Notícias - Thais Iervolino e João Marinho - Políticas de Educação Integral

Jovens contribuem para transformar Sobral (CE) em Cidade Educadora

“Todos os habitantes de uma cidade terão o direito de desfrutar, em condições de liberdade e igualdade, os meios e oportunidades de formação, entretenimento e desenvolvimento pessoal que ela lhes oferece.” Assim descreve o primeiro princípio da Carta das Cidades Educadoras, documento elaborado pela Associação Internacional de Cidades Educadoras, fundada em 1994 e da qual fazem parte 481 municípios de 209 países, de todos os continentes do mundo, que se comprometem, entre outras questões,  a destacar a importância da educação na cidade e, assim, a promover as ações educativas nas políticas públicas dos municípios associados.

Seguindo nesse caminho, o município de Sobral (CE) compromete-se a transformar seu território em um espaço educador, garantindo oportunidades educativas para além das escolas, de acordo com os princípios da Associação Internacional. Entende-se que as cidades dispõem de inúmeras possibilidades educadoras, podendo contribuir para a garantia de uma educação de qualidade, que promova o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens.

Para isso, o município conta com a participação dos jovens. “No ano passado, fizemos algumas escutas com diferentes segmentos da sociedade sobralense e com jovens do município e neste ano tivemos como primeira etapa de implementação das ações a formação de três eixos: articulação exclusiva com os secretários da gestão municipal; formação com técnicos e agentes de diferentes serviços e equipamentos da cidade, que contempla um total de seis encontros; e mobilização juvenil, que prevê articulações de grupos atuantes e participação de jovens de diferentes regiões, a fim de promover algumas discussões sobre Cidade Educadora e levantar possíveis leituras da cidade relacionadas a esse tema. Nesse primeiro momento, portanto, a ideia é trabalhar um pouco mais na perspectiva das políticas da juventude”, conta Thales Alves, educador e membro do Núcleo de Educação Integral do Cenpec.

“Acho muito importante nós, jovens, ocuparmos o espaço público. Aqui há vários locais realmente muito bonitos. É importante ocupar esses espaços, o que a cidade oferece. Ao ver a nossa beleza e contribuir com ela, passamos a fazer parte da história da nossa cidade também”, explica Vitória Germano, estudante do município. Veja o vídeo completo abaixo:

Entre as atividades com os jovens, há o trabalho com a cartografia. “Fizemos uma parceria com um coletivo de jovens da cidade, o Ocuparte, que tem alguns integrantes que já participavam da proposta desde o ano passado, e com a Coordenadoria de Juventude de Sobral, por meio da Estação Juventude – programa do governo federal que atua em parceria com o município. Esse processo está acontecendo através de encontros presenciais entre a equipe do Cenpec e um grupo de jovens mobilizado por esses parceiros e do acompanhamento do Coletivo Ocuparte nos períodos que intercalam esses encontros. O intuito é que os jovens vivenciem a cartografia na cidade e, dessa forma, apresentem algumas propostas em relação às políticas públicas na perspectiva da Cidade Educadora”, explica Thales.

Esse processo de construção faz parte da parceria do governo municipal de Sobral com a Assessoria às Políticas de Educação Integral, iniciativa da Fundação Itaú Social sob a coordenação técnica do Cenpec. “Desde o ano passado temos feito uma construção diferente dos municípios onde atuamos. Grande parte dos municípios trabalha na perspectiva da assessoria de implementação de um plano de educação integral. Em Sobral, nosso objetivo é pensar junto com o governo municipal e a sociedade civil como as ações e as políticas públicas podem se inspirar no conceito de Cidade Educadora”, explica Thales.

O intuito é contribuir para o desenvolvimento de Sobral, por meio da finalização e da implementação do plano Sobral Cidade Educadora: Produção de Subjetividades e Intersetorialidade das Políticas Públicas na Construção de uma Cidade Educadora, com a definição de objetivos, metas e indicadores.  “Temos dialogado com diversos segmentos da cidade, desde secretários da gestão municipal, lideranças de diferentes organizações da sociedade civil e profissionais do serviço público que são referências na articulação com a comunidade, com o intuito de desenvolver um conceito mais coletivo sobre a Cidade Educadora e entender como a comunidade vê essa proposta”, conta Thales.

“Enquanto técnica do município, vejo o quanto é importante pensar as políticas municipais para além das nossas caixinhas de cada secretaria, de cada coordenadoria. [A iniciativa] desperta a nós um caminho para construir uma Cidade Educadora que rompa os muros da escola, das secretarias, das instituições”, explica Fernanda Matias,  coordenadora da Estação Juventude do Residencial Nova Caiçara, espaço voltado para atividades formativas no município. Assista ao vídeo completo abaixo.

Cidades Educadoras

“Cidades Educadoras” começou como um movimento, em 1990, por ocasião do Primeiro Congresso Internacional de Cidades Educadoras, realizado em Barcelona. Um grupo de cidades representadas por seus governos locais levantou o objetivo comum de trabalhar juntos em projetos e atividades para melhorar a qualidade de vida dos habitantes, a partir de sua participação ativa no uso e no desenvolvimento da própria cidade e de acordo com a Carta das Cidades Educadoras. Mais tarde, em 1994, o movimento foi formalizado como o III Congresso da Associação Internacional de Bolonha.

Seguindo os princípios da Carta das Cidades Educadoras, seu objetivo é promover colaborações e ações concretas entre as cidades, participando e cooperando ativamente em projetos e intercâmbios de experiências com grupos e instituições com interesses comuns. Além disso, visa aprofundar o discurso de Cidades Educadoras influenciando governos e instituições na tomada de decisões sobre questões de interesse para Cidades Educadoras.

Os princípios das Cidades Educadoras são:

– Trabalhar a escola como espaço comunitário.

– Trabalhar a cidade como grande espaço educador.

– Aprender na cidade, com a cidade e com as pessoas.

– Valorizar o aprendizado vivencial.

– Priorizar a formação de valores.

Para saber mais, clique aqui

Tagscidade educadora, intersetorialidade, juventude, política municipal, política pública, Sobral

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Total de 2 comentário(s)

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