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- Thais Iervolino e João Marinho - Políticas de Educação Integral

II Congresso de Educação Integral de Petrópolis

Participantes

O II Congresso de Educação Integral de Petrópolis busca fomentar e discutir uma educação capaz de promover a transformação  e estabelecer uma prática a partir do entendimento de que o processo ensino/aprendizagem  precisa ser uma relação dialógica. Como tão bem colocou Paulo Freire (2011), é preciso que nós educadores nos convençamos de que ensinar, não é transferir conhecimentos, mas sim mediar sua construção.

Durante os quatro dias deste espaço de formação e troca de experiências, gostaríamos de compartilhar o processo coletivo em construção acerca das diretrizes da Educação em Tempo Integral do município, desencadeado por educadores que não se permitem a desesperança e estão convictos de que é possível a quebra de paradigmas.


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Boa noite. A plataforma Educação&Participação inicia hoje a cobertura do II Congresso de Educação Integral de Petrópolis. Com uma equipe deslocada para o município, você poderá acompanhar, neste espaço, destaques e algumas das palestras e atividades culturais dia a dia durante o evento.


15 de setembro

Sou João Marinho, repórter do Educação&Participação, agora são 18h35 do dia 15/09 e nós, da plataforma, estamos acompanhando os preparativos para a abertura do evento.


>> Com execução do Hino Nacional e participação do coral municipal, que apresentou um número do meio da plateia, tem início, pouco antes das 19h, o II Congresso de Educação Integral de Petrópolis. A mesa de abertura é composta pela secretária municipal de Educação, Mônica Vieira Freitas; pela subsecretária de Educação, Rosilene Ribeiro; por Letícia Araújo Moreira da Silva, membro do Núcleo de Educação Integral do Cenpec; e pelo Prof. José Francisco de Almeida Pacheco, educador reverenciado pelo trabalho pioneiro na Escola da Ponte, na Vila das Aves, Portugal.


>> O primeiro discurso cabe a Rosilene Ribeiro, que destaca o formato do evento e o capital cultural e histórico de Petrópolis. Um dos diferenciais deste congresso é que as palestras, mesas e atividades formativas ocorrerão concomitantemente a atividades culturais, em diferentes espaços do território. A experiência vai possibilitar aos participantes uma vivência de educação integral a partir dos conceitos de circulação no território e cidade educadora. A exploração do capital cultural e histórico mencionado por Rosilene também traz elementos para pensar diferentes propostas curriculares a partir do que a cidade tem a oferecer.


“É possível fazer acontecer a educação integral” (Mônica Freitas, secretária municipal de Educação de Petrópolis)


>> Na participação da secretária de Educação, Mônica Freitas, destaca-se o processo de discussão da educação integral no município, iniciado a partir de 93 unidades, das mais de 100 que existem na rede, aderentes ao programa Mais Educação, da meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE) e da realização do I Congresso, em  2014. Em 2016, 10 escolas da rede, do Ensino Fundamental I e II, iniciarão atendimento voltado a uma concepção mais ampla de educação integral e se constituirão em pré-projetos para o avanço gradual a outras escolas municipais. Atualmente, Petrópolis conta com a assessoria do Núcleo de Educação Integral do Cenpec na formulação de sua proposta de educação integral.


>> A secretária destaca a importância da parceria e da intersetorialidade para a educação integral e menciona os atores que têm se envolvido com a proposta no município.

No Educação&Participação: a parceria é um dos conceitos fundamentais no trabalho desenvolvido pelo Prêmio Itaú-Unicef na assessoria a organizações da sociedade civil (OSCs) e escolas públicas e na premiação em si.


“Só conseguimos construir a nossa vida, principalmente quando se fala em Educação, por meio de parcerias” (Mônica Freitas)


>> A cerimônia prossegue com a entrega do kit do evento a quatro estudantes da rede municipal de ensino. Eles representam os jovens de 55 escolas municipais que participam do Fórum Juvenil. O Fórum foi implantado no Congresso do ano passado, visando a possibilitar aos jovens um espaço para discutir as temáticas inerentes às suas vivências e ideias, concepções, práticas e políticas públicas relacionadas à educação. É importante destacar que, em Petrópolis, a assessoria do Núcleo de Educação Integral do Cenpec visando à proposta de educação integral contou com grupos de escuta de estudantes. As atividades do Fórum acontecem concomitantes ao congresso, e amanhã haverá uma palestra sobre Ensino Médio Integrado. O Educação&Participação cobrirá algumas dessas atividades.


