Educação&Participação

Pequena pesquisa para obter um panorama do nível de escolaridade das pessoas da comunidade.

Início

  • O que éO que é

    Iinvestigação sobre a escolaridade da população do entorno da escola ou ONG.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    Jornais e revistas com divulgação de pesquisas quantitativas simples sobre problemas do cotidiano, bloco de anotações, lápis ou caneta, gravador ou celular que grave, folhas de papel pardo.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de atividades, de informática e no território.

  • DuraçãoDuração

    Dois encontros de aproximadamente 1h30min.

  • FinalidadeFinalidade

    Ter um panorama do nível de escolaridade das pessoas de sua comunidade.

  • ExpectativaExpectativa

    Aprender a fazer a leitura do território por meio de coleta e organização de dados; saber abordar as pessoas adequadamente, para obter informações.

Na prática

1º encontro: Entrando em contato com o assunto.

Após a acolhida inicial, anuncie que o tema da oficina em questão será a escolaridade das pessoas que vivem no território. Será que eles têm ideia do nível de escolaridade que predomina no seu território? Faça um levantamento prévio com eles. Quantos têm pais que terminaram o ensino fundamental? E o ensino médio? Alguns terão cursado a universidade? Serão maioria ou minoria? E os irmãos mais velhos? Estão estudando? Pararam? Por quê? Se pararam, pretendem voltar a estudar?

Pergunte se consideram importante conhecer esses dados sobre a sua comunidade e por quê. Provoque-os a fazer uma pequena investigação de campo. Não se trata de uma pesquisa científica, mas de uma pequena investigação, junto a um conjunto de pessoas do bairro, para terem um panorama da tendência de escolaridade na região. Mas, é claro que a ajuda de um professor de Matemática ou de Estatística será muito bem vinda, se houver algum por perto!

Para começar, é bom que olhem algumas pesquisas simples, por exemplo, uma pesquisa de opinião sobre a popularidade de um prefeito ou uma pesquisa sobre quantas bibliotecas têm os diferentes bairros da cidade ou, ainda, a preferência das pessoas por um tipo de filme.

Organize-os em grupos e distribua alguns jornais ou revistas, previamente selecionados por você, que tragam esse tipo de pesquisa, para que vejam como foram coletados os dados (nº de pessoas entrevistadas; que pessoas são essas- sexo, idade, classe social; forma de realização da entrevista- presencial ou por telefone) e como foram organizados (tabela, gráfico de pizza).

Depois de um certo tempo (aproximadamente 50 min.), abra a roda para  que eles possam falar sobre suas percepções a respeito das pesquisas que leram e chame a atenção deles para  as perguntas que foram feitas às pessoas, pois  a natureza delas determina o nosso maior ou menor sucesso na obtenção das respostas.

Discuta com eles: no caso de se querer saber o nível de escolaridade das pessoas do entorno, que perguntas pensam que deveriam ser feitas? Anote as propostas no quadro ou num cartaz e depois discuta uma a uma, com eles, para verificarem as que são realmente adequadas e importantes. Veja algumas sugestões no anexo 1. Em seguida, é importante definir quantas e quais pessoas serão entrevistadas. Proponha que cada um entreviste cinco famílias vizinhas da sua. Ver detalhes sobre como conduzir uma entrevista na oficina  “A comunidade na primeira página” ou “Memorial da ONG/escola”.

Forme uma comissão para digitar e reproduzir o questionário para todos, releiam juntos as perguntas para esclarecer eventuais dúvidas em relação às questões e combine com eles uma data para trazerem as respostas dos entrevistados e darem continuidade à oficina.

2º encontro: Organizando e lendo os dados.

Neste encontro, primeiramente, os adolescentes ou jovens irão socializar os dados de suas entrevistas, em pequenos grupos, confrontando-os com os dos colegas, A leitura dos dados deverá seguir a ordem das questões da entrevista.

Cada um lê as respostas da primeira questão e, quando o último expositor citar seus números, o grupo fará uma parada para comentar o que mais chamou sua atenção sobre o conteúdo que a rodada da questão trouxe. Um deles ficará responsável por anotar esses comentários para socializar no coletivo, depois. A seguir, o grupo fará a rodada da segunda questão e assim por diante, até finalizar o questionário. Após 40min, aproximadamente, abra a roda e cada grupo contará as principais observações feitas, nessa primeira aproximação das respostas dos entrevistados.

