Educação&Participação

Pesquisa e reflexão sobre as diferentes origens do povo brasileiro.

Início

  • O que éO que é

    Pesquisa e reflexão sobre as diferentes origens do povo brasileiro.

  • PúblicoPúblico

    Crianças, adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    Mapa-múndi, alguns globos terrestres (um por grupo), computador com acesso à internet, folhas de papel pardo, pincéis atômicos, giz de cor, revistas, tesoura, cola, reproduções dos quadros “Primeira missa no Brasil”, de Victor Meirelles e “Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro em 1500”, de Oscar Pereira da Silva.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de atividades.

  • DuraçãoDuração

    Dois encontros de 1h30 (para crianças); três encontros de 1h30 (para adolescentes e jovens).

  • FinalidadeFinalidade

    Compreender que nós, seres humanos, somos todos imigrantes de certa forma.

  • ExpectativaExpectativa

    Respeitar as outras nacionalidades, raças e etnias; conviver com a diversidade e a pluralidade.

Na prática

 

Como desenvolver?

1º encontro: Viemos todos de outros lugares.

Receba sua turma com um mapa-múndi exposto na parede e alguns globos terrestres para circularem entre eles.

Anuncie que a oficina que se iniciará terá o objetivo de buscar as suas origens familiares. Por isso, os mapas.

Forme uma roda e peça para cada estudante falar o seu nome e sobrenome. Pergunte se eles têm ideia da origem do seu sobrenome e da sua família. Já ouviram alguém, em casa, comentar sobre o país onde viviam os seus bisavós (pais dos avós), trisavós (pais dos bisavós), tataravós (pais dos trisavós)?

 

E se?
Se alguém tiver informações a respeito da origem de sua família, peça para falar sobre ela e localizar no mapa, com sua ajuda, o país de origem, marcando com um giz de cor.

Se ninguém falar, fale você sobre a sua família. Diga a eles se seu sobrenome é de origem portuguesa, espanhola, moçambicana, italiana, japonesa, boliviana, congolesa, coreana, angolana ou outra. Para identificar o país de onde veio sua família, marque com giz colorido no mapa-múndi.

 

E se?
Se na turma houver algum(a) estudante que imigrou recentemente para o Brasil, dê a palavra a ele(a) para falar de onde veio, peça para identificar no mapa esse lugar, com sua ajuda, e contar um pouco sobre o processo da mudança de país.

Diga aos demais que será bem interessante conhecer algumas coisas sobre o país de origem do(a) colega. Que tal marcarem um dia, se ele(a) consentir, para entrevistá-lo(a) e conhecer algumas coisas sobre seu país, sua cidade, como era  sua escola, do que sente saudades, do que gosta e não gosta daqui?

Se esse for o seu caso, veja o interessante trabalho realizado em duas escolas da cidade de São Paulo, cuja quantidade de alunos imigrantes tem recentemente aumentado bastante. A reportagem Diversidade cultural na perspectiva da educação integral: o trabalho de duas escolas em São Paulo encontra-se no site Educação e Participação (Cenpec e Fundação Itaú Cultural).

Marcado o dia com o(a) estudante imigrante, continue a oficina. Pergunte à turma se sabia que todos nossos ancestrais (antepassados, familiares mais antigos) um dia, há muito tempo, ou não, também vieram de fora do Brasil. Já haviam pensado nisso?

Naturais daqui mesmo… só os índios, que viviam nestas terras há milênios e milênios, quando aqui chegaram os portugueses… Eram eles os únicos habitantes do país, os donos desta terra. Mesmo assim, eles também chegaram aqui um dia… da Ásia, via estreito de Bering. Foram os primeiros humanos a habitar o país. Portanto, uns antes, outros depois, todos viemos de fora…

Como documento, mostre a eles duas reproduções de pinturas indicadas abaixo que retratam o Brasil da época da chegada dos portugueses, com os povos que habitavam nosso país: os povos indígenas

  • A primeira missa no Brasil.
    Fonte: virusdarte.net

    Pintura de Victor Meirelles (1860) – (Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Brasil).

 

  • Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro em 1500.
    Fonte: wikimedia.org

    Pintura de Oscar Pereira da Silva – 1922 (Acervo do Museu Paulista – São Paulo, SP).

Explique que depois dos índios, outros homens que chegaram de outros lugares à terra brasileira foram os colonizadores portugueses, que vieram viver no Brasil para explorar suas riquezas e povoá-lo. Em função disso, escravizaram os índios e dizimaram boa parte de sua população para ocupar suas terras. Além disso, muitos índios morreram com as doenças que eles transmitiam.

