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Maria Alice Setubal lança livro sobre educação e sustentabilidade

Como dar conta de questões da sociedade contemporânea que são cada vez mais complexas em um cenário em que prevalece uma visão superficial, pasteurizada e uniformizadora das ideias? Como trabalhar valores duradouros em uma perspectiva de preservação do planeta para as futuras gerações quando os valores enfatizados hoje destacam o consumismo, o presenteísmo e a instantaneidade de tudo?

Esses e outros questionamentos são trabalhados no livro Educação e sustentabilidade: princípios e valores para a formação de educadores, de Maria Alice Setubal, socióloga, educadora e presidente do Conselho de Administração do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária  (Cenpec). O livro será lançado no próximo dia 17 de junho, a partir das 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo (SP). Essa obra nasceu de um projeto coordenado pelo Cenpec, o Educar na Cidade, que aborda valores e princípios pensados para a educação no século XXI: sustentabilidade; equidade; diversidade cultural e educação para a paz; participação e cidadania; e novas formas de ensinar e aprender.

Esses princípios, por sua vez, dialogam e se articulam com o conceito de educação integral na medida em que propõem uma visão da criança, do adolescente ou jovem como membro de uma comunidade e o seu pleno desenvolvimento dentro dos conceitos de integralidade, transversalidade e intersetorialidade, culminando no exercício da cidadania. “Quando você para de olhar para a criança ou para o jovem como o aluno na escola, o paciente no posto de saúde, o educando para a organização local, o filho da ‘família problema’, e a vê como a criança ou o jovem daquela comunidade, cada um pode contribuir de forma transversal para a formação desse sujeito. Quando isso é feito em parceria, com base em valores compartilhados e que estimulam o respeito à diversidade, o estímulo à participação, o exercício da cidadania a partir desse local, contribui para a sustentabilidade, que será colocada em prática na vida social, em qualquer lugar onde esse jovem estiver. Acreditamos que a educação integral não se reduz à ampliação da jornada, mas a uma concepção de integralidade das crianças e dos jovens em seus aspectos físicos, cognitivos, emocionais e culturais”, diz Maria Alice.

Educação para a autonomia

A seção “Práticas educativas”, do capítulo “Como formar cidadãos do século XXI”, traz o Programa Jovens Urbanos entre os destaques. O Programa busca promover, na perspectiva da educação integral, a ampliação do repertório sociocultural de jovens que vivem em territórios urbanos vulneráveis, contribuindo para seu desenvolvimento pleno e para o fortalecimento de sua autonomia. “Por meio de oficinas e encontros, investimos no aperfeiçoamento de capacidades que expandam a autonomia dos jovens na construção de sua própria história, no aperfeiçoamento das instituições do território, em sua inserção laboral e na sua participação na vida pública”, diz Wagner Santos, citado no capítulo.

Territórios e desafios

Para a educadora, o Brasil ainda tem muito a avançar nesse sentido: “Os desafios da sociedade brasileira são enormes, pois trata-se de superar os problemas apontados no Plano Nacional de Educação (PNE), alcançando suas metas ao mesmo tempo que repensamos um modelo de escola e de currículo que faça sentido na contemporaneidade. Levando-se em conta os anseios da atualidade relativos a maior autonomia, liberdade, radicalização da democracia e uma vida direcionada para o bem-estar, ganha muito sentido o conceito de sustentabilidade como eixo articulador dessas diferentes dimensões e do movimento entre as condições do tempo presente com uma proposta de futuro sustentável. O eixo da sustentabilidade nos traz referências importantes ao desvelar a interdependência visceral entre as pessoas e entre elas e o meio ambiente a partir da necessidade de um olhar sistêmico e um pensamento complexo”.

A sustentabilidade, para Maria Alice Setubal, propõe um modelo e uma concepção que se fundamenta na cooperação, em vez da competição. Nessa perspectiva, a escola, segundo a socióloga, pode assumir o papel de centro irradiador que possibilite formar conexões e articulações de espaços e tempos educativos nos territórios e nas cidades como um todo, contribuindo para a ampliação da aprendizagem e a construção colaborativa do conhecimento.

Território na educação integral

O território é um espaço vivo e complexo, e os alunos circulam por ele. Se pensarmos no território como um espaço de educar e de aprender, todos podem desenvolver sentidos para aprendizagens. Se esse encontro de saberes for compartilhado, assim como acontece nas redes sociais, onde as informações circulam, são debatidas e ressignificadas para resolver problemas e construir conhecimento, é possível desenvolver as pessoas em diferentes áreas da vida, inserindo questões da sua realidade e estimulando autoria, a criação e a responsabilidade. (Maria Alice Setubal)

> Confira a reportagem especial do Educação&Participação sobre potencialidades e desafios do território na efetivação da educação integral

Educação e sustentabilidade: princípios e valores para a formação de educadores traz um material compilado a partir de diálogos e entrevistas travados com diferentes atores no decurso do Educar na Cidade. “No desenvolvimento do projeto,  queríamos conversar com diferentes pessoas e organizações, tanto aquelas que possuem uma reflexão sobre esse tema como aquelas que estão na ponta, atuando no território. A partir de todo o material compilado, organizamos uma publicação que expressasse a multiplicidade de vozes que fazem parte do mundo contemporâneo e atuam na educação formal e não formal, uma vez que consideramos que essas  fronteiras hoje são muito porosas. Assim, conversamos diversos atores, desde governos e fundações empresariais até ONGs e movimentos sociais, como pastorais e universidades”, conta Maria Alice.

> Confira nossa reportagem sobre os desafios da educação integral para os Planos de Educação em 2015

> Confira a entrevista com Kezia Alves, integrante do Fórum Municipal de Educação de São Paulo, sobre a importância da participação social na educação e, especificamente, na construção dos Planos de Educação

 

Serviço

O quê: lançamento do livro Educação e sustentabilidade: princípios e valores para a formação de educadores

Quando: 17 de junho, a partir das 19h

Onde: Livraria Cultura – Conjunto Nacional: Av. Paulista, 2.073 – São Paulo (SP)

Tagsarticulação. parceria, educação integral, PNE, território

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Total de 2 comentário(s)

  •    Márcia  em 
         Educação&Participação respondeu em 
  •    EVERALDO COSTA SANTANA  em