Educação&Participação

Espaços de participação e protagonismo juvenil

Início

  • O que éO que é

    Discussão sobre protagonismo juvenil e formas de exercê-lo.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    Jornais e revistas, tesoura, cola, computadores com acesso à internet para duplas de trabalho, data show, folhas de sulfite, pincéis atômicos, durex e clipes, folhas de papel pardo, aparelho de som.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de atividades ou em espaços abertos.

  • DuraçãoDuração

    Três encontros de 1h30 min cada.

  • FinalidadeFinalidade

    Compreender o que é protagonismo e exercê-lo a favor da autonomia e do bem comum.

  • ExpectativaExpectativa

    Fazer escolhas para realizar pequenas intervenções coletivas na escola ou na comunidade; refletir sobre formas de atuação grupal que condizem mais com os próprios desejos.

Na prática

Como desenvolver?

Prepare a sala com um painel de recortes de jornais e revistas que mostram grupos de jovens participando de alguma atividade cultural, esportiva, comunitária ou política, como um grupo de teatro, de skatistas, uma banda de música, um time de basquete, um grêmio estudantil, um movimento social por direitos, uma rádio comunitária, uma manifestação política etc.

Pergunte aos estudantes se eles participam de algum grupo como aqueles das fotos ou de qualquer outro, que não está representado ali. Neste caso, peça que acrescentem esse grupo aos expostos no painel, usando as figuras das revistas que você deixou disponíveis, ou mesmo desenhando ou escrevendo no painel. Pergunte também quem não faz parte de nenhum grupo.

Peça que todos os que estão engajados falem sobre a sua participação: qual é a atividade que fazem, que coisas boas ela oferece, o que esperam dela e por que a escolheram para praticar. E, aos que não estão engajados, pergunte a que grupos gostariam de pertencer.

Provoque-os sobre o tema a que o painel se refere: de que ele trata?

Dê um tempo para que expressem suas hipóteses e aproximem-se, aos poucos, da questão central da oficina, que é a participação dos jovens em diferentes espaços da sociedade.

Pergunte se sabem o que é protagonismo.  Já teriam ouvido falar sobre isso?

Dê um tempo para que verbalizem suas ideias a respeito e, então, convide-os a assistir um pequeno vídeo em que jovens estudantes da EE Professora Maria José Moraes Salles, da cidade de Bragança Paulista, no interior do estado de São Paulo, falam sobre isso.

Após a projeção, lance a questão: o que o vídeo tem a ver com o painel? Eles falam da mesma coisa? Que espaços de participação são citados pelos jovens da EE Professora Maria José Moraes Salles, como espaços de protagonismo juvenil? A que benefícios pessoais e sociais eles se referem, no vídeo, ao falar de sua participação? É bom ser protagonista, segundo a opinião deles?

Para entrarem em contato com outros exemplos de protagonismo juvenil, em diferentes áreas, divida a turma em três grandes grupos e oriente que cada grupo se organize em duplas, para acessarem os sites que você indicará. São três sites, um para cada grupo.

Oriente as duplas para que vejam o vídeo indicado para o seu grupo e observem a área de atuação dos jovens, como se engajaram no projeto e como avaliam a sua participação. Dê aproximadamente 20 minutos para a atividade.

Comunidade de São Paulo dá voz aos jovens e incentiva a participação social – Heliópolis, pela TV Nacional do Brasil (TVNBR)/2013 (3min 26s).

Adolescentes Protagonistas – Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC – Instituto de Estudos Socioeconômicos) – Abravídeo. Prêmio Banco do Brasil/2009 (5 min 40s).

Protagonismo Juvenil – Programa de Promoção da Criança e Adolescente (PPCA). O vídeo traz relatos de jovens e adolescentes sobre a participação dos projetos no Grito dos Excluídos, em 2005, no Recife/(3min).

Após o tempo combinado, abra a roda para socializarem as práticas tratadas nos vídeos e discutirem as várias formas de participação apresentadas: quais são? Como os jovens participam? O que mais chamou a atenção de cada um?

Depois dos comentários, faça com eles 3 cartazes: um para cada vídeo, sintetizando a ação específica protagonizada  pelos jovens.

A seguir, peça para cada um, em silêncio, pensar sobre si próprio, a respeito da seguinte questão:

Você Já pensou em fazer parte de algum grupo cultural, esportivo, literário, político, ou desenvolver alguma ação comunitária?  Se sim, o quê?