A partir da colonização, muitos portugueses imigraram para o Brasil, em busca de conseguir terra e enriquecer e, com isso, passaram a viver aqui e povoar a nova terra com seus descendentes.

Sabem o que significa imigrar? Imigrar significa entrar, voluntariamente, em um país que não é o seu de origem para ali viver ou passar um período de sua vida.

As causas da migração das pessoas de um país para outro, na história da humanidade, sempre foram e continuam sendo as mesmas: busca de melhores condições de vida, de trabalho ou de refúgio, em função de conflitos armados nas terras de origem ou de perseguição política, étnica ou religiosa.

Palavras relacionadas a migrações

Migração: deslocamento das pessoas de uma região para outra (estado, país).

Emigração: saída de pessoas de um país em que residia para se fixar em outro. Imigração: entrada, num país, de pessoas que saíram de seus países de origem.

Apátrida: pessoa que não tem nacionalidade reconhecida em nenhum país. (Ex: uma família foi obrigada a sair do Líbano porque o casamento entre um cristão sírio e uma muçulmana libanesa não foi reconhecido naquele país, já que nenhum dos dois se converteu à religião do outro. Os filhos, portanto, não foram registrados e ficaram sem nenhum documento de identidade. Ou seja, são considerados apátridas. Por isso, não conseguiam estudar ou trabalhar na terra onde nasceram. A solução foi emigrar (sair do país). A família solicitou refúgio).

Refugiado: pessoa que sai de onde mora por perseguições em função de raça, religião, nacionalidade, opinião política ou participação em grupos sociais ou então por conflitos armados, violação de direitos humanos ou mesmo problemas ambientais, como secas e inundações. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) é o órgão responsável por zelar pela aplicação das regras internacionais criadas com o objetivo de assegurar proteção aos refugiados. No Brasil, ele é representado pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare).

Exilado: É considerado exilado o indivíduo enviado para fora do seu país por um governo. Uma vez exilado, a pessoa não pode mais voltar para a sua nação, até que receba autorização legal. Geralmente, os exílios são realizados por motivações políticas. Há também o exílio voluntário, quando a pessoa decide, por si, morar fora pelos motivos acima apontados.

Asilado: É reconhecido como asilado todo indivíduo que sofre algum tipo de perseguição em seu país e pede proteção em outro. O Brasil só recebe asilados políticos. Estes precisam de autorização da Presidência da República para entrar no país.

Expulsão: É um ato administrativo do governo contra o estrangeiro que põe em risco a segurança nacional. Também pode ser expulso o estrangeiro que cometa fraude para entrada ou permanência no país. Não pode ser expulso aquele que tem cônjuge ou filho brasileiro.

Extradição: Acontece quando o governo entrega o indivíduo acusado de um crime para ser julgado no país onde está sendo processado. Geralmente, esses casos são orientados por acordos bilaterais entre os países.

Deportação: É o ato de mandar um estrangeiro, em situação irregular, de volta a seu país. Ela é de competência da Polícia Federal. Não confundir com expulsão ou extradição.

Expatriação: É a expulsão da pátria por motivos políticos ou religiosos. Mas, também, refere-se à saída voluntária de um país para ir residir no estrangeiro, como ocorre com muitos funcionários de empresas multinacionais.

Xenofobia: Atitude ou preconceito que rejeita, exclui e, frequentemente, diminui pessoas por serem estranhas ou estrangeiras em relação à sociedade ou à identidade nacional.

Mas, da mesma forma que tem gente que sai de um país, tem gente que procura esse país, no sentido inverso.  Se há, por exemplo, pessoas que migram para o Brasil (vêm para cá, tornando-se imigrantes), há também brasileiros que migram para outros países (saem daqui, são emigrantes). Assim, os seres humanos estão sempre se deslocando no planeta, em movimento.

Às vezes, as pessoas vão para outros países, independentemente de sua vontade. É o caso dos negros africanos, na época da colonização brasileira, que vinham para cá, forçados, nos porões dos navios negreiros (os chamados tumbeiros), para serem vendidos como mão de obra escrava nas lavouras açucareiras do Nordeste. Também é o caso dos refugiados, nos dias de hoje, que buscam a preservação da vida, quando ameaçados por guerras ou catástrofes naturais em seus países de origem, como, respectivamente, os sírios e os haitianos, arriscando paradoxalmente a própria vida, em travessias ilegais e perigosas.

