Notícias - Daniele Próspero - Jovens Urbanos

Participantes do Programa Jovens Urbanos trazem novas percepções sobre a vida pública e sua participação na sociedade

A cidade – com toda a sua diversidade e adversidades, seja no campo social, político ou econômico – a ser explorada e vivenciada de forma cada vez mais intensa. E, mais do que isso, com a possibilidade de todos dizerem o que querem, o que pensam e colocarem em prática suas ideias e opiniões, visando a uma transformação desses espaços. Essa é a proposta de uma juventude que hoje olha de uma nova maneira para a vida pública.

Muito desse novo caminhar é resultado de um processo de muito diálogo, debates e vivência no território e das questões que despontam atualmente no país, incentivado pelas atividades do Programa Jovens Urbanos.

“Eu mudei totalmente o meu modo de pensar. Hoje, não olho só para mim, mas para o outro. Penso no coletivo”, conta a jovem Isabel Vitória da Silva de Melo, de 15 anos, participante do curso de teatro do Instituto Pombas Urbanas e do Jovens Urbanos durante o ano de 2016, em Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo.

“Discutimos muito sobre política, homofobia, religião. Antes eu não sabia nada sobre isso e hoje tenho argumentos para debater a respeito e poder me colocar também, pois adquiri pensamento crítico. Eu acho muito importante o jovem entender sobre isso para poder viver em sociedade”, ressalta Isabel destacando também sua participação como militante política na União da Juventude Socialista.

O jovem Leonardo Souza Silva, de 18 anos, lembra que antes achava que política era algo só para ser discutido em Brasília, bem longe do cotidiano. Porém, agora, com base nas discussões realizadas sobre os acontecimentos do Brasil e na realidade dos jovens na cidade, percebe que a história é bem diferente: “A gente faz política todo dia, o tempo todo”, opina.

Ampliação de mundo

O fazer para esses jovens passa também pela apropriação do espaço público. Conhecer o território é ponto de partida para que novas ações possam acontecer.

“Há dez anos, Cidade Tiradentes não tinha quase nada. E, hoje, temos tudo isso. Poder conhecer de verdade faz com que a gente valorize mais”, acredita a jovem Micaele Silva, de 17 anos.

Leonardo conta que, antes de participar do Jovens Urbanos, não valorizava os locais gratuitos do bairro. “Nunca tinha ido, por exemplo, ao parque da Consciência Negra, que é um espaço incrível aqui de Cidade Tiradentes. Eu até sabia que existia, mas não tinha interesse. Há um senso comum de que, só porque é de graça, não vale a pena. É uma coisa imposta e que temos que desconstruir todo dia. Esse espaço é nosso e precisamos nos apropriar dele”, acredita.

Explorar a Cidade Tiradentes e o município foi ainda mais importante para a jovem Luana Guinantes, tendo em vista que se mudou recentemente da Bahia para São Paulo para poder realizar o sonho de ser atriz. Ela lembra que, nas atividades do programa, cada dia era uma surpresa e foi uma ótima oportunidade para conhecer novos ambientes, pessoas e diversos projetos culturais, sendo fundamental para sua futura carreira.

Luana destaca, inclusive, a ampliação das oportunidades a respeito do próprio mundo do trabalho, já que, ao escrever e implementar o projeto do começo ao fim, junto com os demais jovens no território, percebeu que há outras possibilidades de atuação no teatro que vão além de atuar. “Eu estou  muito realizada com tudo o que vivi”, se anima.

TagsJovens Urbanos, juventude, participação, política, território

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