Entrevistas - João Marinho - Prêmio Itaú-Unicef

“A transformação de pessoas pelo Prêmio Itaú-Unicef garante que a educação integral se torne mais concreta”

Um educador, uma diretora de escola e um gestor de organização social contam por que se inscrever no Prêmio Itaú-Unicef transforma histórias e muda vidas.  

Bira Azevedo conheceu o Prêmio Itaú-Unicef em 2007 e hoje apresenta os eventos do programa. Foto: Arquivo pessoal.
Bira Azevedo conheceu o Prêmio Itaú-Unicef em 2007 e hoje apresenta os eventos do programa. Foto: Arquivo pessoal.

“Na minha experiência como participante do Prêmio Itaú-Unicef, lembro que, já no processo de inscrição, as duas instituições – organização social e escola – são convidadas a refletir sobre a importância do papel e da potência que cada uma carrega no seu fazer. Isso fortalece as parcerias. Muitas vezes, a colaboração entre elas é algo frágil e desafiante, e passar pelo Prêmio possibilita o fortalecimento desse laço. A premiação impulsiona a ampliação de práticas colaborativas, legitima a ação das organizações e reforça a importância da escola, a escuta, disposição, colaboração com o outro, fazer juntos. Organização e escola aprendem novidades para ampliar e qualificar seus currículos, e o território ganha porque reconhece a força de uma parceria: a colaboração se torna algo público e valorizado. Dessa forma, duas instituições assumem um papel de construtoras de uma educação integral compartilhada e integrada. Tem uma mensagem social muito forte nisso. A transformação organizativa e de pessoas trazida pelo Prêmio Itaú-Unicef de fato garante que a educação integral se torne cada vez mais concreta”, diz Ubirajara Azevedo dos Santos Filho, o Bira Azevedo.

Formado em Licenciatura em Teatro pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Bira atua hoje como consultor de duas organizações da sociedade civil (OSCs): a Apce – Autonomia do Eu Criativo, uma iniciativa que foi idealizada e é gerida pela Associação Bem Comum e que propõe processos de desenvolvimento sustentado nos padrões de comportamento/arquétipos, erro e criatividade e deriva seu nome da metodologia aplicada – escutar, acolher, pensar e compor;  e a LêComigo, que, por meio dos livros, promove conexão e encontros entre pessoas de realidades socioculturais diferentes.

 

“O reconhecimento confirmou que apostávamos num percurso que gerava resultados”

O envolvimento com o Prêmio Itaú-Unicef, porém, deu-se em 2007, por meio da Casa do Sol Padre Luís Lintner, do bairro de Cajazeiras, em Salvador (BA), onde Bira cresceu participando de oficinas de teatro e, no fim, assumiu a coordenação do programa de arte educação. “Concorremos como finalista regional naquele ano e não fomos contemplados, mas, em 2009, fomos selecionados como vencedor nacional na categoria médio porte. Ainda lembro a alegria daquela comemoração… Aí, na na edição seguinte, em 2011, fui convidado para atuar como mestre de cerimônias do lançamento nacional do Prêmio e depois acabei fazendo também os lançamentos e as premiações regionais. Tomei a decisão de mudar para São Paulo e, na edição 2015 do Prêmio, voltei a participar como mestre de cerimônias nos eventos de premiação regional, além de colaborar com a recepção dos representantes das OSCs e das escolas parceiras. Agora, na 12ª edição, participei do roteiro do evento de lançamento do Prêmio e também fui o apresentador. Minha trajetória vai se cruzando com as edições do Prêmio Itaú-Unicef, e tenho uma grande satisfação com isto”, conta.


Saiba mais sobre a 12ª edição e faça sua inscrição!


Para Bira, o Prêmio impacta não apenas as ações parceiras, mas também as vidas das pessoas. “Impacta muito. Muito mesmo. Primeiro, quando nós, da Casa do Sol, recebemos o reconhecimento, a autoestima da organização ganhou mais confiança e confirmou que apostávamos num percurso que gerava resultados […]. Pessoalmente, o Prêmio me aproximou dos conceitos, das reflexões e das práticas ligadas à educação integral, o que foi um importante salto conceitual. Percebi que o Prêmio Itaú-Unicef sempre buscou uma metodologia inovadora nas formações, o que, na época, significou acesso a novidades metodológicas e hoje se traduz numa inquietação minha em construir itinerários formativos ricos em sentidos e em práticas criativas. Eu me lembro dos seminários, dos encontros formativos, das formações à distância… Nesse processo, me tornei um curioso sobre desenvolvimento integral do ser humano. Em um dos seminários de que participei, estava lá a professora Dulce Critelli. Ela começou sua apresentação perguntando: ‘o que é o inteiro de uma pessoa?’. Esta pergunta não sai da minha cabeça até agora – e hoje minha prática está baseada nisso”. Ouça mais no áudio a seguir.

