Produções artísticas de jovens do Capão Redondo e Brasilândia são mote de exposição no Conjunto Nacional em São Paulo

Publicização das criações dos participantes é um dos princípios do Programa Jovens Urbanos

Jovens, educadores, profissionais da equipe do Cenpec e da Fundação Itaú Social, convidados e transeuntes que passavam pelo Conjunto Nacional, em São Paulo (SP), e foram atraídas pelo burburinho prestigiaram na tarde desta quarta (4) a vernissage que marcou a inauguração da mostra Manifestação Cultural Jovens Urbanos: a Poética Jovem nos Extremos Norte e Sul da Cidade.
A exposição – que se encerrou no dia 8 – reúne produções dos jovens moradores do Capão Redondo, Zona Sul, e Brasilândia, Zona Norte, e participantes dessa 8ª edição,  do Programa Jovens Urbanos – uma iniciativa da Fundação Itaú Social com a coordenação técnica do Cenpec. São cerca de 40 obras, entre fotografias, lambe-lambes, peças de vestuário customizadas, mobiliários produzidos a partir da reutilização de materiais, vídeos e músicas.
Tarsila Portella, que dividiu a curadoria com Célia Pecci e André Bueno, conta que a concepção da exposição e a seleção das peças foram influenciadas pelo contexto sociopolítico do País. “Estávamos muito impactados pelas manifestações de junho, tentando digerir e entender isso também. Então, nosso olhar foi muito influenciado por essa questão da expressão, da busca de espaços de diálogo, de escuta, de troca, de compartilhamento. Tentamos buscar produtos e peças que trouxessem essa mudança de olhar”, afirma. “Conversando com os jovens, os educadores e assessores a gente percebe muito facilmente que o Programa contribui muito para uma ampliação do olhar, para um desvelar da comunidade. Eles passam a descobrir espaços, parceiros e práticas. Quisemos trazer isso”, complementa.

O jovem Jadson da Silva, aluno da Escola Estadual João Silva, no Capão Redondo e participante dessa edição, era um dos presentes na vernissage e se mostrava orgulhoso em ver suas produções ali expostas – dentre elas um painel coberto por lambe-lambes. Ele contou que ele e seus colegas gostaram tanto da técnica que aprenderam em uma das oficinas realizadas ao longo do programa que irão realizar uma segunda intervenção na escola em que estudam, cobrindo uma das paredes com 279 fotos dos alunos, professores e funcionários, selecionadas de um total 800. “É para todo mundo se identificar e não só quem participou do programa”, explica.
Essa é a primeira vez que o Programa organiza uma exposição das produções dos jovens em um espaço de grande circulação na região central da cidade. Entretanto, a publicização e compartilhamento das criações dos participantes é um dos princípios do Jovens Urbanos.Ao longo de cada edição, são realizados dois encontros públicos nos territórios de atuação do programa nos quais são apresentados os produtos das oficinas promovidas com os jovens, além de uma “feira de projetos”, no encerramento das atividades, na qual são expostas propostas de intervenção na comunidade elaboradas pelos participantes. Dentro da metodologia do Programa, esses momentos têm como objetivo mostrar publicamente que os jovens são capazes de atuar de forma autônoma e criativa e de propor soluções em prol da melhoria das condições de vida em suas comunidades, trabalhando aspectos como autoria e protagonismo.

Escrito por: Fabiana Hiromi

Fonte: Cenpec

 

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