Oriente que eles escrevam numa folha de sulfite/post it, com pincel atômico colorido e letras grandes, qual foi a sua escolha, prendendo a folha, como um cartazete, no peito, com durex ou clipes.

Coloque uma música e convide-os a circular pelo espaço da sala. A tarefa deles será a seguinte: ao cruzarem com um colega, deverão ler a ação que ele registrou no seu cartazete e verificar se essa ação tem afinidade/ algo de semelhante a que escolheram.  Se for, eles passarão a andar em duplas e se encontrarem um terceiro, com ação semelhante, passarão a andar em trios e, assim por diante.  Exemplo: (ator/teatro…); (grêmio/política/movimento por direitos…); (rapper/ dj /rádio …); (ajudar doentes/visitar idosos, brincar com crianças…) e assim por diante

E se?

Se alguém não se identificar com nenhuma ação ou não escolheu nenhuma porque não tem interesse, também deverá se unir com outros colegas que estejam na mesma situação. Caso contrário, não tem a menor importância ficar sozinho. O objetivo é investigar o que atrai mais, o que atrai menos ou se nada atrai o interesse dos jovens de sua turma.

Depois de aproximadamente uns 8 minutos circulando, peça para pararem, olharem a disposição dos participantes e identificarem que ação reuniu mais estudantes, que ação reuniu menos e quantos optaram por nenhuma ação.

Agora, sentados em círculo, abra a palavra para todos se expressarem sobre os pontos de identificação que encontraram pelo grupo, quando circularam pela sala, e o que fez com que se juntassem ou não aos colegas, formando duplas, trios etc. Foi fácil ou difícil esse processo? Tiveram que pensar muito se havia afinidade ou não? E quem não se juntou, foi porque nada tinha de afinidade ou ocorreu outra coisa?

Após falarem sobre o processo e as facilidades ou dificuldades vividas, proponha, como continuidade da oficina, a realização de uma mesa redonda, com a participação de algumas pessoas que atuam nas áreas que apareceram (teatro, rap, banda, coletivos de direitos e/ou outros), para dialogarem e conhecerem melhor os caminhos a serem seguidos, se se interessarem.

Para isso, tanto você como eles deverão realizar uma pesquisa sobre grupos atuantes nessas áreas e levantar nomes possíveis para a mesa redonda. Teria algum na comunidade? Ou em comunidades próximas? A internet, o CRAS da região, a subprefeitura, outros órgãos públicos ou OSCs  conhecidas poderão auxiliar nessa pesquisa. Marquem uma data para todos trazerem o que conseguirem.

2º encontro: Organizando as informações.

O objetivo deste encontro é sistematizar as informações coletadas e escolher os convidados para a mesa redonda. Assim, em primeiro lugar, cada grupo socializará com a turma o que encontrou na pesquisa feita e sugerirá nomes de convidados, justificando a escolha desses nomes.

Após um debate sobre os melhores nomes, combinem uma data para propor aos convidados.

Levantem, em conjunto, um roteiro de perguntas que gostariam de fazer a cada um deles sobre sua história, sua trajetória, o que ajudou para que se constituíssem como um grupo, as melhores ações que fizeram, de que precisam cuidar, como eles poderiam se engajar etc., registrando num cartaz.

Escrevam, também, coletivamente, o convite a ser feito às pessoas, que será encaminhado por e-mail. Será interessante incluir, nos convites, as perguntas feitas, para ajudar os convidados a organizarem sua fala para a mesa redonda. É importante também informá-los quantas pessoas serão convidadas a falar e quanto tempo aproximadamente cada um terá.

A seguir, distribuam as tarefas: quem passará os e-mails, quem fará a recepção e os agradecimentos aos convidados, no dia, como serão os procedimentos para a realização das perguntas.

3º encontro: A mesa redonda.

No dia marcado, organizem o espaço, quer seja na sala de atividades ou ao ar livre, com as cadeiras em círculo, e uma proximidade entre os convidados. Quando chegarem, será importante fazer a apresentação de todos eles, falar da razão de sua presença ali e expor a todos como será a condução dos trabalhos, para o melhor proveito de todos:

  • cada um fala e depois se abre para perguntas?
  • quem quiser falar levanta a mão? Ou serão distribuídas papeletas para as pessoas escreverem as perguntas?
  • os convidados responderão uma a uma as perguntas ou  serão formados blocos de perguntas para facilitar o ritmo das respostas e evitar que algumas respostas se alonguem e outras não aconteçam?

