O papel do esporte no desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens

Artigo escrito por Ana Moser*

Falar de esporte, de educação, de corpo e movimento. Muitos jargões e lugares-comuns são largamente conhecidos e repetidos – alguns deles são mitos, outros verdades. Porém a maior verdade de todas é: o impacto do esporte no desenvolvimento integral de TODAS as DIFERENTES crianças e jovens depende da forma como é conduzido e também do ambiente.

Esses são os princípios básicos e o ponto de partida para estruturar uma ação de esportes para crianças e jovens. Porque o esporte é um fenômeno cultural amplo, que envolve manifestações distintas entre si, como uma disputa olímpica realizada por atletas da elite esportiva e uma aula de Educação Física numa escola de Ensino Fundamental. O que está envolvido num jogo do campeonato brasileiro de futebol é totalmente diferente do que acontece numa pelada entre amigos no fim de semana. Assim como um corredor profissional numa São Silvestre, na chegada em plena avenida Paulista, pode até cruzar com um casal pedalando na faixa de ciclistas, mas eles estarão fazendo coisas que guardam pouca relação entre si.

As diferentes manifestações esportivas apresentam diferentes objetivos e impactos esperados. A competição de elite objetiva resultado e a mais alta performance possível. O esporte como lazer e condicionamento físico tem como impacto saúde, convivência e qualidade de vida. E o esporte para crianças e jovens, na escola ou a partir da escola, tem como objetivo o desafio de atender a todos, garantindo o direito previsto na legislação brasileira. Costumo dizer que existe o esporte de cada um, de acordo com o perfil, a expectativa e os objetivos pessoais – aspectos que também se transformam a cada fase da vida. Para alcançar objetivos e resultados tão diferentes, temos que lançar mão da mesma variedade em termos de estratégias.


“A OMS (Organização Mundial de Saúde) indica cinco horas por semana de atividade motora para crianças e adolescentes”


As pessoas têm, durante a vida, diferentes oportunidades e vivências do corpo em movimento, com o desenvolvimento de habilidades e capacidades físicas, cognitivas e socioafetivas, ou não. Porque só se beneficia quem pratica. A OMS (Organização Mundial de Saúde) indica cinco horas por semana de atividade motora para crianças e adolescentes: uma hora por dia, que pode ser dividida durante a rotina diária. Jogar, brincar, realizar rotinas motoras simples e complexas, são muitas as possibilidades. Essa é a carga de atividade semanal ideal para que se desenvolvam as bases motoras e atitudinais que contribuirão para que essas crianças e jovens se mantenham ativos, seja pelo desenvolvimento do hábito e do estilo de vida, seja pela formação motora qualificada, que lhes proporcionarão ferramentas para aproveitar todas as oportunidades e para se adaptar a cada ambiente e fase da vida. Para os adultos, a indicação é de 120 a 150 minutos semanais. Segundo a Ipsos, 72% da população brasileira é sedentária, e entre as pessoas de 16 a 24 anos a porcentagem é de 62%.

É fato que precisamos avançar em termos de oportunidades para a prática motora, pois os benefícios são muitos. Pesquisas internacionais mostram que os impactos são sentidos a cada fase da vida: 90% menos probabilidade de obesidade infantil; desempenho escolar até 40% maior; menor relação com fumo, drogas, gravidez e sexo de risco; 15% mais probabilidade de ir para a faculdade; menos despesas com saúde; e em média pessoas ativas vivem 5 anos a mais. Como vemos a seguir, o esporte desenvolve diferentes capitais humanos: físico, intelectual, emocional, social, individual e financeiro.

Físico – habilidades e destreza motora, condicionamento cardiorrespiratório, força, saúde dos ossos e das articulações, sistema imunológico, sono, alimentação, prevenção de doenças.

Intelectual – desempenho escolar, compromisso com a escola, velocidade de raciocínio, memória, flexibilidade mental, concentração/atenção/controle do impulso, controle do Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA) na infância, administração do declínio cognitivo com a idade. 

Emocional – melhorias em diversão/alegria/satisfação, autoestima, autoimagem, motivação, humor, prevenção de stress/depressão/ansiedade. 

Social – normas sociais, rede de relacionamentos, compromisso social, confiança/trabalho em equipe/colaboração, igualdade de gêneros e diversidades, igualdade para pessoas com deficiência, contraponto ao crime, inclusão e aceitação, unir as diferenças, segurança e apoio. 

Individual –  aprender a aprender, experiências sociais e de vida, espírito esportivo, gestão do tempo, estabelecimento de metas, iniciativa e liderança, respeito e solidariedade, entusiasmo, disciplina, controle, persistência, coragem. 

Financeiro –  melhor renda, produtividade, desempenho no trabalho, ânimo, compromisso, redução de assistência médica e faltas.

Tagsana moser, desenvolvimento integral, educação integral, esporte, experiências, participação

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Total de 4 comentário(s)

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