Notícias - Thais Iervolino - Prêmio Itaú-Unicef

Projeto Eu, Você e a Escola, Educação que Transforma é o grande vencedor nacional da 11ª edição do Prêmio Itaú-Unicef

O anúncio aconteceu nesta quinta-feira, 26 de novembro, na capital paulista. Além dele, outros quatro projetos receberam premiações nacionais nas categorias micro, pequeno, médio e grande porte. São eles, respectivamente: Aprender Faz Bem, Matéria Rima, Curumins da Amazônia e Morro da Cruz para a Vida

Diamantina, município mineiro localizado no Vale do Jequitinhonha, a 285 km de distância da capital, Belo Horizonte, e lugar onde nasceram Francisca da Silva de Oliveira, mais conhecida por Chica da Silva, e o ex-presidente da República Juscelino Kubitschek, é palco das ações do Projeto Eu, Você e a Escola, Educação que Transforma, que acaba de ser proclamado o Grande Vencedor da 11ª edição do Prêmio Itaú-Unicef.

A iniciativa conquistou o lugar mais alto do pódio da premiação nacional, cuja cerimônia foi realizada na noite de hoje (26), no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo. Durante o evento, outros quatro projetos também receberam premiações nacionais nas categorias micro, pequeno, médio e grande porte. São eles, respectivamente: Aprender Faz bem, Matéria Rima, Curumins da Amazônia e Morro da Cruz para a Vida.

 

Grande Vencedor Nacional: formação sociopolítica como estratégia de protagonismo de adolescentes, jovens e suas famílias

grande-vencedorDesenvolvido em uma das regiões do país que, no final da década de 1990, tinha níveis altíssimos de desnutrição e cujo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) era na época um dos menores do Brasil (de 0 a 1, a região do Vale do Jequitinhonha possuía apenas 0,350), o Projeto Eu, Você e a Escola, Educação que Transforma foi criado pela organização da sociedade civil (OSC) Projeto Caminhando Juntos (Procaj) em parceria com a Escola Estadual João Cesar de Oliveira como estratégia de empoderamento das famílias e de garantia do desenvolvimento integral de adolescentes e jovens.

Com foco na formação sociopolítica de seus participantes, o projeto tem duas ações de maior destaque: o trabalho na escola parceira, situada na comunidade rural do Inhaí, e o Conselho Municipal de Jovens e Adolescentes do Meio Rural de Diamantina (COMJAMRD).

Com 104 adolescentes e jovens que representam suas comunidades, o conselho recebe formação, com apoio da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), quatro vezes ao ano. Entre os temas estão: controle social e exigibilidade de direitos; realidade juvenil; orçamento público; legislação; comunicação; organização comunitária; e cidadania. Os jovens formados são multiplicadores e vêm impactando políticas públicas.

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Vencedor Nacional Microporte: ampliação de repertório e formação integral de crianças e adolescentes aprender-faz-bem

Em Campos dos Goytacazes (RJ), um grupo de amigos criou a organização Associação Bem Faz Bem para ofertar oportunidades a crianças que se encontravam em situação de alta vulnerabilidade e risco social. Para isso desenvolveu, em parceria com a Escola Municipal Manoel Coelho, o Projeto Aprender Faz Bem, que hoje foi o Vencedor Nacional Microporte da 11ª edição do Prêmio Itaú-Unicef.

Atualmente, o projeto promove oficinas que contribuem para a ampliação do repertório cultural e a formação integral de 150 crianças e adolescentes.

A orientação escolar e a oficina de leitura acontecem todos os dias, com uma proposta de estudo dirigido, que permite identificar dificuldades de aprendizado e planejar os conteúdos ainda não assimilados pelas crianças. A oficina de linguagem trabalha a produção de textos, a apreciação literária e a reflexão com base em filmes infantojuvenis. A musicalização abarca canto e instrumentos de corda ou teclado. A oficina de capoeira, com a participação de muitas meninas da oficina de balé, estimula a autodisciplina, a concentração e o respeito ao outro. As oficinas de grafite e desenho e os passeios culturais foram iniciados recentemente por meio de nova parceria.

“Todas as crianças são recebidas pelo nome e manifestam livremente suas ideias e sugestões. O acolhimento valoriza o vínculo afetivo e o sentimento de pertença. As ações desenvolvidas reforçam o protagonismo dos sujeitos em formação e demonstram clara intencionalidade pedagógica”, diz o relatório de avaliação do projeto.

