Rapsódia Armênia: passado e presente em diálogo sobre tradições, cotidiano e conflitos

Discutir temas relacionados à juventude brasileira por meio da arte. Esse foi o objetivo do encontro entre os educadores do Programa Jovens Urbanos e Gary Gananian, diretor do filme “Rapsódia Armênia”, que aconteceu no Centro Ruth Cardoso, em São Paulo.

Um senhor discute o impacto da guerra na sua vida; outro, aborda as consequências da globalização para a sua geração, enquanto uma jovem fala sobre as expectativas acerca de seu país; uma senhora lê o futuro e a sorte na borra do café. Ao fundo, uma canção popular é dedilhada num violão. Tudo isso em 62 minutos. Essa é a “Rapsódia Armênia”, documentário com direção e roteiro de Cassiana Der Haroutiounian, Cesar e Gary Gananian. O filme aborda o cotidiano da Armênia, país localizado no sudoeste asiático, que faz fronteira com a Turquia, o Azerbaijão, a Geórgia e o Irã.

O filme foi elaborado tendo como inspiração a rapsódia, peça musical constituída de trechos melódicos aleatórios de determinada região ou país. O uso dessa estrutura no filme é recorrente: durante todo o documentário, é possível ouvir a sonoridade da cultura armênia.

Participantes do Jovens Urbanos e do Programa Educação Profissional da AlfaSol debatem com o diretor do  documentário, Gary Gananian, após exibição do filme  no Centro Ruth Cardoso
Participantes do Jovens Urbanos e do Programa
Educação Profissional da AlfaSol debatem com o diretor do
documentário, Gary Gananian, após exibição do filme
no Centro Ruth Cardoso

 

O documentário, exibido no Centro Ruth Cardoso dia 19 de agosto para os jovens e educadores do Programa Jovens Urbanos, revela o dia-a-dia do povo armênio. Por meio dos depoimentos dos personagens, é possível traçar um panorama do país. Numa das cenas, é retratada a tradição do casamento, no qual os armênios celebram com muita música e dança; em outra cena, a dor de um homem que sofreu as consequências do genocídio armênio, entre 1915 e 1923, resultando na morte de 1.500.000 armênios.

Além desse extermínio, inúmeros armênios foram deportados ou fugiram da região. Cerca de 25 mil vieram para São Paulo, inclusive os avós de Gary Gananian, diretor do documentário. “Realizar este filme foi uma tentativa de resgatar a história dos meus antepassados, que fugiram para sobreviver ao massacre que ocorreu no país”, conta o diretor.

Para Gary, que participou do debate sobre seu filme após a exibição, o documentário, além do tema do extermínio, aborda o retrato de gerações; ao mesmo tempo em que a geração mais velha tenta preservar a tradição, há também a juventude que busca mantém essa cultura popular viva, apesar das influências externas no país.

Opinião

Para Daniel Mariano, educador social da Associação Sociocultural Madre Teresa de Jesus, o qual atua no Programa Jovens Urbanos, na Brasilândia, o tema do genocídio foi o que mais lhe chamou a atenção. “Apesar de ser um tema dolorido, o diretor conseguiu deixar o filme mais leve, mais sensível e menos bruto, pois não há apenas sofrimento; há também superação, beleza, lirismo, emoção e alegria”, afirma Daniel.

Em relação ao tema genocídio, o educador demonstrou interesse em abordá-lo com seus alunos. “Quero mostrar para meus jovens que podemos construir beleza por meio do sofrimento, seja no documentário ou em qualquer arte”, declara Daniel.

 

Indicação

Como sugestão, o educador indica o filme “Timor Lorosae – O Massacre que o Mundo Não Viu”, de Lucélia Santos. “Este documentário discute a guerra civil no Timor Leste, um verdadeiro extermínio que ocorreu no país. Já o exibi para meus alunos, que ficaram indignados com as consequências da guerra. Vale a pena para outros educadores que queiram abordar o tema do genocício”, diz Daniel.

Filme “Timor Lorosae – O Massacre que o Mundo Não Viu”

Veja também:
Trailer do filme Rapsódia Armênia 

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