O próximo passo é fazer a tabulação dos dados, que deve ser coletiva e coordenada por você, que se utilizará do quadro ou de uma folha grande de papel pardo, previamente organizada, como sugere o anexo 2.

Seguindo também a ordem das questões, vá perguntando, grupo por grupo, a quantidade de pessoas que se enquadram em cada situação, marcando, na forma de quadrados, um sinal para cada pessoa. A cada cinco respostas, feche o quadrado com um traço ao meio, como a figura que segue:

/

Quando terminarem de levantar os valores obtidos em cada questão, peça que somem as respostas e registrem o total na tabela da lousa ou do cartaz.

Mas, ao fechar cada questão, convide-os a olhar o total das respostas registradas e analisem, juntos, o panorama geral que elas mostram, avaliando se confirmam o que já haviam percebido anteriormente nos pequenos grupos ou não e se os dados são favoráveis ou desfavoráveis em relação ao que se está pesquisando: o nível de escolarização das pessoas da comunidade. Registre as considerações feitas por eles, num outro cartaz, ao lado.

E se?

Se eles não atentarem para a gravidade de alguns dados, chame a sua atenção, mostrando o que significa. Por exemplo: se vários adolescentes deixaram o ensino médio, isso é muito ruim. Analisem as razões dadas pelos entrevistados para terem deixado de estudar e discutam as possibilidades de retorno desses jovens aos estudos, como por exemplo, retomar o curso regular numa escola que considerem mais adequada para si, entrar num curso supletivo, ou estudar sozinho e prestar o Encceja, vinculado ao Enem.

Hora de avaliar

Abra a roda para a avaliação da oficina, discutindo com eles o produto a que chegaram: os dados já eram previsíveis ou causaram algum impacto? O que mais os impressionou?Que hipóteses levantam a respeito das razões que produziram a situação impactante?

Estimule também que eles se manifestem em relação ao processo vivido. Como se sentiram como “pesquisadores”? E quanto à organização dos dados? Foi difícil? Gostaram de analisar, relacionar as tabelas de respostas, tirando algumas conclusões, a partir delas? E o contato com as pessoas da comunidade, foi bom? Que reações a abordagem para a pesquisa despertou nelas?

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

Com a ajuda de um professor de Matemática, os adolescentes ou jovens poderão montar gráficos que expressem de forma simples e clara as conclusões a que chegaram. Esses gráficos poderão ficar expostos na instituição e divulgados, eventualmente, numa rádio ou jornal local.

Dependendo das informações produzidas pelas entrevistas, o grupo também poderá assumir alguns encaminhamentos, como:

– convidar os gestores da(s) escola(s) próximas para um encontro em que possam analisar os principais problemas apresentados na pesquisa e discutir os caminhos oficiais para tentar equacioná-los;

– contatar o Conselho Tutelar para discutir a necessidade de auxiliar no retorno de adolescentes e jovens para os estudos regulares;

– desencadear uma campanha para divulgar os cursos de EJA e o Encceja para a comunidade.

 

Para saber mais

O INAF- Indicador de Alfabetismo Nacional – foi criado em 2001, pela ONG Ação Educativa e pelo Instituto Paulo Montenegro, para acompanhar o nível de alfabetismo da população brasileira e, consequentemente, as políticas públicas de escolarização das diferentes faixas etárias. O INAF define quatro níveis de alfabetismo:

Analfabetismo: corresponde à condição dos que não conseguem realizar tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases ainda que uma parcela destes consiga ler números familiares (números de telefone, preços, etc.).

Nível rudimentar: corresponde à capacidade de localizar uma informação explícita em textos curtos e familiares (como, por exemplo, um anúncio ou pequena carta), ler e escrever números usuais e realizar operações simples, como manusear dinheiro para o pagamento de pequenas quantias ou fazer medidas de comprimento usando a fita métrica.

