Notícias - João Marinho - Políticas de Educação Integral

8 pontos que não podem faltar no debate sobre currículo e educação integral

“Educação integral não é uma modalidade, mas um conceito. É um novo conceito e uma nova abordagem curricular. Entramos no século XXI na perspectiva de uma nova abordagem curricular, dentro dessa instituição secular de tradição jesuítica que é a escola.” (Lucia Couto, pedagoga e ex-secretária de Educação de Diadema/SP e Embu das Artes/SP)

Não tem escapatória: no momento em que se define uma Base Nacional Comum, o tema “currículo” voltou com força a todas as discussões de quem pensa e trabalha com educação. Como pensar o currículo sob uma perspectiva de desenvolvimento de crianças, adolescentes e jovens? O que, afinal, não pode faltar numa discussão sobre educação integral e currículo?

Debate Virtual – No dia 3 de maio, especialistas da área fizeram um debate virtual sobre o tema, transmitido ao vivo pela plataforma Educação&Participação, e abordaram essas e outras questões. Saiba mais, aqui.

Para aquecer a discussão, a plataforma Educação&Participação selecionou depoimentos de especialistas e educadores e elencou oito pontos fundamentais para construir e implementar um currículo com base na perspectiva da educação integral. Confira:

1. Integrar diferentes áreas do conhecimento
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“A educação integral pressupõe uma ampliação de repertório e o reconhecimento dos diferentes saberes presentes na escola, na família, na comunidade, que são fundamentais para o desenvolvimento de crianças, adolescentes e jovens, tornando-se um eixo fundamental na ampliação de estratégias e oportunidades para eles.” (Patricia Mota Guedes, gerente de Educação da Itaú Social)


2.  Problematizar a hierarquização das disciplinas
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“Muitas vezes, o coordenador se retrai diante da discussão do conhecimento e, no entanto, essa discussão tem que ser feita […]. Uma grande dificuldade na gestão do currículo na escola está ligada às relações de poder entre os professores e entre as disciplinas.” (Cláudia Valentina Assumpção Galian, docente da Faculdade de Educação da USP)


3. Trabalhar em espaços de planejamento conjunto, com estímulo à formação dos professoresespacodeplanejamento750x300

“A qualidade da educação está intrinsecamente relacionada a ouvir, escutar e considerar, de forma bastante respeitosa, aqueles que implementam a política, ou seja, quem está ‘na ponta’, e os beneficiários dessa política pública.” (Solange Feitoza Reis, especialista em gestão e avaliação de projetos e integrante do Núcleo de Educação Integral do Cenpec)


4. Considerar o contexto da comunidade
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“O papel da escola não deve ser o de apenas ensinar a ler, escrever e fazer contas. É preciso ter uma visão mais ampla da educação, e aí entra a questão da educação integral, no sentido de ver o aluno como uma pessoa inserida em todo um contexto social.” (Elaine dos Santos Pereira, coordenadora pedagógica da Escola Municipal Santa Anastácia, em Abaetetuba/PA, um dos vencedores nacionais da 9ª edição do Prêmio Itaú-Unicef)


5. E envolver os diferentes atoresenvolvimentodosatoresdacomunidade750x300

“A escola ainda está muito fechada naquela concepção curricular tradicional […]. A nossa atuação busca contribuir para que a escola e a comunidade se repensem, se renovem, por isso trabalhamos sob a perspectiva de construção de uma rede, porque os problemas não vão ser solucionados com a ação de um ator ou de outro isoladamente.” (Raimundo Melo, coordenador estadual da Rede Potiguar de Televisão Educativa – RPTV, projeto resultado da parceria entre o Centro de Documentação e Comunicação Popular – Cecop e escolas públicas de Currais Novos/RN, vencedor nacional na categoria microporte da 10ª edição do Prêmio Itaú-Unicef)


6. Prover a participação contínua dos alunosparticipacaocontinuadosalunos750x300

A participação contínua de estudantes nas tomadas de decisões da escola e de políticas educacionais é fundamental para uma educação democrática e de qualidade. “Se, na educação integral, defendemos que o indivíduo desenvolva todas as suas potencialidades, isso inclui sua liberdade e suas escolhas – e a capacidade que ele tem de lidar com o que ele escolhe e com as suas consequências.” (Norma Sueli de Souza Carvalho, supervisora da organização Lar Fabiano de Cristo, em Belém/PA, vencedora na categoria grande porte da regional Belém na 11ª edição do Prêmio Itaú-Unicef)


7. Reconhecer o potencial educativo do territórioPotencialeducativodoterritorio750x300

“É preciso derrubar os muros da escola. É sair com o grupo de professores para mapear o território – a igreja, o campo de futebol, o terreiro de candomblé – e ver que potenciais existem ali.” (Maria do Pilar Lacerda, ex-secretária de Educação Básica do Ministério da Educação – MEC e diretora da Fundação SM)


8. Ampliar e qualificar o tempoAmpliacao-do-tempo-750x300

“Educação integral é ampliar tempos, espaços e sujeitos. Não é só ampliar o tempo: a questão fundamental é o que se faz com ele, qual a proposta pedagógica desenvolvida nesse tempo a mais.” (Alexandre Isaac, coordenador do Núcleo de Educação Integral do Cenpec)

Tagscomunidade, currículo, disciplinas, educação integral, participação, planejamento, território

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Total de 6 comentário(s)

  •    elizenir  em 
         Educação&Participação respondeu em 
  •    CARLIENE  em 
  •    Maria Aparecida Martins  em 
  •    Isabel Maria Magalhães Freitas  em 
  •    Rachel Bittencourt Nolasco  em 
  •    Raimundo N. do Rosário  em