A abolição da escravatura no Brasil, em 1888, que deveria ser favorável aos escravos, não criou, no entanto, condições para a oferta de trabalho e vida digna a eles. Mesmo que quisessem voltar para a África, não tinham recursos e também já não eram mais africanos e, sim, brasileiros, porque nasceram aqui e aqui viveram… Assim, eles, livres, sem trabalho, permaneceram em condições sociais bem difíceis, as quais se refletem na vida da população negra até hoje.

Nessa ocasião, incentivada pelo governo brasileiro, que pretendia “embranquecer” a população, em função do preconceito contra o negro, e pelos fazendeiros das então lavouras de café, que não queriam contratar e pagar salários aos ex-escravos, cresceu consideravelmente o número de imigrantes no Brasil.

Os principais grupos que chegaram aqui, nessa época (final do século XIX) e na primeira metade do século XX, foram os portugueses, os italianos, os espanhóis, os japoneses, os alemães, os eslavos e os sírio-libaneses, que tiveram grande impacto na vida econômica e social do país e na formação de sua gente.  Além de virem para trabalhar nas lavouras, muitos também vieram para trabalhar nas indústrias e no comércio das cidades. Cada povo com seus costumes influenciou e foi influenciado por outros povos que aqui viviam, constituindo assim a cultura brasileira.

Já na segunda metade do século XX, o Brasil recebeu coreanos, chineses, bolivianos, peruanos, paraguaios e africanos. Essa nova leva de imigração não foi tão impactante quanto a primeira, mas também contribuiu para a vida socioeconômica e cultural brasileira.

Todos os imigrantes vieram em busca de condições melhores de vida para si e seus descendentes. Atualmente, dentre os mais recentes imigrantes no Brasil, destacam-se os bolivianos e os haitianos.

Quanta gente diferente veio para cá, na história do Brasil, não? Pois é, nós descendemos deles, nossas famílias vêm daí e nossos costumes também. O que acham disso?

A rica diversidade étnica e cultural que temos no Brasil, hoje, de ponta a ponta, deve-se à presença de tantos povos diferentes no decorrer da história do país: nossa gente, nossa comida, nossa música, nossa arte.

Todos os povos, todas as nacionalidades que escolheram ou foram obrigados (no caso dos escravos) a imigrar para o Brasil, desde a sua ocupação pelos portugueses, foram muito importantes para a constituição de nossa população e de nossa cultura.

Faça uma provocação a eles: que tal conhecerem um pouco dos seus antepassados?

Proponha que façam uma pesquisa com as suas famílias para saberem da sua origem. Provavelmente, seus pais ou avós devem ter ouvido algumas histórias dos pais e avós deles sobre os antepassados e suas origens…  Quantas coisas poderão descobrir…

Para saber o que pesquisar, organize a turma em grupos e oriente que pensem, por aproximadamente 20 minutos, nas perguntas que gostariam de fazer às famílias: o que seria interessante perguntar? Que curiosidades eles têm?

Circule pelos grupos para ajudá-los. Após esse tempo, abra a roda para socializarem as suas produções.

Analise com eles todas as perguntas sugeridas, para que sejam pertinentes e ajudem na recomposição do trajeto das famílias até chegarem ao lugar onde estão. Será importante obter, por exemplo, informações sobre o país de origem dos antepassados, época em que ocorreu a sua imigração para o Brasil, costumes que passaram para a família (comida, objetos, festas que comemoravam, etc.).

Oriente que procurem os parentes mais antigos ou amigos deles, para fazerem uma entrevista e gravar as respostas no celular. Podem entrevistar mais de um parente para entender melhor as informações que obtiverem. Será interessante também pesquisar objetos antigos existentes ainda na família e fotos. Combinem um prazo mais adiante para trazerem as informações, as fotos e os objetos.

Exemplo de entrevista possível para a pesquisa:

  • Nome e sobrenome do entrevistado e parentesco.
  • De onde vieram os familiares mais antigos? De que país?
  • Quando vieram para o Brasil? Para que lugar? Em que trabalharam?
  • Que comidas ainda se faz na família, que eram receitas dos antigos?
  • Tem alguma música da qual se lembram de ter aprendido com eles? Como é? Poderia cantar um trecho dela para gravar?
  • Há alguma palavra ou expressão que a família ainda hoje usa? O que significa?
  • O que mais gostaria de falar?

E se?

Se vocês combinaram de entrevistar o estudante que imigrou recentemente para o Brasil, utilizem o período em que os estudantes estarão fazendo a pesquisa para realizá-la. Vocês poderão utilizar vários encontros, se necessário, antes de trazerem os resultados da pesquisa.