A iniciativa valoriza o diálogo entre a escola e a associação para encaminhamento dos alunos ao projeto, divulgação de novas oficinas e de atividades direcionadas à comunidade. Há grupos de reflexão e de participação com pais e adolescentes, e são realizados ciclos de palestras para os familiares.

O projeto possibilita, assim, oportunidades de convivência familiar e comunitária, além de proteção social. As ações socioeducativas contemplam as dimensões tempo, espaço e conteúdo que fundamentam a proposta de educação integral. Promovem a ampliação do tempo de aprendizagem, garantem a circulação pelo território além dos muros da escola e da organização, apresentam novos conteúdos e agregam valores. A parceria OSC-escola pública potencializa as oportunidades de transformação da realidade das crianças e adolescentes de Campos dos Goytacazes. 

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Vencedor Nacional Pequeno Porte: hip-hop como estratégia de aprendizagem materia-rima

Ainda no Sudeste, mais especificamente em Diadema (SP), um dos berços do hip-hop da região do ABC Paulista, é que se desenvolve o Projeto Matéria Rima, Vencedor Nacional Pequeno Porte desta 11ª edição do Prêmio Itaú-Unicef.

A iniciativa, fruto da parceria entre a Associação Assistencial e Cultural Manos de Paz e a Escola Municipal Sagrado Coração de Jesus, aliou a força do hip-hop na região com a educação. Criado em 2002, foi o primeiro grupo de hip-hop a desenvolver um repertório ligado às disciplinas escolares.

Atualmente, o projeto conta com o repasse financeiro da Secretaria Municipal de Educação Integral de Diadema, que garante a presença de 23 educadores sociais e de material didático em 15 escolas da rede municipal.

Na Escola Municipal Sagrado Coração de Jesus, o projeto atende 64 alunos de 10 a 12 anos. Os conteúdos abordados são definidos após a identificação da dificuldade a ser superada – comportamental, de matemática, de linguagem, de ciências ou de outras áreas. Os educadores desenvolvem os temas utilizando elementos da cultura hip-hop, discutem o resultado com as equipes escolares e validam as atividades conjuntamente.

O projeto traduz, com grande competência, os conteúdos curriculares de maneira prazerosa. A inclusão dos elementos do hip-hop como ferramenta pedagógica de apoio ao professor garante o envolvimento de todos. São utilizados o rap (ritmo e poesia), o grafite (a arte de compor e dimensionar imagens), a dança de rua (postura corporal, lateralidade, força da composição do grupo) e a discotecagem (DJ, musicalização do ritmo urbano).

Trimestralmente, os participantes organizam uma mostra dos trabalhos realizados, envolvendo as famílias e a comunidade. Dessa forma, o Matéria Rima faz da aprendizagem um exercício musicado, rimado, desenhado e movimentado, garantindo a apropriação dos conteúdos e ampliando as aprendizagens que transformam a realidade das crianças e dos adolescentes.

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Vencedor Nacional Médio Porte: educação e cultura para além dos espaços escolares curumins

Foi em Parintins, município amazonense que fica próximo à divisa entre o Amazonas e o Pará, que surgiu e é desenvolvido o Projeto Curumins da Amazônia II: Protagonizando Vidas com Educação e Arte, vencedor nacional da 11ª edição do Prêmio Itaú-Unicef na categoria médio porte.

Ao mesmo tempo que a cidade é sede de uma das maiores manifestações culturais preservadas da América Latina, o Festival Folclórico de Parintins, ela também viveu, em 2004, o pior ano escolar de sua história, devido a disputas políticas e orçamentárias. Isso acabou penalizando os alunos, principalmente os que tinham dificuldades de aprendizagem.

Com base nesse contexto e para evitar o fechamento da Escola Municipal Tadashi Inomata, uma professora propôs que a escola ocupasse as instalações da Associação Cultural e Artística, desde que o município construísse um anexo. A proposta foi aceita e, em 2015, as duas dividem o mesmo espaço. Foi nesse cenário que nasceu o projeto.

Destacando-se pela forte atuação na educação ambiental e no intercâmbio entre alunos das zonas urbana e rural do município, o projeto possui um trabalho educativo que ultrapassa os limites do espaço escolar e promove o compartilhamento de novos saberes, dentro e fora da escola.

