Entrevistas - João Marinho - Jovens Urbanos

Como você vive a sua quebrada: jovens destacam necessidade de espaços de escuta e protagonismo juvenil

“Juventude: como você vive a sua quebrada” foi uma iniciativa da Associação Jovens do Brasil, do Projeto Cultural Educacional Novo Pantanal (Procedu) e da Fundação Tide Setubal, que integram o grupo de organizações da 12ª edição do Programa Jovens Urbanos em São Paulo, no distrito de São Miguel Paulista. A roda contou com apoio do Cenpec e da Fundação Itaú Social.

Roda de conversa realizada em 29/7 pelo Programa Jovens Urbanos contou com a cobertura da plataforma Educação&Participação. Em entrevista, jovens falam sobre educação, família, cultura, protagonismo, segurança pública e sobre a realidade da periferia. Clique para ampliar.

Cultura, escola, política, identidade e segurança são temas que fazem parte das preocupações dos jovens paulistanos – e foram discutidos na roda de conversa Juventude: como você vive a sua quebrada”, realizada no distrito de São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo, no último dia 29 de julho.

Juventude e política

Com a participação de cerca de 40 pessoas que se reuniram no Galpão de Cultura e Cidadania, espaço desenvolvido pela Fundação Tide Setubal em 2005 no bairro de Jardim Lapenna, em São Miguel Paulista, o evento foi uma oportunidade para socialização e troca de experiências entre jovens de 15 a 29 anos residentes em diferentes bairros e distritos de São Paulo, e que contou com discussões em grupo, oficinas de arte, escrita e vídeo e até com uma peça de teatro.

Música, diversidade e harmonia marcaram o início do evento. Os participantes se apresentaram em roda e contaram os ritmos e gêneros musicais de sua preferência, em um “menu” que foi do rock ao samba e passou por música armênia e citações a artistas africanos, como M’bilia Bel.

Na sequência, Fernanda Andrade, do Programa Jovens Urbanos, fez um histórico do envolvimento da juventude na política brasileira e apresentou a proposta do programa. Os participantes puderam conhecer fatos históricos sobre o protagonismo juvenil desde o século XVI, quando jovens do Rio de Janeiro ajudaram a impedir invasões holandesas, até o surgimento dos black blocs nos anos 2000, passando pelas décadas de 1960 e 1980, com a luta contra a ditadura e o movimento Diretas Já, e por movimentos culturais, como a tropicália e o hip-hop. Também foram destacados marcos políticos, como a criação da Secretaria Nacional de Juventude e da Política Nacional de Juventude, em 2005, e o Estatuto da Juventude, em 2013. “Estamos em um momento histórico em que, em números absolutos, temos o maior número de jovens da história […], e o Programa Jovens Urbanos é um espaço de construir junto, pois, muitas vezes, nós nos esquecemos de que também temos história”, comentou Fernanda.

Participaram do encontro Mauricélia Martins, coordenadora Técnica das ações do Programa em São Miguel e técnica do PROCEDU; Renato Santos e Mariana Pitta, ambos educadores do Programa na PROCEDU; Guiné e Izabel Brunsizian, da Fundação Tide Setubal.

O que dizem os jovens da quebrada

Os jovens Iris Guimarães, participante da 11ª edição do Programa Jovens Urbanos em Cidade Tiradentes (São Paulo – SP) e agente comunitária de cultura; Bianca Guedes, universitária e membro da União da Juventude Socialista (UJS); e Barbara Pontes e Ygor Santos, membros do Levante Popular da Juventude, foram os convidados especiais para a realização da roda de conversa propriamente dita com os jovens de São Miguel Paulista.

“De que quebrada você é? […] O termo ‘quebrada’ é utilizado para referir-se aos bairros da periferia […], tanto por pixadores¹ como por outros jovens, principalmente os ligados ao hip-hop. Essa denominação tornou-se, aliás, bastante popular e difundida entre os moradores de bairros da periferia de São Paulo de uma maneira geral.” 

PEREIRA, Alexandre Barbosa. Os riscos da juventude. Revista Brasileira Adolescência e Conflitualidade, Londrina, n. 3, p. 36-50, 2010.

Em duas partes – uma em que contaram suas experiências e outra em que responderam a dúvidas dos participantes que haviam se dividido em grupos –, o quarteto falou sobre a importância de articular cultura e educação, criticou o congelamento de verbas para a cultura na administração municipal de São Paulo e o fechamento de escolas, ressaltou a importância do diálogo com a família e a necessidade de os jovens serem ouvidos na formulação de políticas públicas e fez comentários críticos sobre a política nacional, com apoio a eleições diretas, e também sobre as ações de segurança pública, que, de acordo com os convidados, penalizam sobretudo os jovens de periferia – o polêmico caso de Rafael Braga foi citado como um dos exemplos.

O evento prosseguiu com oficinas de arte, escrita e vídeo, em que todos os participantes manifestaram suas opiniões sobre as perguntas: “Como você vive a sua quebrada?”; “Como você vê a participação da juventude na sociedade?”; e “Quais estratégias as juventudes utilizam para se mobilizar?”. Houve ainda a apresentação de uma peça de teatro e um momento em que os jovens puseram suas produções em bexigas preenchidas com hélio, que foram soltas no ar como mensagens para o bairro.

Iris, Bianca, Barbara e Ygor (da esquerda para a direita na foto acima, em destaque) também concederam entrevistas à plataforma Educação&Participação, em que falaram sobre educação, família, cultura, protagonismo juvenil e sobre a necessidade de construir espaços de escuta e fala para os jovens, em especial os de periferia. É o que você poderá conferir nos áudios a seguir.

 

Bianca Guedes: “Dentro da escola, temos um problema muito grande de opressão da voz dos estudantes. Se a educação tivesse abertura para o jovem e sua família, teríamos uma educação muito mais emancipadora”.

 

Iris Guimarães: “Dentro do espaço da cultura é onde o jovem não é reprimido, é o lugar onde ele pode se expressar. É superimportante que ele participe, porque ali ajudamos a criar seu senso crítico”.

 

Barbara Pontes e Ygor Santos: “O jovem da periferia não é um problema. É um jovem com uma capacidade criativa muito grande que não encontra seu lugar na sociedade. O jovem da periferia necessita ter voz”.

 

Roda de conversa em imagens

Veja as imagens do evento. Clique para ampliar.

 


¹ O autor deliberadamente utiliza a grafia “pixação”, e não “pichação”, conforme consta nos dicionários.
Tagsarte e cultura, articulação, cultura, cultura popular, educação integral, escola pública, jovem, jovens, Jovens Urbanos, juventude, mobilização social, música popular, participação, políticas públicas, protagonismo juvenil

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