Nível básico: as pessoas classificadas neste nível podem ser consideradas funcionalmente alfabetizadas, pois já leem e compreendem textos de média extensão, localizam informações mesmo que seja necessário realizar pequenas inferências, leem números na casa dos milhões, resolvem problemas envolvendo uma sequência simples de operações e têm noção de proporcionalidade. Mostram, no entanto, limitações quando as operações requeridas envolvem maior número de elementos, etapas ou relações.

Nível pleno: classificadas neste nível estão as pessoas cujas habilidades não mais impõem restrições para compreender e interpretar textos em situações usuais: leem textos mais longos, analisando e relacionando suas partes, comparam e avaliam informações, distinguem fato de opinião, realizam inferências e sínteses. Quanto à matemática, resolvem problemas que exigem maior planejamento e controle, envolvendo percentuais, proporções e cálculo de área, além de interpretar tabelas de dupla entrada, mapas e gráficos.

Segundo o INAF de 2011, de dez anos para cá, houve avanços, que se localizam, principalmente, na transição do analfabetismo absoluto ou da alfabetização rudimentar para um nível básico de habilidades de leitura e matemática. Por outro lado, durante todo o período, mantém-se em torno de pouco mais de ¼ da população a fração dos que atingem um nível pleno de habilidades, aquele que seria, em princípio, esperado ao se completar os 9 anos do ensino fundamental.

Assim como nas edições anteriores, os resultados do INAF 2011 evidenciam a escolarização como o principal fator explicativo dos níveis de alfabetismo da população brasileira, entre 15 e 64 anos; quanto maior a escolarização, maior também é a probabilidade de se alcançar os níveis mais altos de alfabetismo.

Entre aquelas pessoas sem nenhuma escolaridade, quase a totalidade (95%) são analfabetas funcionais, sendo que 41% foram consideradas de nível rudimentar

. Entre aquelas que completaram de uma a quatro séries de escolaridade, mais da metade (53%) permanece nos níveis do analfabetismo funcional, com 45% chegando ao nível rudimentar. O nível básico é alcançado por menos da metade de grupo (43%) e só 5% atingem nível pleno .

A maior parte dos indivíduos que completaram, no mínimo, um ano/série do segundo ciclo do ensino fundamental atinge o nível básico de alfabetismo (59%). Vale notar, no entanto, que um quarto das pessoas com essa escolaridade (26%) ainda podem ser classificadas como analfabetas funcionais.

Entre as pessoas com ensino médio, nível no qual se esperaria que todos ingressassem já com alfabetismo pleno, temos apenas 35% nesse patamar. A maioria permanece no nível básico (57%). Mesmo entre as pessoas com nível superior, o nível pleno fica longe de corresponder à totalidade, abarcando apenas a 62%.

A realidade que nos mostra o INAF é preocupante; muito investimento precisa ocorrer, na educação, na esfera federal, estadual e municipal, para que possamos superá-la.  E isso só vai acontecer por pressão da população.  O primeiro passo é conhecer os dados que nos mostram as pesquisas e a realidade que está à nossa volta.

 

Fontes de Referência

INAF Brasil 2011. Indicador de Alfabetismo Nacional. Principais Resultados.

Encceja

Enem

Gostou?

Então acesse a oficina “Percursos dos jovens na cidade”

 

 

Obs: Os links informados na oficina foram visitados em 16 de junho de 2015, às 18h.

 

Anexo 1 – Questionário  

1. Quantas pessoas moram na casa?……………….

2. O(s) responsável (veis) pela família completou(taram)

of1jpg

 

3. Tem crianças e jovens? Estudam? Em que série/ano?

of2jpg

 

4. Alguém trabalha e estuda? ______________________________________________

5. Alguém parou de estudar? Em que série/ano? ______________________________

_____________________________________________________________________

6. Por quê?____________________________________________________________

_____________________________________________________________________

 

Anexo 2

of3jpg

 

of4jpg

 

 

of5jpg

 

of6jpg

Razões que levaram a parar de estudar: _________________________________

_____________________________________________________________

_____________________________________________________________

_____________________________________________________________

_____________________________________________________________

 

Participe

Eu fiz assim…

Você já realizou esta oficina?
Nos comentários abaixo, conte para nós: o que deu certo? O que precisou ser modificado? O que foi ampliado? Ajude a plataforma a aprimorar o Banco de Oficinas!

Faça um comentário!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Total de 0 comentário(s)