E, não se esqueçam de registrar as possibilidades de contatos futuros com as instituições dos convidados!

Hora de Avaliar

Terminada a mesa redonda, faça uma avaliação com os estudantes sobre  a oficina. Peça que cochichem, em duplas ou em trios, e indiquem dois pontos positivos e dois pontos frágeis, considerando o processo todo, desde o início: proposta, preparação, desenvolvimento.


Agora é com você: o que mais faria?
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Para ampliar

O que mais pode ser feito?

Os estudantes poderão visitar instituições que estimulam o protagonismo juvenil, para conhecer como atuam ou ir à Câmara Municipal para saber sobre dos espaços de participação dos jovens em eventos educacionais, esportivos, culturais e políticos da cidade, como o Conselho Municipal de Juventude ou o Orçamento Participativo. Poderão entrevistar ou escrever para secretários da educação, da cultura e do esporte e levar suas reivindicações de participação.

Agora é com você: o que mais faria?

Fontes de Referência:

– Costa, Antonio Carlos Gomes da- Protagonismo Juvenil: adolescência, educação e participação democrática. Salvador. Fundação Odebrecht, 2000.

– Setubal, Maria Alice. Educação e Sustentabilidade: princípios e valores para a formação de educadores. São Paulo. Peirópolis, 2015.

– Parâmetros socioeducativos: proteção social para crianças, adolescentes e jovens – Igualdade como direito, diferença como riqueza. CENPEC; SMADS; Fundação Itaú Social. São Paulo. 2007.

Para saber mais

Desenvolver o protagonismo juvenil implica criar espaços de reflexão, de discussão e de participação, para que os jovens pratiquem a crítica, a argumentação e desenhem e concretizem, coletivamente, pequenas intervenções culturais, esportivas e educacionais na sua comunidade, exercitando a cidadania.

A vivência da cidadania envolve níveis crescentes de participação e de autonomia dos jovens, na busca do bem pessoal e comum. Assim, é importante mobilizá-los para discutir e ampliar as suas leituras de mundo, confrontando e partilhando, com outros, visões, necessidades, sonhos e propostas de ação, em relação à sua vida e à vida de sua comunidade. Este exercício constante ajuda os jovens na aprendizagem de elaboração de projetos, tanto individuais como coletivos, condição para a conquista da autonomia, assim como para lutar pelo que deseja para a sua vida e para a vida de seu lugar. É preciso considerar que, além do entusiasmo e da vitalidade própria dessa fase da vida, eles são dotados de pensamento e de palavra, que estimulados e exercitados, propiciam que se tornem cada vez mais capazes de tecer relações, de argumentar e projetar o futuro.

A tendência à vida grupal faz parte do mundo jovem. A proposta do protagonismo é justamente capitalizar essa tendência em favor de seu desenvolvimento pessoal e social.

O grupo é o espaço de conquista e afirmação da identidade pessoal e social do jovem e, por ser espontâneo, constitui espaço de procura e experimentação, em que ele vai exercitar sua autonomia, ainda que relativa, em relação ao mundo adulto. Nesse momento do desenvolvimento, a coesão do grupo é forte, mas nem sempre essa força é canalizada positivamente pelos jovens, podendo ir para um lado ou para outro, dependendo das oportunidades que lhe são oferecidas pela família, pela escola, pela comunidade.

Mas, é necessário um cuidado, de nossa parte, educadores, se queremos trabalhar com os jovens para desenvolver o seu protagonismo. É importante que tenham espaço para pensar, falar livremente, e serem ouvidos e respeitados. Os adolescentes sabem muito bem distinguir aqueles que deles se acercam, com propostas de desenvolvimento pessoal e social, daqueles que têm o intuito de estabelecer mecanismos de controle sobre suas condutas.

Segundo Antonio Carlos Gomes da Costa, “Mais do que exorcizar as situações de risco, o protagonismo juvenil procura preparar os jovens para a tomada de decisões baseadas em valores, não apenas lidos ou escutados, mas vividos e incorporados em seu ser. Jovens assim estarão certamente mais bem preparados para enfrentar os dilemas da ação coletiva que caracterizam a sociedade onde a pluralidade e o conflito de pontos de vista e de interesses entre pessoas, grupos e instituições, longe de ser uma patologia, são parte integrante do tecido social”.


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