Educação&Participação

Plantio de jardim e reflexão sobre o meio ambiente.

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  • O que éO que é

    Plantio de jardim e reflexão sobre o meio ambiente.

  • PúblicoPúblico

    Crianças e adolescentes.

  • MateriaisMateriais

    Projetor; internet; folhas de papel pardo; pincéis atômicos; mudinhas de flores; vasos grandes e pequenos; terra adubada; instrumentos de jardinagem; pá, rastelo, regador e luvas grossas.

  • EspaçoEspaço

    Espaços da instituição e/ou terreno ou praça próximos.

  • DuraçãoDuração

    Dois encontros de aproximadamente 90min cada.

  • FinalidadeFinalidade

    Conscientizar-se dos diferentes e até contraditórios interesses sociais em jogo na luta pela sustentabilidade da vida humana e do planeta; colocar em pauta, na instituição e na comunidade, a discussão sobre urbanização e sustentabilidade.

  • ExpectativaExpectativa

    Expressar e comunicar, com propriedade, ideias e propostas visando ao bem comum; saber trabalhar em equipe, cuidando de si, do outro e do ambiente.

Na prática

Como desenvolver?

Primeiro encontro: Conhecendo a flor de Saramago.

Será que sua turma já ouviu falar algo a respeito do escritor português José Saramago? Pergunte a eles.

Comente que esse escritor, nascido em 1922, morreu em 2010 e tinha relações afetivas fortes com nossa gente brasileira, tendo visitado o nosso país várias vezes; um de seus livros, Ensaio sobre a cegueira, foi transformado em filme pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles, o diretor de Cidade de Deus. Ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1998.

Saramago escrevia basicamente para adultos, mas foi autor também de algumas histórias para crianças. Uma delas, bem bonita, é A maior flor do mundo, publicada em 2001, que, metaforicamente, nos alerta para os cuidados com a natureza e com a vida.

O personagem é um menino que conseguiu fazer uma flor crescer e se transformar na maior flor do mundo, dando sombra, como se fosse uma grande árvore, numa região de floresta devastada pela mão humana.

Esse livro foi transformado em um belíssimo curta-metragem por Juan Pablo Etcheverry, uruguaio radicado na Espanha, em 2007. A música, também muito bonita, é do cubano radicado na Espanha, Emilio Aragón. Convide-os a assistir à animação, de 9min55s, acessando este site.

Depois de projetado o vídeo, converse com as crianças e os adolescentes sobre a história: em que cenário se desenrola (destruição da natureza de um lugar para construção de imóveis); como as pessoas respondem aos sinais da natureza e das crianças sobre o que está acontecendo (não percebem, não prestam atenção, parece natural o que está acontecendo); como o menino se comporta ao descobrir a dimensão dos fatos (cuida de dar água à flor para que não morra); qual a sua recompensa (a flor cresce e se torna a maior flor do mundo, protegendo-o, dando sombra e tornando-se visível para todos, escancarando o problema em questão).

Discuta com eles se acham possível atender às necessidades humanas sem destruir as condições do ambiente para as futuras gerações. Será que os seres humanos estão dispostos a colocar o interesse da humanidade acima do interesse próprio, do dinheiro e do lucro?  Há muita gente que acredita que sim e luta para isso, participando de projetos e de movimentos sociais em todo o planeta. O que acham disso?

Pergunte a eles se, como o personagem do livro, gostariam de cuidar de uma flor; ela poderá não ser a maior do mundo, como a do personagem de Saramago, mas certamente terá o mesmo valor e também chamará a atenção das pessoas, como a dele, principalmente se convidarem todos da instituição a plantarem juntos, formando pequenos jardins espalhados dentro dela – em espaços vazios e em vasos – e fora dela – em pequenos terrenos vazios próximos ou canteiros de praças.

E se?

Se optarem por também florir locais fora da instituição, não devem se esquecer de solicitar autorização ao poder público ou aos donos dos terrenos vazios. Além disso, será importante verificar se esses terrenos estão devidamente limpos, evitando eventuais acidentes.

Para isso vão precisar fazer ampla divulgação da proposta, na instituição e na comunidade, além de uma campanha para arrecadar mudinhas de flores, terra adubada, vasos e instrumentos de jardinagem.

De início, peça que, com base nas considerações feitas, pensem em mensagens que achariam importantes passar para as outras pessoas com as quais convivem, a fim de compartilhar as suas preocupações e a proposta.

E se?

Se sua turma for constituída por adolescentes, você poderá estimulá-los a percorrer as salas de crianças menores e projetar o curta-metragem, conversando com elas, posteriormente, sobre a história e explicando a iniciativa de construção dos pequenos jardins, convidando-os a participar de alguma forma.

Disponha as folhas de papel pardo pelo chão e sugira que colem umas nas outras, formando um grande painel, no qual todos escreverão suas mensagens; depois de pronto, colem em uma das paredes da instituição pela qual todos passem.Em seguida, organize-os em grupos para arrecadarem as mudas de flores e os materiais de jardinagem necessários. A oficina “Vamos florir a margem do rio?”, deste banco, traz todas as dicas para esse planejamento e a organização das ações.

Segundo encontro: Construindo os jardins.

Quando já tiverem em mãos as mudas de flores e os materiais necessários, em quantidade considerada suficiente para causar um certo impacto na instituição e na comunidade, poderão marcar e divulgar a data do plantio, para que os profissionais e os usuários da instituição, assim como os familiares voluntários, possam se organizar para um dia de jardinagem.

No dia marcado, deverão ser formados grupos que reúnam crianças, adolescentes e adultos; os adultos e adolescentes que já têm experiência com jardinagem, poderão colaborar bastante, liderando os grupos. Devem começar o plantio pela instituição e, em seguida, sair para a comunidade.

