Notícias - Priscila Pacheco - Jovens Urbanos

Projetos dos participantes do Jovens Urbanos passam por banca avaliadora

Passavam das 14 horas de uma sexta-feira quando Julia Araújo da Silva recitou com os amigos uma poesia que compôs. Os versos encerraram a apresentação do projeto do grupo para esta 12ª edição do Programa Jovens Urbanos, uma iniciativa da Fundação Itaú Social e coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), que acontece em Cidade Tiradentes e São Miguel Paulista, ambos distritos da zona leste de São Paulo.

Jovens apresentam projetos diante de banca de especialistas. Clique na foto para ver mais imagens. Crédito: Paulo Savala.

Doze grupos formados por jovens entre 15 e 20 anos de idade, sendo oito de Cidade Tiradentes e quatro de São Miguel Paulista, passaram por bancas de avaliação nos dias 20, 21 e 25 de outubro. Na ocasião, os projetos foram avaliados de acordo com a relevância para os próprios integrantes, para a comunidade, além de qualidade técnica, plano de trabalho, custos e participação.

Todos foram aprovados e receberam orientações para melhorar a execução das atividades, como reavaliar o orçamento e ampliar as pesquisas. Os trabalhos continuam sendo desenvolvidos com educadores locais, estão recebendo supervisão de assessores especializados e começam a ser apresentados ao público a partir da segunda quinzena de novembro. E, por fim, serão destacados na Feira de Projetos em dezembro.

Os temas defendidos nas bancas foram diversificados e apontaram problemas recorrentes na sociedade. O projeto do grupo do qual Julia faz parte em Cidade Tiradentes, por exemplo, chama-se Sarau Diversiarte. Por meio de esquetes teatrais, poesia e música, os jovens querem retratar mulheres, negras, negros e transexuais de uma forma que não seja marginalizada. “A gente quer mostrar para Cidade Tiradentes o que podemos fazer. Queremos fazer o sarau para expor essa violência [contra mulheres, negras(os) e trans] e para nos encontrarmos, pois somos a própria Diversiarte”, disse Julia.

Para Ana Paula de Santana, uma das avaliadoras das bancas, falar sobre transfobia não é fácil, mas é muito bom saber que os jovens incluíram a discussão no sarau. Depressão, abuso sexual, violência doméstica, manipulação da mídia e valorização da infância também foram temas que apareceram nas bancas para serem debatidos por meio da arte.

Fernanda Ribeiro, do Cenpec, analisa e faz comentários sobre os projetos. Clique na foto para ver mais imagens. Crédito: Paulo Savala.

Segundo Rodney Roberto Florentino Sousa, morador de São Miguel Paulista, a arte é fundamental para estimular a reflexão. O rapaz de 15 anos chegou ao Jovens Urbanos por meio de indicação de amigos e afirmou que nos encontros começou a desenvolver o pensamento a respeito de questões da atualidade. “A gente não sabia nem o que era genocídio negro. Agora sei que é algo que fere a nossa comunidade”, disse.

A turma de Rodney vai usar a dança para discutir o genocídio. A ideia é apresentar uma coreografia conduzida por músicas cantadas por negros e que citem o problema, casos das canções “Capítulo 4, versículo 3”, dos Racionais, e “Diga não”, de Bia Ferreira, além de promover um debate.

Ainda passaram pelas bancas de São Miguel Paulista trabalhos com foco na xenofobia, literatura e incentivo a brincadeiras populares. Minutos antes de se apresentar para a banca, Vitor Emanoel Rodrigues Farias compartilhou que estava ansioso, pois o projeto que busca resgatar jogos recreativos da cultura popular é muito importante para ele e toda a equipe. “Eu queria que essa cultura continuasse, porque as brincadeiras populares estão sendo camufladas. Comecei a perceber isso a partir da vivência do meu irmão de cinco anos de idade”, relatou Vitor.

Os jovens também destacaram que é de grande valor realizar as ações no próprio território. “Os meus pais são daqui, eu nasci aqui e, provavelmente, os meus filhos vão nascer aqui em São Miguel”, comentou Vitor. O pensamento dos jovens vai ao encontro do objetivo da implementação de projetos do Jovens Urbanos, que é promover uma intervenção na comunidade e, assim, estimular o sentimento de pertencer ao território e reconhecer a responsabilidade de agir pelo bem e pelo desenvolvimento da região.

Mais sobre o Programa

O Jovens Urbanos atua com parceiros locais. Em Cidade Tiradentes, as ações são realizadas com a cogestão do Instituto Pombas Urbanas e parceria com o CEU Inácio Monteiro e o Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes. A parceria em São Miguel acontece com a Aldeia Satélite, Fundação Tide Setubal, Associação Jovens do Brasil e Procedu. A educadora Mariana Santana atua com os adolescentes da Aldeia Satélite e já esteve no lugar deles há alguns anos. Ela participou da 6ª edição do Jovens Urbanos: “Para mim, é muito gratificante continuar aqui e vê-los sendo aprovados. Eles sabem o que estão fazendo”, finalizou.

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