Notícias - João Marinho - Prêmio Itaú-Unicef

Prêmio Itaú-Unicef: ação de mobilização debate africanidades na educação integral

Ação de mobilização do Prêmio Itaú-Unicef em Belo Horizonte incorpora-se ao IX Fórum de Educação Integral e discute a abordagem curricular em relação às populações negras

Com o tema africanidades brasileiras, acontece em Belo Horizonte (MG), até 24 de novembro de 2016, o IX Fórum de Educação Integral, cuja proposta é apresentar para a cidade as ações educativas dos Programas Escola Integrada e Escola Aberta e proporcionar intercâmbio sociocultural entre os participantes da política de educação integral do município. “Os programas Escola Integrada e Escola Aberta são programas de educação integral com novas oportunidades de aprendizagem: aprendizagens diferenciadas, que possibilitam mudanças. Na educação integral, precisamos não apenas tomar conta do processo educativo, mas também do projeto de sociedade que queremos”, comentou a secretária de Educação de Belo Horizonte, Sueli Maria Baliza Dias, durante o evento.

Neste ano, as atividades que ocorrem desde o dia 16 contaram também com um momento especial: a ação de mobilização do Prêmio Itaú-Unicef no município, no Seminário Educação Integral: Integrando Saberes, Potencializando Territórios, realizado em uma parceria entre a Associação Comunitária do Bairro da Felicidade (Abafe) e a Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte (SMED/PBH).

“Este é o terceiro ano que realizamos a ação de mobilização do Prêmio em Belo Horizonte, mas é a primeira vez que essa ação, com o Seminário, é trazida para dentro do Fórum”, comenta Wesley Camilo, coordenador geral da Abafe (foto em destaque, à esquerda). Saiba como foi.


“Em Belo Horizonte, os programas Escola Integrada e Escola Aberta são programas de educação integral com novas oportunidades de aprendizagem: aprendizagens diferenciadas, que possibilitam mudanças. Na educação integral, precisamos não apenas tomar conta do processo educativo, mas também do projeto de sociedade que queremos.” (Sueli Maria Baliza Dias, secretária de Educação de Belo Horizonte)


 

Rodas de conversa: arte, parceria e educação integral

img_20161116_130436
Centro de Referência da Juventude.

Realizado no dia 16, das 8h às 17h, no Centro de Referência da Juventude (CRJ) de Belo Horizonte, o Seminário foi dividido em duas partes – e contou com cobertura da equipe da plataforma Educação&Participação.

Na parte da manhã, das 8h ao meio-dia, foram organizadas rodas de conversa com os monitores do Programa Escola Integrada. Compareceram cerca de 90 participantes, que se subdividiram em três salas, discutindo planejamento educativo; parceria entre organizações da sociedade civil (OSCs) e escolas públicas; e a importância das artes cênicas na educação integral.


“A arte tem uma função de aprendizagem até na Língua Portuguesa e na Matemática. Basta que o educador introduza isso em sua oficina.” (Pablo Petronilho, educador do Cepas)


Pablo Petronilho, 25 anos, foi quem esteve à frente da roda de conversa sobre artes cênicas. Ele é educador do Centro de Promoção e Assistência Social Ana Bernardina (Cepas), que, com o Projeto Arte Daki, uma parceria com a Escola Municipal Herbert José de Souza, foi um dos vencedores da Regional Belo Horizonte na 10ª edição do Prêmio Itaú-Unicef (2013-2014).

Comentando o momento político atual, em que se discute a obrigatoriedade ou não de disciplinas ligadas às artes na educação, Petronilho opina que não somente a formação artística é importante para o educando, como ainda pode dialogar com outras áreas do conhecimento: “A arte tem uma função de aprendizagem até na Língua Portuguesa e na Matemática. Basta que o educador introduza isso em sua oficina”.

Confira, no áudio abaixo, o relato de dois participantes, incluindo o próprio Petronilho, sobre as atividades do período da manhã e sobre o tema do IX Fórum de Educação Integral.

> As rodas de conversa foram precedidas pelo Cortejo pela Educação Integral, que, passando pelas ruas centrais da cidade, se propôs a divulgar o trabalho de educação integral em Belo Horizonte.

Currículo e africanidades

Na parte da tarde, representando o Prêmio Itaú-Unicef, o antropólogo Jailson Moreira dos Santos (foto em destaque, à direita) discutiu os temas africanidades, negritude, raça e etnia no currículo da educação integral, diante de um público de cerca de 250 pessoas no auditório do CRJ. “O Fórum de Educação Integral já vem trabalhando as concepções africanas desde o ano de 2015. É uma proposta dentro da rede municipal de educação em Belo Horizonte: as escolas do Programa Escola Integrada trabalham o tema durante o ano, e, no Fórum, mostramos à cidade o que é a escola integrada”, contextualiza Wesley Camilo, da Abafe.

