Notícias - PRISCILA PACHECO - Jovens Urbanos

Participantes do Jovens Urbanos apresentam dança sobre genocídio negro

A atração é parte do projeto que os jovens estão desenvolvendo para apresentar no dia 1º de dezembro

“Adolescente não gosta de formalidade, de palestra. A gente gosta de trabalhar com a nossa linguagem, mas uma linguagem que todo mundo possa entender”, comentou Paulo dos Santos, após apresentar o trecho de uma coreografia na qual o tema é o genocídio da juventude negra. A dança foi a abertura da roda de conversa sobre o mesmo tema, que integrou a programação do Festival do Livro e da Literatura de São Miguel, promovido pela Fundação Tide Setubal nos dias 8, 9 e 10 de novembro. A mesa contou com a participação de Adriano de Souza, professor e coordenador na UNEafro, e Cristiane Ribeiro, psicóloga. A mediação foi responsabilidade de Luzia Souza, professora de história em escolas públicas da região e militante do movimento negro.

Membro da roda de conversa, a psicóloga mineira Cristiane Ribeiro conta um pouco da sua trajetória pessoal, de militância e estudo sobre raça.

Paulo tem 16 anos e vive no Jardim Lapenna, bairro do distrito de São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo. Ele e outros jovens da mesma faixa etária fazem parte da 12ª edição do Programa Jovens Urbanos, uma iniciativa da Fundação Itaú Social com coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). Durante o ano, os jovens participam de diversas atividades que integram o percurso formativo do Programa. A coreografia criada pelo Dancetude, grupo do qual Paulo participa, é uma ação do módulo Projeto e passou pela banca avaliadora, realizada em outubro.

A ideia de falar sobre genocídio por meio da dança surgiu para que a discussão atraísse o público e desse leveza para o tema. “Discutir isso com a arte acho que é bom, porque as pessoas entendem”, disse Paulo, que ainda ressaltou a importância de os jovens serem engajados e discutirem o assunto. “A gente quer que na periferia todo mundo saiba que a gente pode morrer a qualquer minuto. O jovem tem que ser participativo, engajado.”

Larissa Pereira, outra participante do Dancetude, acredita que mostrar a coreografia e assistir ao bate-papo foi importante para ampliar o conhecimento no momento em que estão preparando a apresentação oficial que acontecerá no dia 1º de dezembro e também contará com um debate. “A gente conseguiu abrir mais a mente e conseguiu interagir mais com o assunto”, relatou. A garota também destacou a importância do Jovens Urbanos: “Acho que se a gente não tivesse aqui frequentando o galpão [Galpão de Cultura e Cidadania, da Fundação Tide Setubal], entrando nesse projeto, por um bom tempo não teríamos noção do que é o genocídio, dos números de mortos”.

Apresentação do Projeto Dancetude, elaborado e implementado pelos jovens do Procedu/Galpão de Cultura Cidadania, na abertura da roda de conversa.

Renato dos Santos, educador que acompanha o Dancetude, comentou que os jovens não tiveram dificuldade para escolher o assunto. “Era uma coisa que os atingia, mas não sabiam o nome. Foi uma escolha assertiva.” Renato ainda concorda com a ideia de que a arte deve ser utilizada para abordar assuntos densos. “Ela traz a ternura. E a arte precisa falar com as pessoas”, finalizou.

Já Viviane Soranso, assistente de projetos na Fundação Tide Setubal, argumentou que ações artísticas tratam de questões complexas com mais leveza e têm o potencial de atingir diferentes públicos. “Você acessa desde o grupo mais velho até adolescentes e crianças. Então, tem a possibilidade de ampliar a escuta de vários públicos.”

Além do Dancetude, há mais 11 projetos sendo desenvolvidos por integrantes do Jovens Urbanos até dezembro. Todos envolvem elementos artísticos, mas discutem diferentes problemas, por exemplo, abuso sexual, homofobia e depressão.

Galeria de imagens

Festival do Livro e Literatura de São Miguel Paulista

Mais sobre o Programa

O Jovens Urbanos atua com parceiros locais. Em São Miguel Paulista, trabalha em parceria com a Fundação Tide Setubal, a Aldeia Satélite, a Associação Jovens do Brasil e o Procedu. Em Cidade Tiradentes, as ações são realizadas com a cogestão do Instituto Pombas Urbanas e parceria com o CEU Inácio Monteiro e o Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes.

Tagsdancetude, genocídio negro, jovens, juventude, raça, são miguel, São Miguel Paulista

Faça um comentário!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Total de 0 comentário(s)