Jovens Urbanos experimenta novo formato

A 8ª edição do programa Jovens Urbanos, realizada em 2013 com 480 jovens residentes nos distritos de Capão Redondo e Brasilândia, zona sul de São Paulo, experimentou um novo formato. Por meio da parceria com a ONG Comunidade Cidadã, a escola estadual Professor João Silva ficou responsável pela formação de duas turmas do programa, sediando as oficinas formativas no período do contraturno escolar.

A aproximação do programa com a escola pública é uma inovação que vem se consolidando desde 2012. Ainda em sistematização, a experiência tem mostrado impactos relevantes. No início da 8ª edição, por exemplo, os jovens não acreditavam que era possível dialogar com a gestão escolar e levar adiante suas propostas para a escola. “No final, quatro dos cinco projetos apresentados pelos jovens no programa consideraram a escola o foco dos trabalhos”, comenta Lilian Kelian, do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), instituição responsável pela coordenação técnica do Jovens Urbanos.

Uma nova identidade visual para a escola e um novo espaço para o laboratório de ciências: estas foram algumas das intervenções realizadas pelos jovens durante o programa. Para Thamires Oliveira da Silva, aluna do 2º ano do Ensino Médio, o programa ajudou na construção de um diálogo com a gestão da Professor João Silva. “O laboratório de ciências servia como depósito, as carteiras quebradas seriam jogadas fora. E para mudar isso precisávamos de apoio ao projeto. Conseguimos e percebemos que os alunos podem sim ajudar a gestão da sua escola, serem mais próximos e terem uma relação amigável”, conta.

Durante a 8ª edição do programa, foram realizados também espaços de formação para professores e o corpo diretivo da escola. Foram dois encontros durante o horário de planejamento escolar, um para apresentar a metodologia e, depois, avaliar a participação dos jovens no programa. Foi realizada também uma palestra sobre sexualidade na juventude, tema proposto pelos próprios profissionais da escola.

O clima de participação e empreendedorismo que o Jovens Urbanos promoveu na escola também foi importante para estimular maior envolvimento dos estudantes com oportunidades oferecidas por instituições parceiras. Durante a 8ª edição, foi realizada uma oficina em parceria com o Instituto Paulo Montenegro, organização sem fins lucrativos vinculada ao IBOPE. Os jovens tiveram acesso às metodologias de pesquisa, as quais os auxiliaram a conhecer mais a fundo a realidade local e a desenvolver seus projetos.

Outra oportunidade reconheceu o protagonismo dos jovens da Professor João Silva. Os alunos foram convidados a participar do Festival Educação, promovido pelo Centro Ruth Cardoso, que visa dar voz a estudantes e mobilizá-los para solucionar problemas da sua comunidade. Junto com estudantes do colégio particular Bandeirantes, desenvolveram uma ideia chamada “Integra Escola”, que buscará o intercâmbio entre estudantes das redes pública e privada, por meio de espaços de interação virtuais e físicos. A proposta conquistou o primeiro lugar no festival e, agora, os jovens se preparam para executar o projeto.

Jovens Urbanos

O programa Jovens Urbanos oferece atividades de formação para jovens que moram em bairros periféricos da capital paulista. Busca ampliar o repertório sociocultural dos participantes na perspectiva da educação integral. A iniciativa é realizada em parceria com ONGs, em diversos espaços de aprendizagem nas comunidades, com ações pontuais em escolas.

Em 2013, as atividades da 8ª edição do Jovens Urbanos em São Paulo beneficiou 480 jovens, de 15 a 20 anos de idade, residentes nos distritos de Capão Redondo e Brasilândia. A produção artística realizada pelos participantes foi exposta em mostras no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, e em uma feira de projetos no Centro Universitário Maria Antonia.

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