Juventude e cinema: diálogo para solucionar conflitos da sociedade

Debater temas relevantes para a juventude brasileira por meio do cinema. Esse foi o objetivo do encontro entre os educadores do Programa Jovens Urbanos e Petra Costa, diretora do filme “Elena”, que aconteceu no Centro Ruth Cardoso, em São Paulo.

Ora silêncio, ora melodias que esboçam uma música. O ambiente é sombrio. Onde estamos? – Em algum lugar do Brasil; porém não em qualquer época. Trata-se da Ditadura Militar (1964 – 1985), período caracterizado por intensa repressão àqueles que eram contra o governo militar: militantes de esquerda, imprensa alternativa, movimentos artísticos; ou seja, as vozes dissonantes que incomodavam o Estado.

Nesse cenário, vive a família Costa. Marido e esposa são militantes de esquerda e lutam contra o regime, a falta de liberdade e, por isso, são obrigados a esconder seus rostos, seus desejos e vontades. O clima é tenso e sufocante. Além disso, é preciso proteger as duas filhas, Elena e Petra.

É nesse contexto que o documentário “Elena” começa a traçar a trajetória de duas mulheres: Elena, a irmã mais velha que, aos 20 anos, decide ir para Nova York para ser atriz e Petra, a caçula e diretora do documentário, que, por causa da viagem da irmã, vê-se obrigada a lidar com essa separação aos sete anos e, mais velha, vai a Nova York, percorre os mesmos caminhos de Elena e faz inúmeras descobertas. Apenas um fato já era conhecido antes da realização do filme: o suicídio da irmã Elena.

“Elena”, documentário lançado em 2012, foi exibido no Centro Ruth Cardoso, no dia 1 de julho aos educadores do Programa Jovens Urbanos, e suas temáticas foram debatidas com Petra Costa, diretora e roteirista, após sua exibição.

Família, suicídio, dor, perda, saudade, foram alguns dos temas debatidos.  De acordo com Petra, o filme é uma tentativa de resgatar a memória da irmã e, ao mesmo tempo, não deixar que a vida de Elena terminasse em absoluto esquecimento.

“Petra, o seu filme traz esperança aos jovens?”, questionou um dos educadores presentes ao evento. Ela respondeu: “Sim, apesar de o filme tratar de um tema delicado [o suicídio], ele inspira as pessoas a buscarem outros significados para a vida; ou seja por mais que uma pessoa esteja passando por problemas, como depressão, por exemplo, a vida vale à pena, existem outras possibilidades. Por meio da dor, podemos criar arte, inspirar outras pessoas”.

Para a diretora, a temática do suicídio é pouco discutida na sociedade. “É um tabu discutir suicídio na sociedade brasileira ou em qualquer outra do mundo. Mas a sociedade tem que perceber que o suicídio é uma epidemia silenciosa. E se o tema não for discutido, não poderemos resolver esse conflito. Apenas discutir o assunto na família não resolve o problema. A sociedade tem que participar dessa discussão, por meio da educação, da mídia, da cultura e de outros meios”.


Um pouco da história

Elena nasceu em 1969, um ano após o Ato Institucional n°5 (AI-5), a mais dura das medidas repressivas do governo militar brasileiro. Num ambiente ainda mais repressor e agressivo, Elena cresce e acompanha a luta dos pais contra o regime militar.

A década de 1970 foi intensa. Talvez, uma das épocas mais agitadas e contundentes na história da nossa política, mas, principalmente, no âmbito artístico. Festivais musicais, peças teatrais, entre outras manifestações, envolviam os jovens da época. Desse modo, a sensibilidade de Elena foi influenciada por esse ambiente. Foi assim que escolheu ser atriz. A arte foi uma válvula de escape para a irmã primogênita. Para seus pais, a vida se resumia em democracia ou morte. Para Elena, era arte ou morte.


Falando abertamente sobre o suicídio

Apesar de o suicídio ser considerado um problema de saúde pública pelo Ministério da Saúde – tirando a vida de uma pessoa por hora no Brasil – o tema ainda é tabu. Para entender melhor o tema, o Centro de Valorização da Vida (CVV) lançou, por meio dos Programas de Prevenção do Suicídio e Saúde Mental, um folheto sobre prevenção do suicídio para jovens e adolescentes. Faça aqui o download da publicação.
15 filhos

Um ponto de vista distinto sobre a ditadura militar no Brasil: o olhar dos filhos de militantes presos. É o que retrata o filme “15 filhos”. Através de depoimentos diretos e sensíveis, Maria de Oliveira e Marta Nehring contam a história do período político mais triste do país – uma história que muita gente não viu e ignora existir até hoje.

No documentário de 19 minutos, as diretoras recuperam a memória de jovens que tiveram suas infâncias marcadas pela violência.

 

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