A iniciativa tem proporcionado novas aprendizagens, a melhoria do desempenho escolar e o desenvolvimento integral, nos aspectos físicos, sociais e afetivos, das crianças e dos adolescentes. Para enfrentar a situação dos alunos com dificuldades de aprendizagem, o projeto desenvolveu uma metodologia interdisciplinar, envolvendo Língua Portuguesa, Matemática, Artes (desenho e pintura), Música (violão e flauta), Esportes e Recreação (corrida, futebol, queimada, jogos e brincadeiras infantis), além de uma horta escolar.

Ao longo do ano são organizadas várias ações, entre elas, o Festival de Artesanato e a Soltura de Quelônios. Nesta, os alunos ajudam os filhotes de tartaruga a alcançarem as águas amazônicas. São eventos promovidos na zona rural do município, o que exige o deslocamento das crianças e dos educadores pelas águas do rio Amazonas.

Por meio de danças folclóricas, cantos e versos, essas atividades destacam a importância da preservação da flora e da fauna da região. A OSC realiza reuniões com os pais e com a equipe escolar para o diagnóstico da aprendizagem dos 165 crianças e adolescentes atendidos. O planejamento das atividades é feito anualmente entre os educadores da OSC e da escola parceira.

O envolvimento das famílias nas ações da escola e do projeto é muito forte. O projeto inclui atividades para pais e mães, como as oficinas de artesanato, que viabilizam a sua participação na maior festa folclórica do país, o Festival de Parintins. Além disso, a qualificação profissional dos familiares vem criando mudanças na qualidade de vida da comunidade.

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Vencedor Nacional Grande Porte: organização, escola e comunidade promovendo a educação integral de crianças e adolescentes

morro-da-cruzNa outra ponta do país, em Porto Alegre (RS), outra iniciativa que promove a educação integral de crianças e adolescentes também foi vencedora nacional da 11ª edição do Prêmio Itaú-Unicef, desta vez na categoria grande porte: o Projeto Morro da Cruz para a Vida.

Criado em razão da demanda da comunidade por ações de cultura, esporte e apoio escolar, o projeto desenvolve uma série de oficinas, por faixa etária: letramento (leitura e produção textual) e numeramento, contação de histórias, esporte e recreação, música (instrumentos e canto coral), dança e capoeira, expressão corporal e informática. Além disso, são desenvolvidas atividades multidisciplinares de meio ambiente, cidadania e direitos humanos. Também são realizadas visitas a espaços culturais e de lazer. Para os adolescentes de 16 a 18 anos, as ações têm como foco sua preparação e inserção no mundo do trabalho.

A iniciativa, resultado da parceria entre o Instituto Leonardo Murialdo e a Escola Municipal de Ensino Fundamental Morro da Cruz, promove o respeito à identidade de cada um, sua origem e, ao mesmo tempo, apresenta o diferente. A educação integral é desenvolvida com base em uma metodologia conhecida como CHAVE: Conhecimento, Habilidades, Atitudes, Valores e Espiritualidade.

Uma das atividades mais reveladoras do princípio e das estratégias implicadas na parceria é a Biblioteca Ile Ará, a primeira biblioteca comunitária do município. Ela fica no alto do Morro e não está nem nas dependências da escola, nem nas do Instituto.

Além disso, foi implantada a Esquina Literária: um educador fica em uma esquina da comunidade com uma mala de livros, os distribui a quem estiver interessado e pede que os devolvam na biblioteca. Atividades como essas revelam iniciativa, criatividade e envolvimento profundo com a comunidade.

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Sobre o Prêmio
Com o tema Educação integral: aprendizagem que transforma, a 11ª edição do Prêmio Itaú-Unicef teve 1.947 projetos inscritos em todo o Brasil.

O Prêmio é uma iniciativa da Fundação Itaú Social e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), com coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).

Foi criado em 1995 e, ao longo desses 20 anos, vem reconhecendo projetos socioeducativos que, articulados com escolas públicas, são voltados ao desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens.

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Tagseducação integral, escola, mobilizacao, organização, organizações, OSC, parceria, premiação

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Total de 7 comentário(s)

  •    Lana Lemos  em 
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  •    elisangelaairespty@hotmail.com  em 
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  •    projetovidajaiba@yahoo.com.br  em 
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  •    Associação Grão de Mostarda  em 
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