Educação&Participação

Representação da comunidade desejada por meio de diferentes linguagens.

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  • O que éO que é

    Representação da comunidade desejada por meio de diferentes linguagens.

  • PúblicoPúblico

    Para crianças, a partir de 9 anos, e adolescentes.

  • MateriaisMateriais

    Folhas de papel pardo e de sulfite, lápis e canetas hidrocor, pastas com plásticos, máquinas fotográficas ou celulares que fotografam e filmam data show, gravador, prancha de madeira de aproximadamente 40 cm e sucata (palitos de sorvete, potinhos de iogurte, pedaços de tecido, palha etc.), revistas, tesouras, baú com roupas e adereços.

  • EspaçoEspaço

    .

  • DuraçãoDuração

    Dois encontros de aproximadamente 1h30min cada.

  • FinalidadeFinalidade

    Desenvolver o olhar crítico para o território; identificar demandas locais; mobilizar recursos para buscar soluções responsáveis e criativas; desenvolver o compromisso com o coletivo.

  • ExpectativaExpectativa

    Aprender a observar o que está à sua volta e a registrar; saber expressar seus desejos e ouvir os desejos do outro; negociar e pactuar procedimentos para atuar em equipe.

Na prática

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1º encontro: Percorrendo trajetos na comunidade real.

Converse com o grupo sobre o trajeto que fazem diariamente para vir à ONG/ escola: o que veem no caminho; o que gostam de olhar quando estão caminhando e de que não gostam; os trajetos que fazem nos finais de semana. O que veem neles, as mesmas coisas ou coisas diferentes?

Distribua duas folhas de papel sulfite para cada um desenhar, respectivamente, os seus trajetos diários de casa à instituição e os de final de semana, utilizando pontos de referência como igrejas, escolas, parques, rios ou córregos. Guarde esses registros.

Proponha uma atividade para que, em grupos, percorram esses trajetos, para ver se descobrem neles mais coisas do que já conhecem. Faça os combinados para a saída. Veja sugestões na oficina “Uma expedição pelo território”, deste banco.

Será interessante prepararem também algumas perguntas para entrevistarem, durante o percurso, alguns moradores e pessoas que encontrarem pelo caminho (de três a quatro), para saberem a sua opinião sobre o bairro: gostam dele? De que gostam?  De que não gostam? De que acham falta? O que mudariam?  Como gostariam que ele fosse? Para evitar atropelos, proponha que se revezem nas perguntas. Importante gravarem as entrevistas como documento. No dia programado, forme grupos de idades variadas para que, em 4 ou 5, acompanhados de um adulto, educador ou familiar, circulem pelos trajetos que fazem diariamente (vários trajetos ou partes do trajeto provavelmente coincidirão), e façam algumas paradas , duas ou três, para registrar o que veem pelo caminho.

A decisão sobre as paradas deve ser acordada com o grupo. Nesses momentos, os adultos acompanhantes distribuem folhas, lápis e canetas para que as crianças e adolescentes façam os seus registros, por meio de desenhos, de palavras ou de imagens captadas por câmeras ou celulares, anotando os nomes de quem faz aquele trajeto específico. Os registros em folha devem ser guardados numa pasta coletiva, que será o portfólio do grupo e ficará sob a responsabilidade de um deles, durante o trajeto.

De volta à instituição, distribua a cada um os desenhos que fizeram no início da atividade, na folha de sulfite, para compararem com os seus registros de agora e verificarem o que eventualmente não foi colocado.

Em seguida, os grupos organizarão os registros para expor ao coletivo, no próximo encontro da oficina: os desenhos, as anotações, as fotos e os depoimentos colhidos das pessoas durante os percursos.

Ajude-os na organização, orientando para que escolham, dentre todo o material, algumas fotos, desenhos, anotações e depoimentos que sejam mais ilustrativos e importantes para socializar. Não é necessário usar todo o material. Chame a atenção para que observem o que é importante socializar, de acordo com objetivo da atividade, ou seja, o que existe nesses trajetos: residências e/ou casas comerciais, prédios, unidades de saúde, escolas? Há árvores, parques ou jardins com bancos para as pessoas sentarem? Há coletores de lixo? Há facilidade para a locomoção de deficientes? E espaços para bicicletas e para jogos coletivos? O que viram que não tinham percebido antes? Chame a atenção também para os depoimentos dados pelos moradores: eles estão satisfeitos? Quais são seus desejos de melhoria para o território e para sua vida nele?

E se?
Se não houver a possibilidade de filmar, tire fotos do grupo durante o processo
de construção de suas representações para mostrar a eles depois e ser objeto
de reflexão, além de documentar a história do grupo.

2º encontro: Representando a comunidade desejada.

No segundo encontro, cada grupo irá expor o material selecionado para o coletivo, projetando as fotos em data show, mostrando seus desenhos e apresentando os depoimentos que consideraram mais importantes.

