Jovens Urbanos têm voz na gestão do Programa

Instância existe desde a 1ª edição e prevê a colaboração dos diferentes atores envolvidos, incluindo jovens participantes do Programa

Dar voz a jovens moradores de áreas vulneráveis das metrópoles constitui-se não só como uma das estratégias de formação, mas também de gestão do Programa Jovens Urbanos. Ao lado de educadores, assessores, gestores de organizações locais, parceiros e técnicos da equipe do Cenpec e da Fundação Itaú Social, jovens participantes do Programa puderam opinar, discutir e dar sugestões sobre a 9ª edição, iniciada em março deste ano. O encontro, denominado “Conselho de acompanhamento”, é uma das instâncias de governança do Programa, ocorrendo no mínimo duas vezes a cada edição, e seus integrantes se alternam de modo que contemple o maior número de atores e instituições envolvidos.

“Esse é um momento especial do Programa, pelo seu objetivo e pela forma como é composto. É um espaço de troca, de diálogo, em que cada um pode trazer a sua contribuição”, destacou a superintendente da Fundação Itaú Social, Isabel Santana, no início do encontro.

Atratividade do Programa

Um dos pontos colocados em debate no início da reunião foi como atrair jovens para o Programa e que questões influenciam a decisão de aderir ou não à iniciativa. Para Laricia Souza, 15 anos, moradora do Capão Redondo, “muitos jovens já têm outros deveres”, como cursos, trabalho e tarefas domésticas, e não têm a anuência dos pais para participar.

A compreensão dos pais sobre o que é o Programa Jovens Urbanos foi apontada como um aspecto decisivo para a inscrição dos jovens. “A gente percebe que há uma adesão maior ao Programa nas organizações que mantêm vínculos com as famílias, porque elas têm a possibilidade de conversar com os pais, reforçar os aspectos positivos do Programa e tirar dúvidas”, observou Dimas Reis, articulador local na Brasilândia.

A complexidade da metodologia proposta pelo Programa também foi mencionada como um elemento que dificulta a sua divulgação. Para o coordenador de articulação e promoção das Fábricas de Cultura, vinculadas à Poiesis, Thiago Saraiva, o programa deve apostar em depoimentos de ex-participantes, gerando identificação entre os jovens. Ele lembrou que diversos estudos mostram que a adesão à cultura geralmente se dá por influência de parentes e conhecidos próximos.

Para Sérgio Cubani, gestor da ONG Larzinho, uma das instituições executoras do Programa na Brasilândia, “as experimentações são muito positivas, no sentido de que atraem muitos jovens”. Para ele, “esse lado cultural [do Jovens Urbanos] desperta muito interesse”.

A parceria do Programa com a Escola Estadual João Silva, no Capão Redondo, foi apontada como outro elemento positivo. Desde a 8ª edição, os encontros do Jovens Urbanos na região são realizados dentro da escola, o que confere ao Programa uma certa legitimidade. “A escola é um espaço naturalizado dentro da comunidade, entre as famílias”, analisou Thiago Saraiva.

Na avaliação da assessora Midiã Claudio, embora o Programa não seja de cunho profissionalizante, é importante destacar seu caráter formativo nas ações de divulgação, já que essa é uma expectativa por parte da família. “Meus pais perguntam se eu estou aprendendo. Eu digo que sim. Daí eles falam para eu continuar”, relata Laricia.
Mudanças e permanências
Na avaliação do coordenador do Programa no Cenpec, Wagner Santos, os dados apresentados e as discussões do encontro mostram uma mudança significativa no perfil dos jovens participantes. “Hoje a maioria tem acesso à internet e planeja dar continuidade aos estudos. Ou seja, estão mais conectados e propensos à ampliação de conhecimento. Isso exige uma constante atualização do Programa e um diálogo maior com as questões do mundo do trabalho”, acredita.
Santos também destaca a contribuição do coordenador de Juventude do município, Gabriel Medina, presente à reunião. Medina anunciou a divulgação até outubro do Mapa da Juventude de São Paulo, que, entre outras informações, apresentará as vocações econômicas e tendências de mercado de trabalho por região. “Os dados, além de orientar as políticas de juventude na cidade, também subsidiarão a equipe do Programa com informações mais precisas sobre as demandas e características dos territórios de atuação”, analisa Santos.
A superintendente da Fundação ressaltou que, embora venha sofrendo modificações ao longo das edições, o Programa sempre manteve como foco a ampliação de repertório sociocultural – proposta que ainda atende às demandas da juventude que reside em áreas urbanas periféricas. “Quando ouço o depoimento de jovens relatando terem tido a oportunidade de conhecer o Centro da cidade com o Programa, vejo o quanto ele se mantém atual”, observou Isabel. “E a proposta sempre foi esta: a de contribuir para dar consistência às escolhas profissionais desses jovens”, complementou.Fonte: Cenpec

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