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Jovens da Cidade Tiradentes trazem projetos de cultura, meio ambiente e intervenção social ao centro de São Paulo

Feira de Projetos conclui o percurso formativo da 10ª edição do Programa Jovens Urbanos na capital paulista e apresenta os resultados de 16 projetos aos visitantes do Museu da Energia

Localizado no bairro dos Campos Elíseos, o Museu da Energia  foi inaugurado em 2005 em um palacete que pertenceu a Henrique Santos Dumont, irmão do aviador Alberto Santos Dumont, e dispõe, além da arquitetura histórica, de um amplo espaço aberto – que se tornou palco da Feira de Projetos da 10ª edição do Programa Jovens Urbanos em São Paulo, na última quinta-feira, dia 10 de dezembro.

“Fizemos essa parceria com o Museu, que tem um espaço muito aberto, com verde. A cada ano, fazemos a Feira em um espaço diferente da cidade. O motivo é que, durante o percurso formativo, há uma ação muito focada no território. Assim, quando pensamos na Feira, queremos trazer os jovens para uma região mais central, até para que outras pessoas, outros espaços, possam conhecer as ações que são feitas, no caso, na Cidade Tiradentes”, explica Ivy Moreira, do Programa Jovens Urbanos.

Durante a Feira, os jovens apresentaram seus 16 projetos ao público presente no Museu, das 14h às 17h. Além das exposições, com fotografias mostrando como foram as intervenções no distrito da Cidade Tiradentes, houve esquetes, apresentações musicais e experimentações, como pintura corporal e brincadeiras. Em uma delas, os visitantes eram vendados e convidados a adivinhar alimentos pelo tato e pelo cheiro. Em outra, houve até quem arriscasse um bambolê.

“A Feira de Projetos é o momento que chamamos de culminância: no final do percurso, os jovens têm a oportunidade de elaborar o projeto de intervenção e colocá-lo em prática. A Feira é o momento em que eles apresentam os resultados desse projeto, o momento em que eles trocam, conhecem os projetos uns dos outros e em que podem ser fomentadas pequenas parcerias. Por isso, trazemos pessoas que possam construir com eles outras possibilidades de continuidade, caso os jovens tenham interesse de manter sua ação, como os representantes do Programa VAI, da Prefeitura de São Paulo, que explicam o edital e como funciona todo o processo de inscrição. No entanto, a Feira é também uma grande festa, quando os jovens aproveitam para realizar apresentações culturais”, conta Ivy.

 

Laboratório de projetos

Em 2015, William Okubo, técnico de acompanhamento do VAI, foi o representante convidado a falar sobre a iniciativa aos participantes da 10ª edição dos Jovens Urbanos em São Paulo. Foi sua primeira vez em uma Feira de Projetos.

“Os jovens aqui têm muitos projetos ligados ao meio ambiente – e o meio ambiente ligado a várias linguagens artísticas, como grafite, hip-hop, fotografia. É o que chamamos de transdisciplinaridade. Há também transversalidade, como em um dos projetos que une brincadeira, circo e leitura. A criatividade deles está aflorando e é precisamente de projetos que estimulem isso que sentimos falta: a criatividade voltada não só à arte pela arte, mas à arte pelo meio ambiente, à arte pela família, à arte em prol do bairro, para mudar as coisas. É como se eu estivesse vendo pequenos VAIs embrionários”, comenta ele ao Educação&Participação.

O que é o VAI?

O Programa VAI (Valorização de Iniciativas Culturais) foi criado pela Lei nº 13.540/2003, de autoria do vereador Nabil Bonduki, e regulamentado pelo Decreto nº 43.823/2003. Sua finalidade é “apoiar financeiramente, por meio de subsídio, atividades artístico-culturais, principalmente de jovens de baixa renda e de regiões do Município desprovidas de recursos e equipamentos culturais”.

Segundo William Okubo, técnico de acompanhamento do Programa, o foco nas regiões periféricas tem razões geográficas, econômicas e sociais: “Através do VAI, diminuímos um pouco a diferença de acesso à cultura que existe na cidade, [mais difícil] aos jovens da periferia, com poucos recursos, e a crianças, adultos e idosos atendidos por eles. Nas periferias, mora mais de 60% da população e, além disso, não é fácil eles se deslocarem até o centro”.

Há duas modalidades do VAI, cujas inscrições para 2016 estarão abertas de 4 de janeiro a 3 de fevereiro. Mais informações: programavai.blogspot.com.br.

Para Okubo, a iniciativa do Programa Jovens Urbanos “é sensacional. De certa forma, já temos jovens formados, prontos, com experiência de como formatar as ideias, elaborar projetos e trabalhar em grupo, com o coletivo. Esse trabalho de coletivo é algo que o VAI preconiza muito, e eu vi aqui, nesta tarde”.

O técnico destaca também o interesse dos jovens: “Antes de eu falar, eles já estavam dizendo que querem participar. Houve uma apresentação de teatro e, assim que terminou, um dos integrantes disse: ‘a gente vai se inscrever no VAI e melhorar essa peça’. Já falei com cinco ou seis jovens que vieram tirar dúvidas e agora há pouco conversava com uma jovem de 16 anos interessada em trabalhar com fotografia. Eles estão estimulados”.

Para saber mais a respeito dos 16 Projetos Jovens da 10ª edição, confira a nossa cobertura sobre a Banca de Projetos realizada no dia 30 de outubro. Em janeiro de 2016, o Educação&Participação publicará especiais com todos os projetos, para que os usuários de nossa rede conheçam as produções feitas pelos jovens.

 

Feira de Projetos em imagens

Confira na galeria do Flickr algumas imagens da Feira de Projetos da 10ª edição do Jovens Urbanos em São Paulo:
Feira de Projetos - 10ª edição SP

TagsCidade Tiradentes, educação integral, jovens, juventude, mobilizacao, território

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