>> O evento prossegue e, no momento, cobrimos a palestra do Prof. José Pacheco. O professor fala da experiência da mundialmente reconhecida Escola da Ponte e da importância de pensar a proposta de educação integral a partir do cuidar das pessoas, da reconfiguração de práticas e de uma nova constituição social.


“As palavras refletem a cultura” (José Pacheco)


>> O trabalho de José Pacheco envolve crianças e adolescentes em condições de vulnerabilidade. O professor fala da importância de dar ouvidos a eles, instigar a curiosidade, perguntar o que querem fazer, de suas vivências. A partir daí, desenvolve-se uma metodologia de trabalho em projeto, por meio da qual os estudantes produzem e ampliam a aprendizagem de conteúdos, a partir de uma perspectiva de autonomia.


>> Todas as experiências são ilustradas por casos concretos. “Michael”, um adolescente que viu a mãe ser morta à sua frente, foi agredido e sofreu abuso sexual é um dos casos. Por meio dele, Pacheco mostra a importância de estabelecer vínculos com os estudantes: “A criança não é o centro. O centro está no vínculo”, diz o professor.


“Para aprender e ensinar, é necessário vínculo afetivo” (José Pacheco)


>> Como é possível que os educadores, que vivenciaram uma escola que promoveu a heteronomia, pode estimular a autonomia? A pergunta feita por uma das participantes da plateia é abordada por Pacheco por meio de exemplos concretos: a autonomia deve ser vista sempre com base no outro – o exercício da autonomia pressupõe o respeito à autonomia da outra pessoa.


“Educação integral é a que contempla a multidisciplinaridade do ser humano” (José Pacheco)


>> Dois casos são comentados por Pacheco: os jovens que têm experiências de aprendizagem a partir da busca pela origem da palavra “favela”, que evitava usar para se referir à comunidade onde viviam; e o caso de sete jovens em conflito com a lei que construíram um viveiro de pássaros e, por meio do projeto, tiveram experiências de aprendizagem de mais de 70 conteúdos pedagógicos e a retransmitiram a outras crianças. No final, os jovens reconheceram a escola como nossa, em recado deixado em cartolina. Dois vídeos a respeito do Projeto Âncora, de Cotia (SP) são apresentados. O Prof. José Pacheco é membro do Conselho Consultivo do projeto.


“Ninguém rouba o que é seu” (José Pacheco)


>> Pacheco fala a respeito da metodologia de trabalho em projeto: o projeto-vida, em que o estudante define o que ele deseja fazer como sujeito; o projeto-comunidade, que se trata de inserir o projeto dentro da comunidade e como ela se beneficia por meio dele; e o portfólio, que é constituído pelo aluno.

No Educaçã&Participação: trabalho em projeto e portfólio, aliados a autonomia e protagonismo, ecoam práticas e metodologia do Programa Jovens Urbanos.


16 de setembro

Hoje, o Educação&Participação acompanhou, no II Congresso de Educação Integral de Petrópolis, uma palestra sobre Ensino Médio Integrado no Colégio Estadual D. Pedro II – parte das atividades do Fórum Juvenil; duas atividades culturais; e a reunião dos Conselhos Comunitários do Programa Mais Educação, com palestra do Prof. David Arcenio, da Universidade Federal Fluminense, sobre conselhos escolares.

10h – Ensino Médio Integrado no Colégio Pedro II

>> Concomitantemente ao Congresso, têm acontecido atividades do Fórum Juvenil. Implantado em 2014, durante o I Congresso, o Fórum tem a proposta de propiciar um espaço para os jovens discutirem desafios e propostas para melhoria da escola e políticas de educação. O Fórum, ao longo do II Congresso, também inclui atividades lúdicas, como um game que ocorreu à tarde do dia 16.


>> Feita por professores e um dos alunos, Yuri, a palestra do dia 16 apresentou aos jovens a proposta de Ensino Médio Integrado do Colégio Estadual D. Pedro II. O Ensino Médio Integrado é uma modalidade instituída em todo o Brasil em 2004 e que traz, no bojo, uma formação do jovem sob o princípio da integração entre ensino e trabalho, em vez da divisão tradicional entre disciplinas obrigatórias e disciplinas técnicas em turnos distintos. No que diz respeito a uma proposta de educação integral, a estratégia do colégio, que oferece técnico em Audiovisual e Química, destaca-se pela metodologia de trabalho em projeto – citada em especial na apresentação do Audiovisual: durante o curso, os jovens são convidados a desenvolver projetos audiovisuais e os conteúdos são trabalhados no decurso da realização dos projetos, com jornada ampliada.

