.


“Eu desejaria que a escola tivesse mais tecnologia, um jeito de transformar as redes sociais em um lugar de estudo” (Vitor, aluno)


Para além dos alunos 

A construção do Plano de Educação Integral em Itabira contempla a formação de grupos de estudos com outros atores além dos alunos. Até o momento, foram oito encontros, com a participação de coordenadores e gestores de escola; professores; encontro integrado com coordenadores, gestores e professores; pais de alunos residentes tanto na zona rural como na urbana.

Entre os desafios que eles apontaram para a educação integral no município, estão: pouca apropriação do conceito de educação integral e a estrutura física das escolas. Em relação às potencialidades, eles indicaram a contribuição de programas como Mais Educação, Conselho Regional de Assistência Social (Cress) e Saúde na Escola.

 

Professores e monitores: desafios e potencialidades da educação integral

Desafios

>> Pouca apropriação do conceito de educação integral;

>> Implementar uma política intersetorial e avançar no diálogo entre os diferentes atores, como famílias, educadores, técnicos, sociedade civil;

>> Estrutura física das escolas;

Potencialidades

>> Práticas positivas no âmbito da educação integral, inclusive com contribuição de programas como Mais Educação, Cress e Saúde na Escola;

>> Já houve consolidação de parcerias entre escola e outros setores da sociedade;

>> Presença de clubes para realizar parcerias e escolas com boa estrutura física.

 

Saiba mais

> Petrópolis (RJ) é outro município assessorado pelo Núcleo de Educação Integral do Cenpec que tem investido em participação social em suas políticas públicas de educação integral, com grupos de escuta. Veja aqui.

> A participação social foi tema de uma entrevista especial da plataforma Educação&Participação com Kezia Alves, do Fórum Municipal de Educação de São Paulo. Confira aqui.

> “Não dá para fazer educação integral somente na sala dos professores”. Assista ao debate virtual Espaços de aprendizagem na educação integral, com Beatriz Goulart, Grace Luciana Pereira e Patricia Mota Guedes.

> O Banco de Oficinas do Educação&Participação tem trabalhos com diferentes temáticas, incluindo a educação financeira. Confira.

Tagsadolescente, gestor, participação social, plano, políticas de educação integral, políticas públicas, professor

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