É interessante que saiam organizados e juntos, com alto-falante, se possível, anunciando a ação a ser praticada e explicando às pessoas por que e por onde ela acontecerá.

 

Hora de avaliar

Terminado o plantio, de volta à instituição, cabe uma avaliação acerca do que aprenderam com esta oficina e com as ações desencadeadas por ela.

Proponha que expressem quais são essas aprendizagens e como sentiram o processo vivido: Foi bom fazer juntos algo pela comunidade? Conseguiram trabalhar bem em equipe? Houve problemas de entrosamento nos grupos? Se houve, como resolveram? Vislumbraram a possibilidade de mudar algo, para melhor, em seu espaço de convivência diária? O quê? O que acham que precisa ser feito para continuar essa empreitada?

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

É possível solicitar aos comerciantes e moradores locais a ajuda na manutenção dos jardins plantados e sua expansão para outros locais e instituições. Uma comissão de adolescentes e adultos poderá receber as inscrições dos comerciantes e dos moradores para “adotarem” os pequenos jardins próximos às suas moradias. Também poderão formar, com esses voluntários responsáveis, um e-group para se comunicarem a respeito dos jardins. Exemplo: Estão florindo? De que material estão precisando para a conservação e quem poderia fornecer?

As crianças e os adolescentes poderão utilizar esses jardins como objeto de conhecimento para as aulas de Ciências Físicas e Biológicas. Nesse caso, é importante fazer uma aliança ou uma integração com os professores de Ciências da escola.

Para saber mais

Os impactos ambientais acontecem por causas naturais, mas vêm sendo acelerados pela ação humana, em função do sistema produtivo existente na sociedade capitalista, que visa ao lucro acima da sustentabilidade.

O desmatamento, processo de desaparecimento de florestas, por exemplo, é causado principalmente pela atividade humana, gerando grande impacto ambiental. No Brasil, desmata-se muito para a obtenção de solo para a agropecuária, para a indústria madeireira e para a especulação imobiliária, o que ocorre, de maneira geral, sem preocupação com as consequências dessa ação no meio ambiente e com pouca fiscalização governamental e da sociedade.

O desmatamento ou desflorestamento provoca danos muito sérios ao meio ambiente, como a destruição da biodiversidade, com a extinção de espécies vegetais e animais, o que, por sua vez, pode levar à proliferação de pragas em função do desequilíbrio nas cadeias alimentares, pois algumas espécies começam a se multiplicar exageradamente por falta de predadores.

As nossas florestas tropicais são muito ricas em biodiversidade, abrigando mesmo espécies animais e vegetais que ainda são desconhecidas ou pouco estudadas pelos pesquisadores. Os povos indígenas, particularmente os que habitam a Amazônia, são conhecedores desse patrimônio, mas eles mesmos têm sofrido a ameaça de extinção, com a invasão de seus territórios.

A erosão é outro efeito devastador do desmatamento porque, com a retirada da camada superficial dos solos, eles ficam empobrecidos, tornando-se, muitas vezes, inviáveis para a agricultura. Ela ocorre porque, com a extinção da vegetação, sem as árvores para servir de anteparo, as águas das chuvas vão direto para o solo. As árvores servem como anteparo para as gotas de chuva, que escorrem por seu tronco, infiltrando-se no subsolo; além de diminuir a velocidade de escoamento superficial da água, suas raízes ajudam a retê-la no solo.

A erosão também provoca o assoreamento (obstrução, por sedimentos, areia ou detritos, que reduz a profundidade dos rios, lagos, mares) e, com isso, causa desequilíbrios nos ecossistemas aquáticos, além de enchentes.

Acrescem a lista das consequências negativas do desmatamento a possibilidade de extinção de nascentes, de diminuição dos índices pluviométricos, de elevação da temperatura e de desertificação, pela falta de infiltração de água das chuvas no subsolo e consequente ausência de evaporação.

Olhando para todo esse estrago, fica evidente a necessidade de serem implementadas medidas urgentes para evitar e fiscalizar o desmatamento, além de outras ações que causam impacto ambiental. Os seres humanos só têm a ganhar do ponto de vista social, ambiental e até econômico com a preservação das florestas, que podem ser exploradas de forma sustentável.

É preciso considerar que os impactos ambientais locais produzidos pelo desmatamento alcançam, para além da região em que acontecem, a escala mundial, uma vez que a queimada de florestas aumenta a concentração de gás carbônico na atmosfera, responsável pelo efeito estufa.

Em 2012, foi votado no Congresso o novo Código Florestal Brasileiro, com muitos pontos polêmicos, deixando, na opinião de especialistas, muitos pontos frágeis em relação à preservação e à recuperação de nossas florestas, frustrando expectativas da sociedade e de movimentos ambientalistas.

Fontes de Referência

Sites:

Ministério do Meio Ambiente;
Cultivando.

Gostou?

Então veja as oficinas deste banco: “Minha cidade sustentável”, “Dominós da Amazônia”, “Rio+20: do que estamos falando?”.

 

Obs: Os links informados na oficina foram visitados em 15 de maio de 2015, às 17h.

Participe

Eu fiz assim…

Neste espaço, você pode postar suas impressões sobre o desenvolvimento das oficinas, dizendo-nos o que deu certo, o que precisou ser modificado, o que deu errado. Com isso, você nos ajuda a aperfeiçoar o banco, além de contribuir com sugestões para outros possíveis usuários.

Você pode participar deixando um comentário abaixo ou enviando um relato sobre a experiência em realizar esta oficina para o e-mail oficina@educacaoeparticipacao.org.br.

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  •    jussara  em