 

“Houve interesse em incentivar outras escolas a realizar parcerias com organizações”

Ledir Pessanha Manhães: "No Prêmio, compartilharmos momentos incríveis com participantes de várias regiões do Brasil nos encontros presenciais". Foto: Arquivo Pessoal.
Ledir Pessanha Manhães: “No Prêmio, compartilharmos momentos incríveis com participantes de várias regiões do Brasil nos encontros presenciais”. Foto: Arquivo Pessoal.

A pedagoga Ledir Pessanha Manhães também é diretora. Há 7 anos, ela está à frente da Escola Municipal Manoel Coelho, que, em Campos dos Goytacazes (RJ), mantém ação parceira com a organização Bem Faz Bem por meio do projeto Aprender Faz Bem. Para Ledir, uma parceria que “não só contribui para o desenvolvimento dos nossos alunos, mas também nos dá a oportunidade de participar de um trabalho social voluntário desenvolvido com comprometimento, amor e solidariedade […]. As crianças que participam do projeto experimentam mudanças significativas no que tange ao respeito, à disciplina, à sociabilidade, à interação e principalmente ao cuidado com o bem comum”.

O Aprender Faz Bem oferece atividades esportivas, artísticas e culturais para crianças, adolescentes e jovens, que têm a oportunidade de participar de palestras educativas, ter acompanhamento psicológico e fazer aulas de capoeira, judô, jiu-jítsu, balé, street dance, teatro, grafite, inglês, reforço escolar, canto coral e confeitaria. Até para os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) há opções, como a zumba e o artesanato em cerâmica e bijuterias. O projeto foi vencedor nacional na categoria Microporte da 11ª edição do Prêmio Itaú-Unicef.

Ledir conta que a ação parceira surgiu a convite de Erivelton Rangel de Almeida, presidente da Bem Faz Bem, mas o início do processo não deixou de ter desafios. “Houve receio de alguns professores […], mas resolvi aceitar a parceria. Além de que, naquele momento, a escola estava sem o Programa Mais Educação e as crianças estavam ficando meio período em casa.” Hoje, a escola ajuda a OSC: “Disponibilizamos, por exemplo, o laboratório de informática, o professor de reforço escolar e espaço para as várias palestras oferecidas às mães dos alunos e à mães da comunidade em geral”.

Todo esse trabalho foi recompensado com a participação no Prêmio, que fez diferença para a ação parceira e eliminou os receios de alguns docentes. “Houve interesse por parte dos professores em estimular a participação dos alunos da escola nas atividades da OSC… E também interesse da Secretaria Municipal de Educação em conhecer o programa e incentivar outras escolas a realizar parcerias com organizações, não só pelo Prêmio, mas principalmente pelos benefícios socioculturais”. O impacto também se fez presente na vida de Ledir, como ela relata no áudio abaixo.

 

“O Prêmio representa o coroamento de um trabalho de equipe”

Erivelton Rangel: "Toda organização social deveria participar do Prêmio. Seriedade, transparência e compromisso aliados a uma equipe competente é o que determina o sucesso de um trabalho". Foto: Reprodução.
Erivelton Rangel: “Toda organização social deveria participar do Prêmio. Seriedade, transparência e compromisso aliados a uma equipe competente é o que determina o sucesso de um trabalho”. Foto: Reprodução.

Mestre em Cognição e Linguagem pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Erivelton Rangel de Almeida é o nome à frente da OSC Bem Faz Bem – que nasceu em setembro de 2013 – e conta como e por que o Aprender Faz Bem foi participar do Prêmio Itaú-Unicef.  “O projeto Aprender Faz Bem surgiu em novembro de 2014. Montamos um projeto integral para participarmos de um edital promovido pelo Conselho Municipal de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMPDCA) e, além de aprovado, ele foi muito elogiado pela comissão do edital. Só que, mesmo depois de publicado em Diário Oficial, com justificativa de ausência de verbas, todos os novos projetos classificados foram cortados e a frustração tomou conta da nossa equipe. Foi quando dissemos que ‘uma porta se fechava, mas muitas se abririam’. Descobrimos, então, o Prêmio Itaú-Unicef e, apesar de termos apenas um ano e meio de existência, contávamos com uma equipe competente. Todo o processo foi conduzido por Caroline Rangel de Almeida Ribeiro, nossa assistente social, que acreditou e passou a se dedicar e cuidar dos pequenos detalhes. O resultado veio com o a premiação regional e a nacional.”

