Educação&Participação

Uma atividade de investigação sobre a lógica da organização dos jornais e a produção de uma primeira página, tendo como foco a comunidade e o respeito a princípios éticos

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  • O que éO que é

    Uma atividade de investigação sobre a lógica da organização dos jornais e a produção de uma primeira página, tendo como foco a comunidade e o respeito a princípios éticos.

  • PúblicoPúblico

    Crianças e adolescentes.

  • MateriaisMateriais

    Diferentes jornais de grande circulação (exemplares completos referentes a uma semana), papel pardo, bloco de anotações (folhas de sulfite divididas em quatro partes e grampeadas).

  • EspaçoEspaço

    Na sala da organização/escola e na redação do jornal do bairro.

  • DuraçãoDuração

    Três encontros de aproximadamente 90 minutos cada.

  • FinalidadeFinalidade

    Familiarização com esse veículo de comunicação, percebendo como se organiza o jornal, a função da primeira página, os recursos utilizados para chamar a atenção dos leitores, a intenção das manchetes, fotos e chamadas de capa.

Na prática

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1º encontro – Manuseando diferentes jornais.

Traga para a oficina jornais diários, de grande circulação, publicados durante uma semana e traga também jornais do bairro.

Converse com as crianças e adolescentes sobre a função do jornal, sobre os assuntos que nele aparecem.  Em casa, há jornal? Eles têm o hábito de ler ou folhear jornais? Quando pegam um jornal para ler, que assuntos preferem? Ouvem noticiário no rádio? Assistem ao noticiário da TV? Acessam internet? O que costumam procurar nela? Quais são os sites mais visitados?

Pergunte se sabem como se organizam os jornais impressos. Desafie-os a desvendar sua organização (que blocos de assuntos tratam? Ex: esporte, turismo, policial, política, quadrinhos etc.); o que aparece diariamente ou só uma vez por semana (seções, cadernos).

Organize–os em grupos e distribua os jornais que você trouxe, de forma que cada grupo fique com um exemplar completo de um dia da semana, no caso de jornais de grande circulação, pois os de bairro e eventualmente os da cidade não costumam ser publicados diariamente.

Quando os grupos derem sinais de que já entenderam basicamente a lógica da organização, promova uma conversa coletiva sobre suas descobertas: foi fácil? Difícil? Que caminho fizeram? Há diferenças entre os jornais de grande circulação e os do bairro? Por que será? Registre as respostas em um cartaz.

A seguir, converse com eles sobre a primeira página de um jornal, discutindo sua função de chamar a atenção dos leitores para as notícias e também vender um jornal. Clique aqui para ver roteiro.

 

2º encontro – A visita ao jornal do bairro.

Pergunte se gostariam de conhecer a redação de um jornal. Estimule-os a procurar o site do jornal do bairro/cidade para obter informações sobre ele: sua “cara”, sua proposta, quem compõe a equipe de profissionais, periodicidade etc. Juntos, redijam uma solicitação à direção do jornal para a visita e para a disponibilização de uma pessoa a ser entrevistada, que possa explicar como funciona o processo de produção e distribuição do jornal. Encaminhem a solicitação por e-mail e proponham algumas datas para facilitar o agendamento por parte da redação.
É necessário planejar a visita, desde a autorização dos pais, o lanche, os combinados para o trajeto, para a visita às dependências e para o retorno, até a elaboração das questões que gostariam de ver respondidas na entrevista e a divisão das tarefas: quem faz as perguntas, quem registra, quem agradece em nome do grupo, ao final.
É possível que o acesso ao jornal do bairro/cidade não seja fácil a pé e haja necessidade de condução; nesse caso é preciso pensar como conseguir o transporte junto à direção da organização/escola, propondo parceria com  a secretaria de transporte, por exemplo.  Cuidem para auxiliar as crianças com alguma deficiência no percurso e na visita. Clique aqui para ver exemplo de roteiro de entrevista.
No retorno, em roda, discutam o que observaram, o que mais chamou a atenção, despertou a curiosidade, instigou mais, registrando essas impressões num papel pardo ou cartolina.
Convide-os, então, a assumir o papel de jornalista por algumas horas, transformando a sua sala numa redação de jornal. A tarefa será construir a primeira página de um jornal, com notícias sobre a comunidade, utilizando  o que viram e discutiram a respeito dela, a partir da oficina “Uma expedição pelo território”.

E se?

Se você não realizou a oficina” Uma expedição pelo território”, pode orientá-los para pesquisar, com as famílias e amigos, o que seria interessante publicar a respeito da comunidade, numa primeira página de jornal.

Se alguma criança ou adolescente propuser ao grupo manchetes desrespeitosas a respeito de algumas pessoas ou fatos ou mesmo a publicação de fofocas, questione o grupo e discuta essa atitude frente aos princípios éticos trabalhados.