* Saiba mais sobre Ensino Médio Integrado aqui e aqui.


“Na quinta-feira, teve uma escuta que a gente fez, na Casa do Barão de Mauá, para falarmos as melhoras que a gente queria pra escola, o que a gente queria que fizessem, para melhorar mais a educação” (Lucas Carvalho, 15 anos, e amigos do Fórum Juvenil, sobre o último grupo de escuta realizado na assessoria do Núcleo de Educação Integral do Cenpec em Petrópolis)


12h e 13h30 – atividades culturais no Museu Imperial

>> Parte da programação do II Congresso de Educação Integral envolve atividades culturais. O Educação&Participação participou de duas, nesta quarta-feira: uma visita guiada ao Museu Imperial e uma palestra do Projeto Petrópolis, que este ano lança o almanaque “Memórias da Educação em Petrópolis”, contando a história da educação no munícipio. Na palestra, foi destacada a história dos principais colégios inaugurados na história do município, iniciando pelos Colégios Notre Dame de Sion e São Vicente de Paulo, que alugaram, em duas épocas distintas, o espaço do Palácio de Petrópolis, hoje Museu Imperial.


>> Por meio da história, é possível observar a evolução nas práticas de educação, de uma abordagem extremamente rígida, em que vigia a separação de meninos e meninas por colégios e o emprego de palmatórias, até o surgimento das primeiras universidades entre as décadas de 50 e 60 e uma prática menos severa no dia a dia dos colégios.


17h – Conselhos Escolares e Conselhos Comunitários, com David Arcenio

>> Às 17h, o Educação&Participação esteve presente na Casa dos Conselhos e acompanhou a reunião extraordinária dos Conselhos Comunitários do Programa Mais Educação. A reunião trouxe uma palestra do Prof. David Francisco Arcênio, técnico educacional na Divisão de Prática Discente da Universidade Federal Fluminense, membro do Comitê de Mobilização Social pela Educação do Rio de Janeiro e Baixada Fluminense, mobilizados do Programa Nacional de Fortalecimento Escolar no Rio de Janeiro e Mestre em Ciências da Educação pela Universidade Federal Farroupilha – RS.


>> David Arcenio trouxe aos palestrantes a importância dos conselhos escolares como instâncias por meio das quais a sociedade civil se faz ouvir e interfere nas políticas públicas de educação, tornando factível o conceito de gestão democrática: “Ela se concretiza: não é apenas mais uma ideia”.


>> Em Petrópolis, a iniciativa de criar conselhos comunitários para avaliação e andamento do Programa Mais Educação é uma iniciativa inédita que, na visão do palestrante, pode ser irradiada: “É uma iniciativa ímpar, que deve ser copiada por municípios que tenham condições de fazê-lo”.


>> Para David Arcenio, “o conselho traz a comunidade para perto das autoridades” e tem importância vital no processo de união entre os saberes da comunidade e os saberes acadêmicos, o que propicia uma educação de qualidade que atende, ao mesmo tempo, a demanda da comunidade.


“O diálogo  sobre educação precisa ser ampliado para a sociedade” (David Arcenio)


>> Para a população, o professor destacada as diferentes participações possíveis, que se inserem na importância do papel dos conselhos comunitários: participação com presença, como expressão verbal, como representação, como tomada de decisão e como engajamento. Para Arcenio, a família e a escola formam uma equipe: têm objetivos comuns, devem traçar metas simultâneas e possuem ações específicas.


>> Destacando a escola de tempo integral, para o palestrante, a atuação dos conselhos, como canais de gestão democrática, é importante para garantir políticas de educação integral: “Os conselhos, a comunidade, precisam estar juntos para replanejar o calendário, a carga horária, (…) mobilizando as famílias – e principalmente para que as pessoas, os pais, as famílias, entendam (…) que se trata da qualidade da educação, para melhorá-la com mais opções, mais atividades, para tornar a educação mais completa”.


“A educação integral não acontece só nas escolas: os espaços podem ajudar na educação integral” (David Arcenio)


>> Recorrendo ao conceito de cidade educadora, Arcenio, em entrevista ao Educação&Participação, diz que a jornada ampliada não deve significar o confinamento da criança na escola: “A cidade, com seus espaços, educa a criança”.