Oriente que cada um pense em uma pergunta a respeito do que gostariam de saber do colega e escrevam. A cada encontro (se for mais de um), forme uma roda e realizem os combinados para a fluência da entrevista. Será interessante fotografarem, filmarem e registrarem as respostas do colega para organizar um folheto, um jornal, um podcast no site ou blog da escola ou mesmo um painel a ser disponibilizado para todos da instituição.

 

2º encontro: Identificando as origens.

Professor/Educador, antes deste encontro procure investigar se há alguma predominância da origem dos habitantes do lugar onde a escola está inserida para identificar, no caso, as raízes e a razão da fixação no local. Sempre há um motivo social, econômico e/ou cultural, marcado historicamente para a ocupação do lugar. É importante conhecer a realidade local para ajudar os estudantes a compreenderem a sua origem.

Neste encontro, serão trabalhados os dados que trouxeram da pesquisa familiar. Organize a roda e em seguida um por um deverá contar o que descobriu da sua família.

Quem falar deve inicialmente identificar, com sua ajuda, o país de origem do antepassado no mapa-múndi e fazer nele uma marca com giz de cor. Peça a todos que prestem bastante atenção às histórias contadas, às canções (se houver), às fotos e objetos.

Conforme forem contando suas histórias, registre na lousa ou em cartazes os países de origem que vão aparecendo, as comidas, as músicas, as danças, as expressões usadas.

E se?

Se alguém não quiser falar (por timidez, constrangimento ou por não ter conseguido fazer a entrevista com familiar mais velho), não insista. Mas, depois, particularmente, converse com ele (ela) para saber a razão, a fim de poder ajudá-lo (a) tanto a conseguir as informações como se colocar, oportunamente, no grupo.

Se alguns não chegarem aos antepassados mais remotos, parando em avós ou bisavós, brasileiros, não tem importância. Coloque a marca no estado brasileiro de origem (com giz de outra cor, para diferenciar o movimento de migração externo do interno) e incentive que pesquisem mais quando puderem e tiverem oportunidade.

Depois que todos tiverem falado, peça que olhem para os cartazes e observem quantas nacionalidades diferentes têm ali, a variedade de comidas, músicas e expressões que coletaram. Pergunte se sabiam da origem das comidas citadas, por exemplo.

Chame a atenção para o fato de como nós todos nos apropriamos de costumes originariamente típicos de algum grupo, sem nos darmos conta, como se fossem nossos, porque eles passam a ser corriqueiros, comuns, em nossas vidas. Por exemplo, quem nunca comeu:

  • cocada? (herança dos negros escravos);
  • esfiha e quibe? (sírios e libaneses);
  • pizza? (italianos);
  • bacalhau? (portugueses);
  • torta de maçã? (alemães);
  • churros? (espanhóis);
  • etc.

Chame a atenção também para o fato de não haver nomes africanos nas famílias. A não ser que haja imigrante recente desse continente na sua turma, não se encontrarão sobrenomes africanos. Isso porque os escravos africanos quando aqui chegavam não tinham direito de manter o seu próprio nome e, assim, recebiam um nome português.

Conte para eles algumas curiosidades sobre as influências de cada povo que formou a cultura brasileira. Você pode usar o flip chart ou alguns cartazes, organizando as informações que trazem essas influências (ver boxes anexos, ao final).

E se?

Se sua turma for de crianças, termine a oficina aqui, propondo que construam um painel com desenhos e recortes de revistas que expressem a diversidade da cultura brasileira que encontraram na pesquisa e que é fruto do legado de vários povos.

Continue a oficina para os adolescentes e jovens, projetando para eles o vídeo “O Povo Brasileiro”, indicado abaixo (o quarto vídeo de uma série de 10, com depoimento do autor), do reconhecido antropólogo brasileiro, Darcy Ribeiro, para que tenham uma visão ampliada do legado das primeiras raízes do povo brasileiro (o índio, o europeu português e o negro).

Considere, educador, a irreverência do antropólogo em algumas passagens do seu depoimento, dada à força de suas ideias e paixão, o que de forma alguma tira o brilho, a seriedade e a compreensão humana dos fatos passados.

Para que saibam a importância de Darcy Ribeiro para a formação do pensamento brasileiro, projete antes um pequeno vídeo, de apenas seis minutos, da TV Senado, que dá um panorama de sua importante atuação em prol do país e da gente brasileira.

