Sexualidade: tabu a ser discutido com os jovens

Em pleno século XXI, a sexualidade ainda é um tema pouco abordado durante os debates no Brasil. Segundo consultora do Unicef, é preciso abrir mais espaços para uma discussão com qualidade sobre essa questão com o jovem

Sexualidade e questões de gênero. O tema, ainda que cada vez mais presente nos cinemas (com filmes como Azul é a cor mais quente e em novelas como emAmor à Vida, exibida em 2013, cujo final terminou com um beijo de um casal gay) ainda é visto como tabu na Educação brasileira.

Basta ver que um dos pontos críticos para se aprovar o Plano Nacional de Educação (PNE) no Congresso foi um dos incisos do artigo 2º, que afirma que uma das diretrizes do plano é a superação das desigualdades educacionais presentes do Brasil. O embate se deu justamente porque o texto aprovado na Câmara afirma que tal superação deve se dar “com ênfase na promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual”. Parlamentares evangélicos são contra o texto.

“Parece que estamos voltando ao passado: tudo o que se conseguiu avançar na promoção dos direitos sexuais e reprodutivos, com uma abertura maior nas escolas e nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) para o debate está se fechando. Antes, as instituições estavam mais permeáveis para se trabalhar o assunto – seja sobre as relações de gênero, de poder, ou da sexualidade – em uma perspectiva sociocultural. Agora não há mais espaço”, explica Maria Adrião, consultora do Unicef.

Segundo a análise de Adrião, de uma maneira geral, se hoje os jovens possuem uma experimentação da sexualidade muito maior do que as gerações passadas, por outro lado, o tema ainda é vista como tabu. “A sexualidade ainda é encarada como uma subversão, como algo que não é natural. Expressar carinho publicamente, ainda mais em uma relação homossexual, ainda é uma ofensa. Se antes as escolas disponibilizavam preservativos, hoje isso é encarado como uma aberração. Nessa questão, voltamos a um passado de mais de 50 anos”, pontua.

De acordo com ela, a sexualidade é um direito. “Os adolescentes e jovens precisam ter acesso a uma Educação de qualidade, acesso às informações de saúde e reprodutivas. Temos dados sobre o tema na internet, mas não necessariamente se tem um espaço para informação e debate qualificados, com diferentes atores e pontos de vista”, explica e continua: “Quando se tem o conhecimento da causa, temos muito mais armas para se prevenir, planejar uma vida reprodutiva, sexual, tentar uma vivência da sexualidade”.

Educação Integral & Sexualidade

Partindo do princípio de que para oferecer uma Educação Integral a crianças, adolescentes e jovens é preciso olhar para a garantia de outros direitos humanos – como saúde, proteção social e cultura, é importante a temática da sexualidade permear as atividades educativas propostas, seja nas escolas ou organizações.

“Durante as formações que faço com jovens, costumo promover um trabalho amplo e desconstruir mitos. Como educadora, busco traçar uma linha histórica da sexualidade, mostrar que ela é permeada por uma construção cultural, com crenças. Temos que considerar todas as dimensões; o que não é possível é violar o direito do outro. Não se pode gerar preconceito e discriminação em relação à vivência da sexualidade e identidade e orientação sexual”, explica Adrião.

 

Cinecentro: abordar  a sexualidade por meio do cinema

 

Com o intuito de promover debates que permeiam a juventude, o Programa Jovens Urbanos e o Centro Ruth Cardoso realizam o Cinecentro, ação que já exibiu filmes e realizou debates sobre temáticas como grafite e a cidade de São Paulo e suicídio. Na última segunda-feira de março, foi a vez de a sexualidade ser o foco da discussão.

 Assista ao trailer do filme:
Hoje eu quero voltar sozinho

Diante de uma plateia de cerca de 50 jovens e educadores, foi exibido o filme “Hoje eu quero voltar sozinho”. Com direção de Daniel Ribeiro e consagrado com o Teddy, principal prêmio para produções com temática homossexual, o filme é baseado no curta-metragem do mesmo diretor, “Hoje eu não quero voltar sozinho”. O filme trata da história de Leonardo (Guilherme Lobo), um adolescente deficiente visual cuja vida é transformada com a chegada de Gabriel (Fabio Audi), um novo aluno em sua escola, ao mesmo tempo, que tem que lidar com os ciúmes da amiga Giovana (Tess Amorim), Leonardo vive a inocência da descoberta do amor entre dois adolescentes gays.

Após a exibição, houve um debate entre o público e o diretor. Segundo Ribeiro, mais do que tratar da questão gay e da deficiência, o filme trata de relações humanas. “Estamos falando de amor, um sentimento que acontece e é natural. Quis colocar de um jeito delicado para as pessoas tomarem consciência sobre o preconceito”, diz o diretor durante o debate.

 Conheça outros filmes para estimular o debate sobre  a sexualidade com jovens:

Curta: Eu não quero voltar sozinho

Billy Elliot

Azul a cor mais quente

Delicada atração

Morangos e chocolate

Três formas de amar

Thelma e Louise

Frida

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