Por que educação integral está na pauta da educação?

Um pouco de história da Educação Integral

Apesar de as discussões sobre educação integral serem contemporâneas, o tema é recorrente na história da educação brasileira desde a primeira metade do século XX,  quando foi introduzido no cenário educacional pelos defensores do movimento denominado Escola Nova.

Anísio Teixeira (1900- 1971) é seu maior representante, tendo como adeptos os “pioneiros da educação” que, juntos com ele, em 1932, redigiram um manifesto à nação, conclamando por uma escola pública, laica, obrigatória e gratuita, que tivesse como preocupação a formação integral das pessoas para viverem na democracia. Propunham que os métodos pedagógicos a serem adotados para isso fossem ativos, ou seja, que fizessem sentido para os sujeitos que aprendem, relacionando os conteúdos curriculares à vida real. Dentre outros educadores que compunham o grupo, podemos citar Fernando Azevedo, Lourenço Filho, Cecília Meireles.

Esse movimento integrou um movimento maior e abrangente desencadeado, simultaneamente, nos Estados Unidos, por John Dewey (1859 – 1952) e, na Europa, por vários educadores como Maria Montessori (1870 – 1952- Itália) ; Ovide Decroly (1871- 1932- Bélgica); Edouard Claparède (1873 – 1940 – Suíça); Célestin Freinet (1896 – 1966 – França).
Anísio Teixeira, que foi aluno de Dewey, implantou, quando secretário da educação da Bahia, na década de 1950, em Salvador, as escolas-parque, em complementação às escolas-classe, com o intuito de oferecer educação integral às crianças, em consonância com os princípios da Escola Nova. Na década de 1960, seguindo esses mesmos princípios, foram implementadas as escolas vocacionais e de aplicação no estado de São Paulo.
O processo de discussão e de experimentação relativos à educação integral foi interrompido com a ditadura militar (1964 – 1984).

Na década de 1980, período de redemocratização do país, a proposta foi retomada por Darcy Ribeiro (amigo de Anísio Teixeira e seu parceiro na fundação da Universidade de Brasília), quando se elegeu vice- governador do estado do Rio de Janeiro. Nessa ocasião, implementou os Cieps- Centros Integrados de Educação Pública, que tinham o objetivo de oferecer ensino de qualidade e atividades culturais em tempo integral para crianças e adolescentes.

Mais recentemente, nas décadas de 1990 e de 2000, outras experiências foram desenvolvidas, já em outro contexto educacional e político, como os CEUS – Centros Educacionais Unificados, na cidade de São Paulo, o Bairro-Escola, em Nova Iguaçu, e a Escola Integrada, em Belo Horizonte.
Nesse contexto, nasce em 1995 o Prêmio Itaú-Unicef. Criada para identificar experiências desenvolvidas por ONGS que produziam resultados de qualidade na formação socioeducacional de crianças e adolescentes na faixa etária de 6 a 18 anos, a iniciativa tornou-se ao longo desses 17 anos um grande indutor de práticas e programas na área de educação integral.
A luta pela democratização da educação no país tem caminhado na direção da conquista do acesso das populações mais desfavorecidas economicamente aos bens culturais produzidos pela sociedade brasileira e mundial.

Nesse novo contexto sociopolítico, o lançamento do Programa Mais Educação (2007), pelo Ministério da Educação (MEC), representa um marco importante para o fortalecimento da educação integral na história da educação do país.

Fazer na prática educação integral é algo novo que o Brasil todo está aprendendo. Cada município que tem assumido esse compromisso, vem buscando a melhor e mais adequada forma de implementá-la, a partir de sua prática, de sua história e de suas condições estruturais. É uma aprendizagem contínua, que produz novas compreensões da realidade educacional e, em consequência, reorientações de rumo e de estratégias.

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Total de 1 comentário(s)

  •    ANA LUCIA  em 
         Educação&Participação respondeu em