Documentário: Darcy Ribeiro (Grandes Personagens)

 

Documentário: Vídeo da série “O Povo Brasileiro” (Darcy Ribeiro)

 

Após a projeção do vídeo, abra um debate sobre as impressões provocadas por ele: quais foram os impactos? O que foi significativo? Com o que concordam ou discordam? Por quê?
Para finalizar o encontro, proponha que construam um painel com desenhos e recortes de revistas que expressem a diversidade da cultura brasileira, consequência da participação de vários povos na vida do país.

3º encontro: Sejam todos bem-vindos!

Comece o último encontro projetando o vídeo da música “Encontros e Despedidas”, de Milton Nascimento e Fernando Brant, hospedado no site do YouTube abaixo. Distribua a letra impressa para que acompanhem e cantem junto.

 

Abra para os comentários. Que relação eles veem com o assunto que vêm discutindo há dois encontros? O que quer dizer essa letra?
Parece que ela define bem o movimento de ida e vinda das pessoas pelos lugares, em busca de alguma coisa importante… E é por isso que vemos gente entrando e saindo dos países a toda hora.

Chame a atenção para o lugar onde está o cantor, próximo à Estátua da Liberdade, nos Estados Unidos, na Liberty Island, uma pequena ilha localizada perto da entrada do porto de Nova York. A estátua foi doada pelo governo francês, como presente de seu povo, para a comemoração do centenário da independência dos Estados Unidos e se tornou o símbolo da liberdade.

Ao lado de Liberty Island há outra pequena ilha, a Ellis Island, que serviu de centro de triagem para os milhões de imigrantes que chegaram aos Estados Unidos no século XIX e início do século XX, de 1892 até 1954. Metade da população dos Estados Unidos tem alguma ligação com a Ellis Island. Hoje, em Ellis Island, existe o Museu da Imigração, que conta a história da imigração para os Estados Unidos e o papel de Nova York nessa história.

Como já se viu, o movimento da humanidade em busca de vida melhor sempre existiu e continua a existir pelos quatro cantos do mundo. No entanto, em ritmo e número, nunca foi como atualmente, porque hoje os meios de transporte são muito mais rápidos, mais acessíveis e… possibilitam a volta.
Já pensaram em quantas pessoas de outros países chegam todo dia ao Brasil e quantos brasileiros saem?

É importante considerar que não se tem um número preciso da quantidade de imigrantes nem de emigrantes no Brasil e no mundo, em função da situação irregular de entrada ou de estada das pessoas nos lugares, o que as leva a não se pronunciarem muitas vezes, com receio de se exporem e serem deportadas.

O que se tem são estimativas e, mesmo assim, encontram-se muitas vezes dados díspares entre os apresentados por instituições diferentes, em função da não declaração das pessoas, do aumento ou diminuição do fluxo de imigração em certos períodos de tempo (guerras, catástrofes, miséria) e, inclusive, da diferença de metodologia adotada por tais instituições para a obtenção dos dados.

O número estimado de migrantes internacionais, no mundo, segundo informações do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA), em 2015, era de 244 milhões – um aumento de 41% em relação ao ano 2000. Desses 244 milhões, 20 milhões eram refugiados.

Os imigrantes compõem em média 3% das populações dos países. Há, no entanto, diferenças na distribuição pelas regiões do mundo: na Europa, América do Norte e Oceania, os migrantes são pelo menos 10% da população; na África, Ásia, América Latina e Caribe, menos de 2% são estrangeiros. No Brasil, são 0,9% da população.
Os dados mais atualizados que se tem em relação à migração internacional no Brasil são da Polícia Federal. Segundo dados desse órgão, o Brasil tinha, em 2015, 1.847.274 imigrantes.

Os principais países de origem dos imigrantes que tiveram o Brasil como destino foram os Estados Unidos (51,9 mil imigrantes), o Japão (41,4 mil), o Paraguai (24,7 mil), Portugal (21,4 mil) e Bolívia (15,8 mil).

Já em relação ao número estimado de emigrantes, são os dados do Ministério das Relações Exteriores os mais atuais. Eles se referem a 2,5 milhões de brasileiros no exterior, em 2015.  Os principais países de destino foram Estados Unidos (23,8%), Portugal (13,4%), Espanha (9,4%), Japão (7,4%), Itália (7,0%) e Inglaterra (6,2%).