Depois da apresentação, peça para todos se sentarem, fecharem os olhos e pensarem em tudo que foi exposto de sua comunidade real, como se estivessem vendo um filme. A seguir, irão fazer um contraponto, deixando correr a imaginação e visualizá-la como gostariam que ela fosse, colocando nela tudo aquilo de que sentiram falta.

De volta ao grupo inicial, irão socializar entre si, o que cada integrante sonhou para a comunidade e, a partir dos sonhos de cada um, construir uma representação coletiva que contemple a todos do grupo, utilizando a linguagem de expressão que acharem mais apropriada: uma maquete, um painel com desenhos ou colagem de gravuras, um poema, uma música, um texto em prosa, uma dramatização, um vídeo  ou  uma figura com lego, quando a instituição dispuser desse recurso. Se possível, filme os grupos, no processo de construção da representação.

Depois de aproximadamente 40 minutos, cada grupo fará sua apresentação, explicitando anteriormente qual a linguagem que escolheram para a sua representação e por quê. Oriente para que sejam respeitosos e acolham os grupos como gostariam de ser acolhidos quando estiverem fazendo sua representação. Filme as produções em pequenos vídeos ou fotografe a exposição de cada grupo.
Após a apresentação de todos, abra a roda para conversarem sobre o entendimento que tiveram das diferentes representações. De que elas tratavam? Falavam das mesmas coisas ou de coisas diferentes? O que propunham para a comunidade?

Hora de avaliar

Projete agora para eles algumas cenas filmadas ou fotografadas dos grupos, desde o início da construção da representação até a produção final de cada um. Peça para observarem que houve um processo que durou um certo tempo, desde  a discussão inicial para decidirem o que representariam até o produto final. Como foi esse processo? Houve alguma discordância? Algum impasse? Como resolveram? O que foi mais gostoso e o que foi mais chato nesse processo? O que aprenderam? Registre as aprendizagens num cartaz e afixe na sala.

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

A realização de um evento para apresentar as diferentes produções da turma para a comunidade.

Nesse caso, seria oportuno utilizar a ocasião para transformá-la num momento formativo e de festa para todos: crianças, adolescentes, jovens, famílias e educadores.

Alguns grupos sociais que conhecem bem o território e que nele atuam há algum tempo, além de representantes de órgãos municipais locais, escolas e organizações não governamentais, podem ser convidados para vir conhecer os sonhos das crianças e dos adolescentes para o território onde vivem e, discutir com elas como esses sonhos podem ser viabilizados.

Para saber mais

Conhecer o lugar onde agimos socialmente, ou seja, onde vivemos nosso dia-a-dia, trabalhando, estudando, divertindo-nos ou nos comunicando, é fundamental para desenvolver nossa própria consciência social e nos situarmos no mundo, porque o lugar medeia a relação do indivíduo com a vida.

Para construir a representação de si mesmo e do mundo é preciso que o sujeito considere, problematize e reflita sobre os conteúdos de suas vivências no contexto pessoal, interpessoal e social.

É o estabelecimento de nexos entre as circunstâncias da vida pessoal e as do contexto mais amplo que permite a representação e a compreensão de si mesmo e do mundo, o que propicia um leque maior de possibilidades de escolha para o sujeito.

Desta forma, propor às crianças e adolescentes apurar o olhar sobre o seu entorno contribui para que desenvolvam a sensibilidade e a crítica, promovendo reflexões sobre o que existe, o que não existe e o que pode vir a existir e desfazer, por meio dessas reflexões, preconceitos e discriminações.

Estimular que as crianças e adolescentes olhem para seu território também nos permite conhecê-los melhor, conhecer melhor os espaços onde vivem, as práticas culturais que são significativas para eles, as variáveis que nesse lugar participam de sua vida e a relação que têm com ele: como veem seu território? Como se relacionam com ele? O que mais valorizam? Que sonhos e anseios têm de transformação?

O conhecimento do território onde vivem ainda nos propicia conhecer o potencial educativo da comunidade, que pode por acionado na elaboração de projetos socioeducativos conjuntos.

Fontes de referência

Oficina com LEGO Blbloco, a comunidade que queremos”, realizada pelo projeto TQT – Teclas que transformam, do Grupo de Apoio Nisfram, da cidade de Sumaré-SP, ONG finalista do Prêmio Itaú-Unicef de 2011. Contato: Rosa Maria Góes da Silva – (19) 3832-1748 –  nisfram@ig.com.br – www.nisfram.org.br.

– Cartografia como instrumento da pedagogia social. Maria Júlia Azevedo Gouveia. Congresso Internacional de Pedagogia Social. 2006 .

– Parâmetros Socioeducativos: proteção social para crianças, adolescentes e jovens. CENPEC, SMADS e Fundação Itaú Social. São Paulo. 2007.

Gostou?

Então veja as oficinas deste banco: “Descobrindo a nossa cidade” e “O que é que a cidade tem?”

 

 

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