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Plano Participativo do Jovens Urbanos busca fortalecer rede de educadores sociais na Cidade Tiradentes

Ao reunir representantes de organizações da sociedade civil, gestores e técnicos de escolas e centros de educação, o Programa dá os primeiros passos para potencializar a articulação de ações para a juventude no território

 

Foto: Vanessa Nicolav
Educadores se reúnem para construir Plano Participativo do Jovens Urbanos em Tiradentes. Foto: Vanessa Nicolav

“Aqui na periferia estamos acostumados a trocar ideias, organizar e mobilizar. Mas o que fomos perdendo com o tempo é a forma de se articular para um bem comum. A gente precisa voltar a atuar coletivamente contra aquilo que tem massacrado a juventude.”

Essa é a fala de Lílian Ferreira. Com 31 anos, Lílian conhece como poucos a realidade do jovem de periferia. Professora de Geografia e moradora da Cidade Tiradentes, distrito do município de São Paulo, ela milita há mais de vinte anos em movimentos de cultura na região, e sabe que as grandes conquistas nunca se alcançam sem trabalho coletivo.

É justamente nesse contexto e para jovens desse território que o Jovens Urbanos vai desenvolver as ações de sua 10ª edição em São Paulo. Com um novo desenho metodológico, que prevê formações modulares para os jovens e foco nos arranjos intersetoriais, o Programa inicia o ano colocando em prática um de suas estratégias de atuação: o Plano Participativo.

Segundo Wagner Santos, responsável pela coordenação técnica do Jovens Urbanos, o Cenpec vem há muito tempo insistindo na importância da participação social na construção de suas atividades. “Nós entendemos que a rede é que dá substância ao Programa. Essa experiência aponta que existem muitas possibilidades, em um território onde pode ser complementada a ideia de juventude e educação integral.”

Para iniciar o desenvolvimento do Plano Participativo, representantes do Centro Educacional Unificado (CEU), gestores de parques municipais, um professor mediador de escola estadual, representantes das quatro organizações executoras do programa em Tiradentes e técnicos do Cenpec se reuniram na segunda-feira (18) para pensar e mapear oportunidades de atuação com a juventude na Cidade Tiradentes.

O encontro, conduzido pela educadora Claudia Soares, foi o primeiro passo para desenvolver ações do Programa e expertises articulando os diversos atores do território, de modo que reflitam sobre suas contribuições para o desenvolvimento e a sustentabilidade das ações da juventude.

Wagner acredita que é preciso pensar a educação integral para além dos muros da escola. “Este encontro gera uma possibilidade muito grande para pensar uma nova educação para a juventude.”

Rafael Teixeira, educador do Jovens Urbanos, considera que o local escolhido tem muito potencial para o fortalecimento de uma rede para a juventude. “A Cidade Tiradentes tem muita rede, muito campo de trabalho com o jovem. E como esse é um programa de rede, há muito espaço e possibilidade. É uma promessa de geração de potencial muito grande”, diz.

 

Vídeo: Depoimentos sobre o Plano Participativo – Jovens Urbanos em Tiradentes

 

O encontro

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Durante encontro, participantes apontam potencialidades e desafios do território para as ações com os jovens. Foto: Vanessa Nicolav

Após a apresentação dos responsáveis pela coordenação técnica do Programa, que falaram sobre os principais objetivos e a metodologia dos Jovens Urbanos, os participantes do evento levantaram as potencialidades e os desafios do território, além de suas experiências com os jovens da região.

A força cultural existente no bairro, expressa na grande quantidade e diversidade de coletivos de música, dança e teatro, foi apontada como uma grande possibilidade de atuação, assim como o histórico de mobilização e articulação entre os movimentos do local.

Por outro lado, a grande evasão de jovens dos programas sociais e culturais apareceu como um dos principais desafios para o trabalho na Cidade Tiradentes. Uma das causas apontadas para essa dificuldade foi a falta do sentido de pertencimento dos jovens ao local, principalmente devido ao desconhecimento da história do bairro.

Como estratégia para combater esse problema, foi levantada a ideia de explorar a memória do bairro com os jovens, por meio de atividades que foquem e ampliem o conhecimento da história do lugar.

Para localizar os pontos estratégicos de atuação na Cidade Tiradentes, os participantes realizaram coletivamente o mapeamento das principais instituições do bairro e das relações entre elas por meio de um ecomapa.

Dessa atividade, concluiu-se que há grande concentração dos laços nas redes, que precisam ser descentralizados, já que as atividades orbitam na área central do distrito.

Ao fim do encontro, os participantes foram convidados a pensar quais seriam suas contribuições específicas para a dinamização das atividades da rede e, ao mesmo tempo, como o Jovens Urbanos poderia colaborar na potencialização e ativação da rede. Foi então decidido que seriam compartilhados os contatos de todos ali presentes, e que há demanda para novos encontros, para potencializar as ações e reflexões ali propostas.

De acordo com Nômade, educador do Instituto Pombas Urbanas, organização executora da 10ª edição do Programa, o encontro fez com que ele conhecesse propostas de outros grupos. Durante o evento, ele soube de uma ação já existente nas escolas municipais por meio de uma pessoa que atua nessa área. “É assim que a rede começa a funcionar. Só na conversa já comecei a ver coisas que podem agregar no meu dia a dia com o jovem”, ressalta.

Saiba mais:

Programa inicia sua 10ª edição em São Paulo com inovações

 

TagsCidade Tiradentes, jovens, juventude, participação social, rede

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