Anote na lousa ou em cartaz os números de imigrantes e emigrantes referentes ao nosso país e peça para observarem…  São muitos não? Pois é, as pessoas vêm e vão…

E isso é um direito delas e esse direito tem de ser respeitado. É inadmissível maus-tratos aos imigrantes, ou seja, a xenofobia. Já tinham ouvido falar disso? Sabem o que significa?

Explique que xenofobia é um termo derivado do grego – xénos: “estrangeiro”; e phóbos: “medo”. Segundo o dicionário Houaiss, xenofobia significa desconfiança, temor ou antipatia por pessoas estranhas ao meio daquele que as ajuíza, ou pelo que é incomum ou vem de fora do país.

Trata-se da intolerância ou discriminação a determinadas nacionalidades ou culturas, ou seja, a não aceitação das diferentes identidades culturais.

A globalização facilitou os deslocamentos das pessoas pelo mundo para trabalhar, fazer turismo e migrar, na busca de melhores condições de vida ou para obter refúgio de conflitos e guerras. Com as tecnologias da comunicação é possível, hoje, obter informações a respeito de diferentes lugares do mundo e, com os meios de transporte disponíveis, deslocar-se mais rapidamente de um lugar para outro.

Como consequência das migrações, ocorrem, inevitavelmente, encontros de diferentes culturas, raças, credos e religiões, o que certamente contribui para a riqueza cultural e econômica de uma nação.

No entanto, muitos nativos acreditam que seu povo e sua cultura são superiores a outros ou que os imigrantes são responsáveis pelo desemprego, criminalidade e todos os problemas sociais do país, o que não tem fundamentação pelos dados estatísticos que se observam.

No primeiro caso, temos como exemplo o Holocausto, ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha, quando os nazistas exterminaram aproximadamente seis milhões de judeus. Isso porque acreditavam que os judeus eram uma raça inferior e manchavam o nome da Alemanha de Hitler, e, logo, deveriam ser exterminados.

No segundo caso, bem atual, assistimos à xenofobia do governo norte-americano que atribuindo ao estrangeiro, particularmente ao mexicano, a causa do desemprego no país, luta por restringir a entrada de imigrantes nos USA, buscando construir, inclusive, um grande muro de separação com o México.

Na verdade, os imigrantes, quando se deslocam, procurando uma vida melhor, não “roubam” empregos dos nativos do país de destino, mas, ao contrário, assumem postos de trabalho rejeitados por eles, considerados como inferiores, menos nobres, pesados e disponíveis em lugares de difícil acesso. Ou, então, ao contrário, deslocam-se para suprir mão de obra qualificada necessária e inexistente em um determinado país, num momento de sua história. Por isso, é preciso desmistificar tal concepção e acolher os que buscam o que um dia nossos antepassados buscaram aqui: uma vida digna e melhor.

No Brasil, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), entre 2010 e 2015 os trabalhadores imigrantes aumentaram em 131% a presença no mercado formal de trabalho, passando de 54.333 em 2010 pra 125.535 em dezembro de 2015 (reportagem de 7 de dezembro de 2016, da EBC – Empresa Brasileira de Comunicação). A RAIS constitui relatório de informações socioeconômicas solicitado pelo Ministério do Trabalho e Emprego brasileiro às pessoas jurídicas e outros empregadores, anualmente.

No entanto, é preciso considerar que apesar do expressivo crescimento do número de imigrantes no mercado de trabalho os dados indicam que os trabalhadores imigrantes correspondem a menos de 0,5% da força de trabalho no mercado formal brasileiro.

Provavelmente esse número não corresponde exatamente ao real porque muitos imigrantes que estão em situação irregular, ou que não conseguem emprego, estão no mercado informal, mas isso também acontece com muitos brasileiros que também não são absorvidos pelo trabalho formal e, em consequência, não têm carteira assinada e seus direitos garantidos.

Por isso, apesar de não serem precisos, tais dados não deixam de ser uma referência. E eles apontam para a confirmação da pequena quantidade de mão de obra imigrante absorvida, em relação à mão de obra brasileira.

O aumento no número de estrangeiros no Brasil vem sendo acompanhado por certa oposição de parte da sociedade, particularmente por se tratar de imigrantes da própria América Latina, de países mais pobres que o nosso, como bolivianos e haitianos, pelos motivos acima apontados.

Mas, é importante lembrar que o Brasil é um país que foi construído por pessoas de todas as partes do mundo. Assim, não pode tratar os imigrantes como caso de polícia.

Por isso, recentemente foi votada a nova Lei de Migração. Essa Lei (13.445/2017) revoga o Estatuto do Estrangeiro (1980), do período militar, que se baseava no paradigma da segurança nacional, considerando uma ameaça pessoas vindas de fora do país.