Na palestra, que inteirou as ações de mobilização do Prêmio, Santos problematizou a forma como a África e as populações afrodescendentes são abordadas no currículo escolar, o que, segundo ele, ocorre de forma pouco aprofundada e ainda estigmatizada: “A história da população negra é contada, no Brasil, a partir da escravidão”, criticou, após exibir dados sobre as vulnerabilidades da população negra no país.


“O Fórum de Educação Integral já vem trabalhando as concepções africanas desde o ano de 2015. É uma proposta dentro da rede municipal de educação em Belo Horizonte: as escolas do Programa Escola Integrada trabalham o tema durante o ano, e, no Fórum, mostramos à cidade o que é a escola integrada.” (Wesley Camilo, coordenador da Abafe)


Para Santos, citando o exemplo do Chile, a narrativa histórica deveria ser reformulada, de maneira a contar a história do Brasil também com base nas civilizações negras e indígenas, da mesma forma que a história dos colonizadores é contada a partir da Grécia e da Roma antigas. “Na escola, o Velho Mundo é ainda a Europa, mas a evolução civilizatória na Europa tem uma diferença de 500 mil anos em relação à África”, observou.

Arminda de Oliveira discursa no Seminário Educação Integral: Integrando Saberes, Potencializando Territórios.

No espaço aberto às perguntas e à participação do público, além do racismo, também foi abordada a estigmatização das tradições religiosas afro-brasileiras no currículo, em oposição a outras tradições, especialmente de origem cristã. “As religiões de matriz africana, como a quimbanda, no Brasil, são extremamente discriminadas como vertentes da ‘magia negra’, por exemplo”, comentou o antropólogo, comparando o status dessa religião com outras de matrizes semelhantes, mas valorizadas em seus contextos sociais, como a santeria, em Cuba, e o vodu, em Nova Orleans (Estados Unidos).

“Ainda precisamos avançar no currículo, no sentido de trabalhar a africanidade de forma aprofundada e sair do senso comum. É muito triste ver uma criança que não quer pegar na mão da coleguinha porque ela é negra, ou ouvir, como eu ouvi na rua, há menos de um ano: ‘Ô, sua macaca, por que você não está lavando uma trouxa de roupas?’. Minha afilhada não quer ser negra, porque quer ser princesa, e vou falar na escola dela sobre bullying que ela tem sofrido dos coleguinhas […]. Gostaria, então, que nós voltássemos hoje desse seminário com esta preocupação: o que mais precisamos trabalhar no currículo, no cotidiano escolar, sobre africanidade e sobre a cultura negra? Vivemos uma linha tênue, entre avanços e retrocessos tremendos – e o trabalho no currículo hoje é essencial nas escolas, inclusive enquanto política de educação integral”, comentou Arminda Aparecida de Oliveira, gerente de Educação Integral, Direitos Humanos e Cidadania da Secretaria de Educação.

Confira, no áudio abaixo, o comentário de Jailson Moreira dos Santos sobre a importância da ação de mobilização do Prêmio Itaú-Unicef no IX Fórum de Educação Integral em Belo Horizonte.

 

 

Meio ambiente

Escolas recebem selo EcoEscolaBH; clique para ampliarNo auditório do Centro de Referência da Juventude, a temática do meio ambiente também foi abordada. Uma mesa formada por Sueli Maria Baliza Dias, secretária municipal de Educação de Belo Horizonte; Vasco de Oliveira Araújo, secretário municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte; Dayan Diniz de Carvalho, da Gerência de Gestão de Riscos Naturais (GGRN) do município; e Arminda Aparecida de Oliveira, gerente de Educação Integral, Direitos Humanos e Cidadania, premiou 30 escolas públicas com o selo EcoEscolaBH por boas práticas de sustentabilidade, isto é, a redução de 30% no consumo de água e na produção de resíduos sólidos

 

Saiba mais

> Leia mais sobre o Programa Escola Integrada de Belo Horizonte.
> Consulte o material Educação Integral: Belo Horizonte – gestão da parceria entre escolas e organizações sociais, que relata a experiência do município.
> Navegue pela temática Currículo e educação integral, aqui na plataforma.

Mobilização do Prêmio em imagens

Clique na imagem abaixo para ver como foi o evento em Belo Horizonte na galeria do Flickr.

Ação de Mobilização - Belo Horizonte (2016)

 

Fotos: João Marinho.
Tagsbelo horizonte, comunidade, educação integral, escola integrada, escola pública, negro, Prêmio Itaú-Unicef, projetos sociais

Faça um comentário!

O seu endereço de e-mail não será publicado.