17 de setembro

Hoje, o Educação&Participação cobriu, pela manhã, uma palestra temática proferida por Alexandre Isaac e Letícia Araújo, do Núcleo de Educação Integral do Cenpec, uma roda de conversa do Fórum Juvenil na Casa dos Conselhos à tarde e a palestra “A educação integral em uma cidade educadora”, realizada pela Prof. Dra. Jaqueline Moll, à noite, no Theatro D. Pedro.

9h – Assessoria na construção de Planos de Educação Integral

>> Realizada no campus Petrópolis do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ), a palestra proferida por Alexandre Isaac e Letícia Araújo contou com a participação inicial de Tereza Ruiz, que apresentou a Olimpíada da Língua Portuguesa para uma plateia formada por professores, gestores e diretores de escola. Foi apresentado o site e a seção “Pérolas da Imaculada”, elogiada pela plateia.


>> Na sequência, Alexandre Isaac iniciou sua participação, relatando o trabalho da Fundação Itaú Social e do Cenpec na área de educação integral. A participação contou com um apanhado histórico, desde o momento em que a educação integral era discutida como ações complementares à escola até o conceito atual.


>> O conceito de educação integral foi, então, abordado pelo coordenador: a educação integral não se limita apenas à ampliação do tempo, mas à ampliação de espaços, experiências e aprendizagens, com a participação de diferentes atores e a necessidade de discutir um currículo condizente com essa proposta.


“É preciso discutir que currículo se oferece, que currículo sedutor: não se fala em educação integral para ficar sete, oito horas dentro do mesmo espaço” (Alexandre Isaac, coordenador do Núcleo de Educação Integral do Cenpec)


>> Isaac destacou que, além da assessoria para implementação de políticas de educação integral, há também o interesse do Cenpec e da Fundação Itaú Social na produção de conhecimento sobre o tema – e os municípios assessorados possuem também esse potencial de produção teórica sobre a educação integral, a partir das distintas experiências de cada um.


“Não existe uma única maneira de fazer educação integral” (Alexandre Isaac)


>> À plateia de gestores, professores e diretores de escola, também foram apresentados referenciais teóricos para o aprofundamento na temática de educação integral: o Guia Políticas de Educação Integral e as publicações Tendências para Educação Integral e Percursos da Educação Integral.


>> Na sequência, Letícia Araújo apresentou aos presentes a plataforma Educação&Participação e os programas que nela são expressos: Prêmio Itaú-Unicef, Programa Jovens Urbanos e Políticas de Educação Integral. Os conteúdos formativos da plataforma, como as seções Materiais e Temáticas, também foram apresentados.


“Queremos produzir teoricamente sobre educação integral” (Alexandre Isaac)


>> Letícia Araújo mostrou à plateia o Guia Políticas de Educação Integral e a nova ferramenta, Nosso Plano, que propicia a construção de uma proposta de Plano de Educação Integral em PDF. Petrópolis é um dos municípios que já possuem login e senha para acesso. Cada município pode ter apenas um login. O proposto é que o login, que é dado por um e-mail, seja compartilhado pela comissão de educação integral de cada município, a fim de que todos possam ter acesso à ferramenta.


>> Foi destacado por Alexandre Isaac, em resposta a uma pergunta encaminhada pela plateia, o princípio participativo da metodologia da Fundação Itaú Social e do Cenpec, a partir de experiências de municípios que iniciaram a discussão do Plano de Educação Integral mediante uma comissão técnica para, no segundo momento, levar a discussão à rede; e de municípios que preferiram iniciar a discussão pela própria rede.


“Nossa metodologia é participativa” (Alexandre Isaac)


>> A palestra também introduziu o tema do novo Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil e dos termos de fomento e colaboração, que deverão entrar em vigor em 2016.


Veja mais!

>> O Educação&Participação publicou uma cobertura com imagens no Flickr de eventos dos quatro dias, incluindo a palestra de Jaqueline Moll e a roda de conversa do Fórum Juvenil, realizados no dia 17. Confira!

>> [Atualização em 29/09/2015] Confira a reportagem sobre o II Congresso de Educação Integral de Petrópolis, que destaca os principais conceitos de educação integral abordados nos quatro dias de encontro.

 

Serviços

Início: 15/09/2015

Fim: 18/09/2015

Local: Petrópolis

Endereço: Petrópolis - RJ, Brasil

Tagscidade educadora, juventude, políticas, políticas de educação integral

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