A nova Lei de Migração, por outro lado, trata o imigrante como um sujeito de direitos e não como estrangeiro. Além disso, a legislação migratória finalmente se adéqua à Constituição Federal, que determina tratamento igualitário a brasileiros e a pessoas vindas de fora. Nesse sentido, a lei institui o repúdio à xenofobia, ao racismo e a outras formas de discriminação, além de garantir o acesso a políticas públicas.

Essa luta vem de muitos anos e a lei foi conquista de uma ampla mobilização, que pressionou o Poder Legislativo e contou com a importante atuação de organizações da sociedade civil, como a Conectas Direitos Humanos, Missão Paz, Serviço Franciscano de Solidariedade (SEFRAS), Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITTC) e Cáritas Arquidiocesana de São Paulo.

A Organização das Nações Unidas (ONU) também tem promovido várias ações na direção da aceitação dos imigrantes e refugiados, no mundo todo, por parte dos países que os recebem, assim como de iniciativas de solidariedade das cidades e países de destino no seu acolhimento, para ajudar a se inserirem na sociedade.

Projete para eles o vídeo “Cidades Solidárias”, da Agência da ONU para Refugiados, que traz depoimentos importantes sobre o acolhimento a refugiados e imigrantes na América Latina e que desmistifica as razões apontadas para justificar a xenofobia.

Após a projeção, abra para o debate: o que pensam dessa iniciativa da ONU? O que acharam dos depoimentos dos refugiados? São pessoas muito diferentes de nós? O que elas querem?

Para finalizar, peça que, organizados em grupos, leiam a entrevista do professor e antropólogo Sidney Antonio da Silva, da Universidade Federal do Amazonas, que reflete sobre a xenofobia no Brasil, disponível no blog indicado abaixo.

http://blogs.correio24horas.com.br/soteromundo/?p=2457

A seguir, eles deverão construir cartazes com frases estimulando uma nova postura da população em relação aos imigrantes e refugiados, escolhendo, juntos, os locais da instituição, para afixá-los.

 


Agora é com você: o que mudaria no desenvolvimento da atividade?


 

Hora de Avaliar

De volta à sala, em roda, oriente que em duplas elejam três pontos que consideraram mais significativo do assunto trabalhado nos encontros desta oficina. Depois de alguns minutos, abra para que socializem com o grupo.

 


Agora é com você: outras sugestões para avaliar.


 

O que mais pode ser feito?

Um convite a pessoas da comunidade engajadas em movimentos sociais, culturais, OSCs, redes, para uma conversa com os jovens, na qual possam fazer perguntas sobre as atividades desenvolvidas por essas pessoas, como se engajaram, desde quando militam na área e se se sentem realizadas com suas escolhas.

Seria interessante também realizar uma pesquisa ampla nos sites do setor público e das organizações da sociedade civil sobre os espaços de participação social para os jovens, na cidade em que vivem.

 


Agora é com você: o que mais faria?


Crianças – As crianças poderão confeccionar a árvore genealógica da família. Poderão também montar um jogo para compor diferentes árvores genealógicas, a partir de várias fotos e imagens de homens e mulheres de diferentes gerações, raças e etnias que você colocar num baú.

Adolescentes e jovens – Um debate amplo e aberto à comunidade, com professores de História, Geografia e Filosofia, representantes de organizações da sociedade civil e movimentos organizados para discutir a situação de imigrantes e refugiados no país e no mundo: causas, ganhos, problemas, necessidades e conquistas de direitos. Os estudantes podem, a partir daí, desencadear uma campanha na escola, na comunidade e nas redes virtuais, compartilhando o que aprenderam e movimentando o debate.

 


Fontes de Referência

Para ampliar

Migração no mundo de hoje

Migrar significa deslocar-se de um espaço – país, estado, região – para outro. O processo de migração internacional, que compreende a emigração (saída de um país) e imigração (entrada no país de destino), pode ser desencadeado por diversos fatores: desastres ambientais, guerras, perseguições políticas, étnicas ou culturais, causas relacionadas a estudos, busca de trabalho e melhores condições de vida, entre outros. O principal motivo para esses fluxos migratórios internacionais, todavia, é o econômico, ou seja, as pessoas deixam seu país de origem à procura de emprego e melhores perspectivas de vida em outras nações.

O número de migrantes internacionais atingiu o total de 244 milhões em 2015 – um aumento de 41% em relação ao ano de 2000, segundo informações do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA). Destes, 20 milhões são refugiados.