Se não houver jornal de bairro no local, é possível visitar a redação de um jornal de outro bairro ou mesmo preparar uma entrevista virtual com profissionais da área, tanto da imprensa escrita como de jornais virtuais. Há jornais que têm a prática de receber crianças, adolescentes e jovens para conhecerem as dependências da redação e da impressão. É só solicitar e agendar.
3º encontro–  A comunidade na primeira página.
Retomem os materiais coletados na expedição ao território (cartazes, arquivo digital, portfólio, álbum de fotos, bloco e anotações) ou os resultados da pesquisa com amigos e familiares sobre o que seria interessante publicar numa primeira página de jornal.
Conversem sobre os pontos mais discutidos, o que eles destacaram como riquezas, problemas e sonhos em relação à comunidade e proponha que montem, a partir desses dados, a primeira página de um jornal com esses assuntos.
Em grupos, escolherão os assuntos que considerarem mais importantes para constituir a manchete, as fotos que a acompanharão, as notícias de capa, indicando em que parte do jornal estarão mais desenvolvidas (só indicação, porque ficarão apenas na produção da primeira página). As letras serão escolhidas pelo destaque que quiserem dar às notícias.  É importante observar que as notícias do jornal têm um certo tempo de validade;  não vão interessar ao leitor se ficarem “ultrapassadas”; por isso há necessidade de certa agilidade entre a saída em expedição pelo bairro ou a pesquisa feita com familiares e amigos e a produção da primeira página.

Hora de avaliar

Terminado o trabalho, todos circulam entre as produções dos grupos e tecem comentários, tendo como referência as discussões feitas no coletivo, anteriormente. Combine que as críticas devem ser construtivas e ajudar os colegas a melhorar a sua produção.
Se o grupo concordar, as produções poderão ser expostas num varal no pátio da organização/escola, de forma que possam ser lidas por outras turmas. Para isso é importante fazer uma revisão dos textos, com as devidas correções, pois tudo que é publicado tende a ser “modelar”. Sugira também que levem, em rodízio, as produções dos diferentes grupos para casa a fim de lerem com os familiares.

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

Visitar uma rádio da cidade ou uma rádio comunitária para acompanhar um noticiário e entrevistar o locutor para saber as semelhanças e diferenças entre o jornal falado, o jornal impresso e o virtual. 

Gostou?

Veja a oficina “As notícias da Comunidade”, deste banco.

 

Para saber mais

O jornal  é um excelente recurso para se desenvolverem atividades de leitura e escrita, tais como se apresentam na sociedade, possibilitando o contato com vários gêneros textuais.

É também um importante meio de comunicação e de circulação de opiniões, bem como de expressão de anseios e posições de diferentes grupos sociais. O acesso à leitura crítica do jornal é uma condição de cidadania.
Ao trabalhar com a leitura de jornais é importante aproveitar ao máximo as possibilidades de reflexão sobre os seus conteúdos, problematizando com as crianças e os adolescentes o que acham que o autor vai defender no seu texto (antecipação); o que está dito nas entrelinhas e não está explícito (inferência); a adequação da manchete à notícia (crítica);  outros assuntos que o jornal deveria tratar e por quê; como escreveriam a manchete que o jornal traz; o que sentiram quando leram as notícias.
Ao mesmo tempo, devem ser discutidos com as crianças e adolescentes os princípios éticos que orientam a produção de um jornal, impresso ou virtual, como uma aprendizagem de cidadania que acompanhará sempre as  suas leituras e produções. Veja abaixo alguns princípios éticos do jornalismo, presentes na atividade escolar.
Alguns princípios éticos do jornalismo*

  • O jornal deve promover os direitos humanos e democráticos em toda sua extensão, defendendo a pluralidade de ideias evitando qualquer forma de preconceito de raça, credo, sexo etc.
  • Boatos e fofocas não devem ser publicados, nem se deve mexer com a intimidade das pessoas.
  • Todo fato pode ter mais de uma versão. É preciso registrar vários aspectos para que o leitor possa tirar suas conclusões.
  • O jornal deve defender suas ideias, mas não deixar de publicar matérias com pessoas que pensam diferente.
  • O jornal aposta na liberdade de expressão como um valor fundamental da sociedade democrática.
  • O jornal não deve ser instrumento de doutrinação político-partidária ou religiosa.
  • O jornal não publica matérias, recadinhos ou mesmo artigos anônimos.
  • O jornal não publica piadas, histórias ou artigos que atinjam a dignidade de indivíduos e segmentos sociais.
  • Cuidado para não difamar ninguém. Difamar é atribuir injustamente a alguém um fato ofensivo à sua reputação.

*(Extraído de A Ética no Jornalismo Escolar, de Daniel Raviolo e Júlio Lira. Fortaleza; Comunicação e Cultura, 1998).

Reportagens e artigos:

Jornal na sala de aula – Leitura e assunto novo todo dia – Revista Escola – Set/2004

Informar e Educar – Site Educacional

Jornal na sala de aula e habilidades de leitura na Era da Informação – Intercom – Set/2009.

Obs: Os links da oficina foram visitados no dia 05 de fevereiro de 2016.

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