Debate Virtual: Cidade Educadora, intersetorialidade na gestão pública: relações e articulações possíveis

O desafio de articular as diferentes políticas públicas em uma perspectiva ampla visando estimular o surgimento de uma cultura educadora nos municípios foi o tema central do Debate Virtual Cidade Educadora, intersetorialidade na gestão pública: relações e articulações possíveis, realizado em 30 de novembro de 2016, Dia Internacional das Cidades Educadoras, pelo programa Políticas de Educação Integral.

O debate foi dividido em três partes: exposição; respostas a questionamentos do público; e considerações finais. Contou com a mediação de Alexandre Isaac, coordenador do Núcleo de Educação Integral do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), e a participação de Oswaldo Gonçalves Junior, doutor em Administração Pública e Governo pela Fundação Getulio Vargas, mestre em Educação pela Universidade de São Paulo e consultor do projeto Sobral Cidade Educadora (CE), e João Kleber Santana, sociólogo e pedagogo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e coordenador do núcleo de Educação Integral da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.

No vídeo, de 1h16m58s, os debatedores abordaram o conceito de cidade educadora e o histórico por trás da proposta em experiências concretas de municípios como Sobral (CE), com o projeto Sobral Cidade Educadora; São Paulo (SP), com o São Paulo Integral; e Embu das Artes (SP).

Oswaldo Gonçalves Junior falou a respeito da formação política brasileira, que privilegiou políticas públicas de forma a serem setoriais e segmentadas, e defendeu a intersetorialidade como necessária a uma cidade educadora: “Para que exista uma cidade educadora, é preciso diluir as fronteiras intersetoriais”. Para o especialista, trata-se de uma proposta de longo prazo, que comporta uma verdadeira transformação cultural: “[A proposta] envolve não apenas ações concretas, mas também transformar toda uma cultura na máquina pública e no plano social, construindo outra noção de cidadania e direitos que nos transporte para uma outra relação entre Estado e sociedade, que não é de curto prazo, mas uma construção que envolve muitos autores”.

João Kleber Santana, por sua vez, afirmou a necessidade de uma legislação para fundamentar a proposta de cidade educadora e evitar personalismos ligados a gestões particulares do governo ou de secretarias, além de destacar que a intersetorialidade não significa a negação da setorialidade. Na verdade, as políticas públicas continuam a ter suas especificidades – mas passam a dialogar entre si: “O desafio é construir uma rede em que os secretários dialoguem, as subprefeituras dialoguem e, nos territórios, as pessoas dialoguem. É necessário construir um espaço de conversa que precisa ser institucional: que tenha rotina, intencionalidade, pauta e legitimidade”.

As vulnerabilidades sociais, a necessidade de rediscutir o currículo e os conflitos entre os diferentes estratos e classes sociais nos municípios também foram abordados, assim como as condições fundamentais para uma cidade educadora: a intersetorialidade; a intencionalidade; o pensar a cidade para as pessoas; e a educação integral. “Propor uma cidade educadora não é negar os conflitos, mas tratá-los de outra maneira”, explica Gonçalves Junior.

Assista ao vídeo na íntegra.


Veja também

“Como a articulação dos saberes e experiências no planejamento poderá realizar e avaliar ações para alcançar um efeito sinérgico em situações complexas visando ao desenvolvimento social?”. Confira a resposta dos especialistas:

“Podemos inserir ações da Cidade Educadora na implementação do ensino integral?”; “Como é feito o calendário anual das escolas de forma a articular todos os espaços da cidade?”. Veja como essas dúvidas foram esclarecidas:

Se preferir, assista à versão editada, de 36’46”:

 

Materiais relacionados

CENPEC; FUNDAÇÃO ITAÚ SOCIAL. Sobral Cidade Educadora: territorialidade, intersetorialidade e juventudes – desafios para a construção de políticas públicas. São Paulo/Sobral: Cenpec/Prefeitura de Sobral, 2016. Acesso em: 24 jan. 2017.

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  •    Rachel Moreno  em