Segundo Erivelton, “a conquista do Prêmio influenciou fortemente no destino da Bem Faz Bem. Demos um salto, tanto quantitativa quanto qualitativamente […]. Com os recursos, ampliamos consideravelmente nosso espaço físico, com a construção de mais duas salas de aula e uma oficina de costuras e artesanatos, compramos máquinas de costura industrial, implantamos atividades de trabalho e geração de renda, abrimos uma unidade em Ururaí e constituímos diversas parcerias com empresas, instituições e universidades […]. Para mim, enquanto pessoa, um fator fundamental foi o desdobramento no ano seguinte, nas formações. Foram encontros muito bem conduzidos com temas atualíssimos e, com as visitas dos profissionais que recebemos, captamos e implantamos muitas sugestões de trabalho. O Prêmio representa o coroamento de um trabalho de equipe. Aprendemos a valorizar cada detalhe que compõe o mosaico de uma entidade social. Percebemos com clareza que as atividades não representam a finalidade de uma instituição social: elas são apenas meios, instrumentos para se alcançar a educação integral, e a lição mais importante é: um trabalho social de sucesso se constrói com recurso financeiro essencial e recurso humano em abundância”. Não à toa, de 93 crianças, adolescentes e jovens em 2014, a OSC passou a atender cerca de 300 no final do ano passado. Ouça um pouco mais dessa história.

Com o mote Educação integral: parcerias em construção, a 12ª edição do Prêmio Itaú-Unicef teve suas inscrições prorrogadas até dia 2 de junho, às 23h59. O objetivo desta edição é identificar, reconhecer, dar visibilidade e estimular parcerias entre OSCs e escolas públicas para ações socioeducativas na perspectiva da educação integral. As parcerias devem ter, pelo menos, 1 ano de existência e contribuir para o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens em condições de vulnerabilidade social.


Por que uma ação parceira deve participar do Prêmio Itaú-Unicef?

edir Pessanha Manhães: "Uma parceria entre OSC e escola deveria participar do Prêmio pela oportunidade de desenvolver, em conjunto, projetos que contribuem para a formação cidadã". Foto: Arquivo pessoal.
Ledir Pessanha Manhães: “Uma parceria entre OSC e escola deveria participar do Prêmio pela oportunidade de desenvolver, em conjunto, projetos que contribuem para a formação cidadã”. Foto: Arquivo pessoal.

“Companheiras, companheiros, vocês estão comprometidos com a qualidade da educação no nosso país? Vocês têm percebido que a parceria é um caminho fértil para favorecer ações que impactam diretamente na vida das crianças e dos adolescentes? Se você e sua equipe da organização e da escola estão comprometidos com isso, se vocês estão construindo uma parceria que busca fortalecer a educação integral, venha e se inscreva no Prêmio. Existe uma enorme rede que está comprometida com isso e, quanto mais gente e organizações estiverem envolvidas, mais forte será o eco.” (Bira Azevedo)

“Uma parceria entre OSC e escola deveria participar do Prêmio pela oportunidade de desenvolver, em conjunto, projetos que contribuem para a formação cidadã, pelo crescimento pessoal e profissional que se adquire com a troca de ideias e experiências, pela satisfação de colaborar de forma ativa na construção de um futuro melhor. Além da satisfação pessoal, o Prêmio nos possibilita oferecer a nossas crianças esporte, cultura, lazer, corroborando para a formação de cidadãos que primam pelo respeito e pela urbanidade, principalmente pelo fato de o trabalho ser desenvolvido em áreas de vulnerabilidade.” (Ledir Manhães)

“Toda organização social deveria participar do Prêmio. É uma vivência ímpar! A educação é o pilar de uma sociedade e ter essa consciência muda completamente a maneira e os objetivos de instituições sérias que pretendem mudar o status quo, tirando suas respectivas comunidades da alienação e promovendo verdadeiras mudanças sociais.” (Erivelton Rangel)


Mais informações

  • Acesse o regulamento.
  • Veja o modelo da ficha e prepare os documentos e as informações que serão pedidos.
  • Leia o passo a passo para preencher a ficha de inscrição.
  • Ainda tem dúvidas? Confira as perguntas mais frequentes no FAQ da 12ª edição do Prêmio.

 

Tagseducação integral, escola pública, inscrição, OSC, parceria, premiação, Prêmio Itaú-Unicef

Faça um comentário!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Total de 0 comentário(s)