Rosilene Ribeiro: “A cidade educadora realiza, em suas instâncias e espaços, ações que promovem a educação, a formação e a emancipação de seu povo”

Rosilene Ribeiro, subsecretária de Educação de Petrópolis (RJ), aprofunda o conceito de circulação e apropriação do território no II Congresso de Educação Integral do município

 

“É possível fazer acontecer a educação integral”. Com essa frase, a secretária de Educação de Petrópolis (RJ), Mônica Vieira Freitas, deu o tom do II Congresso de Educação Integral do município, realizado entre os dias 15 e 18 de setembro.

Inovador, o congresso se estruturou de forma descentralizada: com palestras temáticas e formativas, mesas de discussão e atividades culturais acontecendo em diferentes espaços do centro histórico, o público pôde exercitar um dos conceitos-chave da educação integral – a circulação e apropriação do território.

A explicação dessa ideia coube à subsecretária de Educação, prof.ª Rosilene Ribeiro. Foi ela quem realizou o discurso de abertura dos trabalhos, no dia 15, e apresentou a proposta ao público. Em entrevista ao Educação&Participação, Rosilene aprofunda-se nos objetivos desse modelo. Confira.

 

Educação&Participação: Por que o congresso em Petrópolis foi realizado dessa forma, descentralizada?

Rosilene Ribeiro: Nós resolvemos, nesse congresso, aproveitar o potencial da nossa cidade no que tange ao seu capital cultural e histórico. No ano passado [2014], realizamos o I Congresso no Palácio Quitandinha, cartão postal de Petrópolis, mas neste ano avançamos tanto na proposta de educação integral – daquilo que desejamos e necessitamos como educação integral no nosso município – quanto na perspectiva do que a cidade pode oferecer em termos de capital aos seus munícipes, à sua comunidade, e de que maneira as pessoas podem se apropriar desse capital. Então, o congresso foi um momento de divulgar esses espaços e promover a apropriação deles, que já são das pessoas.


“Falar de educação integral é falar da  formação de um sujeito na sua integralidade, nas suas diferentes habilidades e competências”


E&P: E como se construiu essa proposta?

Rosilene Ribeiro: Aqui, em Petrópolis, temos uma prática de intersetorialidade, que é estimulada pelo prefeito Rubens Bomtempo: as ações de governo são intersetoriais, e isso chega às outras instâncias da gestão. Quando planejamos o congresso, sentamos com a Fundação de Cultura e Turismo de Petrópolis, e os parceiros da Fundação deram a ideia de aproveitar todo o conteúdo do nosso centro histórico como espaço de circulação e apropriação de conhecimento.

 

E&P: A possibilidade de circular no território impacta a concepção de currículos que levem em conta o potencial do município por parte dos participantes do congresso? Houve essa preocupação?

Rosilene Ribeiro: Sem dúvida alguma. Há uma intencionalidade, sim. Na verdade, trabalhamos no congresso com a perspectiva de cidade educadora. A cidade educadora realiza, em suas diferentes instâncias e espaços, diferentes ações que promovem a educação, a formação e a emancipação de seu povo, o que passa pela apropriação de seu conteúdo e de seu patrimônio. É essa perspectiva que pretendemos garantir no nosso currículo: a de formação de um sujeito íntegro, porque falar de educação integral é falar da formação de um sujeito na sua integralidade, nas suas diferentes habilidades e competências.

 

Saiba mais

> Mediado por Patricia Guedes e com participação de Grace Pereira e Beatriz Goulart, o debate virtual “Espaços de aprendizagem na educação integral” discutiu a ampliação de espaços na educação integral e iniciativas baseadas no conceito de cidade educadora;

> Isa Guará, Maria Isabel Somme e Maria Amabile Mansutti abordaram a educação integral no território a partir da necessidade de articulação, no debate virtual Articulação no território pela garantia do direito à educação integral para todas as crianças e adolescentes brasileiros”;

> As potencialidades e os desafios do território na educação integral já foram tema de um especial do Educação&Participação e estão presentes em nosso Banco de Oficinas. Confira.

Tagscirculação no território, comunidade, intersetorialidade

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  •    Adriana Salim  em