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Seminário: oficina apresenta a cartografia como prática pedagógica

Você sabia que a Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, já foi um velódromo? Que, se você prestar atenção, sente a diferença de cheiro entre os condomínios mais antigos e os mais modernos? Que, perto de onde se realiza o Seminário, tem uma filial do Iate Clube de Santos, num casarão histórico? Que a Rua Maria Antônia, perto do Sesc Consolação, em São Paulo, já foi palco da repressão pela Ditadura nos anos 1960? E que, no bairro arborizado, tem uma seringueira com raízes enormes, além de córregos por baixo das ruas?

Os 16 participantes da oficina “A cidade, o mapa e a lupa: cartografia no território como prática pedagógica” agora sabem.

A atividade realizada pelo Cenpec e coordenada pela arquiteta e urbanista Rayssa Fleury faz parte do 2º Seminário Internacional de Educação Integral (SIEI), que está sendo realizado até hoje na capital paulista.

Utilizando-se de fotografias, textos e mapas históricos e atuais, a oficina trouxe conhecimentos sobre o entorno do Sesc Consolação e discutiu propostas pedagógicas. Além de usar e estudar mapas, a cartografia como metodologia, que é utilizada pelo Programa Jovens Urbanos, implica sair pelas ruas, praças, prédios, casas e equipamentos culturais; interagir com as pessoas; exercitar o olhar e a atenção; e registrar as sensações visuais, táteis e até olfativas para estimular uma apropriação do território e trazer uma nova forma de abordar suas potencialidades, seus desafios, sua história e as percepções que temos dele.

Foi assim que, em um mapa ampliado, os participantes se permitiram tirar os sapatos com que fizeram 6 diferentes percursos pelo bairro e usaram canetinhas, adesivos, papéis, desenhos e outros materiais simples para registrar impressões que foram do meio ambiente à arquitetura e passaram pela história, memórias afetivas, debate entre público e privado e pela interação (ou não) entre ricos e miseráveis no mesmo espaço.

A experimentação permitiu aos participantes vivências impensáveis: conversar com um estudante desconhecido sobre “urbanismo filosófico”, participar sem querer de outra prática pedagógica do Seminário, dar uma declaração-surpresa para uma rede de tevê e até ir parar em um concurso de funk – com letras educativas!

Como explicou Rayssa, “A memória é espacial. A cartografia, ao propor que as pessoas saiam pelo território, façam um produto com as próprias mãos e exercitem o espaço, permite mergulhar nos lugares e criar e socializar outro mapa para um território que, num primeiro olhar, pode parecer árido. A própria experiência é capaz de ativar uma formação política”.

> Confira também nossa temática sobre cartografia.

Tagscartografia, educação integral, experimentacao, mapa, oficina

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