Segundo as Nações Unidas, esse número aumentou mais rápido do que o crescimento da população. Com isso, a quantidade de migrantes totalizou 3,3% da população global em 2015, enquanto em 2000 somavam 2,8%.

“O aumento do número de migrantes internacionais reflete a crescente importância da migração internacional, que tem se tornado uma parte integral das nossas economias e sociedades. A migração bem administrada traz importantes benefícios aos países de origem e destino, bem como para os migrantes e suas famílias”, observou o subsecretário-geral do DESA, Wu Hongbo.

Os principais destinos da migração internacional são os países industrializados, entre eles estão: Estados Unidos, Canadá, Japão, Austrália e as nações da União Europeia. Os Estados Unidos possuem o maior número de imigrantes internacionais.

 

Algumas informações sobre a imigração no Brasil

No Brasil colônia
No Brasil, a vinda de imigrantes iniciou-se com a abertura dos portos brasileiros às “nações amigas”, por D. João VI, em 1808, após a chegada da família imperial portuguesa ao país, fugindo do exército francês.
Os primeiros imigrantes voluntários para nosso país foram os chineses de Macau, trazidos pelo governo para o cultivo do chá, no Rio de Janeiro, em 1808.
Todavia, o primeiro movimento organizado de imigrantes europeus, contratado pelo governo brasileiro, foi o da vinda de suíços para a região serrana do Rio de Janeiro, entre 1819 e 1820. Essa região era conhecida pelo seu clima ameno e relevo acidentado, o mais semelhante que poderia haver com a Suíça, no Rio de Janeiro.
Nesse período, chegaram ao Brasil 261 famílias de colonos suíços, totalizando 1.686 imigrantes. A sua maioria era composta de suíços de cultura e língua francesa. No entanto, muitos logo abandonaram seus lotes e se dispersaram por toda a região serrana e centro-norte do estado do Rio de Janeiro, em busca de terras férteis e mais acessíveis.
O segundo movimento organizado foi de imigrantes alemães, que também se estabeleceram na mesma região, em 1824. A colônia de suíços e alemães originou a atual cidade de Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro. Os alemães também vieram para São Paulo (Parelheiros, Santo Amaro), em 1827.

Após a Independência
Após a Independência, em 1822, a imigração passou a fazer parte da política imperial, preocupada em povoar as terras brasileiras do sul e garantir, assim, a soberania do império.

O governo iniciou, então, o colonato nas fazendas, uma forma de trabalho semiassalariado, em que o imigrante e sua família recebiam o salário misto, entre dinheiro e um pedaço de terra para plantar seu próprio sustento.

Primeiro vieram os alemães e, a partir de 1870, os italianos, que se fixaram nos estados de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Imigrantes eslavos, em sua maioria poloneses, ucranianos e russos, vieram para a região sul do país também, mas em menor quantidade.

Em função das jornadas de trabalho exaustivas e da exploração dos colonos, por parte dos fazendeiros, muitos dos primeiros imigrantes deixaram as plantações de café e partiram para os centros urbanos, onde se dedicaram ao comércio e à indústria.

Após a abolição dos escravos
O momento mais importante da história da imigração no Brasil iniciou-se no fim do século XIX, após a abolição da escravatura, incentivado pelo governo e pelos senhores do café, objetivando utilizar trabalhadores europeus nas plantações de café dos atuais estados do sudeste e sul do país: italianos, portugueses, espanhóis, alemães, japoneses.
Italianos concentraram-se principalmente no estado de São Paulo; portugueses, em São Paulo e Rio de Janeiro; espanhóis no estado de São Paulo; alemães no Rio grande do Sul e Santa Catarina; japoneses em São Paulo e no Paraná. Nunca houve antes uma imigração em massa como essa.

Por um lado, a imigração surgia como solução para resolver a suposta escassez de mão de obra na agricultura, mas também para proporcionar o branqueamento da população brasileira, com a entrada maciça de brancos europeus no país.

Justificava-se a imigração em massa de europeus com a afirmação de que os europeus eram culturalmente superiores aos brasileiros: cultos, profissionais qualificados para exercer qualquer serviço na agricultura ou na indústria. A realidade, contudo, mostrava-se diversa da imagem vendida; a maior parte desses imigrantes não possuía qualificações ou habilidades especiais, tampouco traziam recursos econômicos ou educacionais particulares.

É preciso também considerar que havia na época uma corrente migratória de europeus, em decorrência de transformações socioeconômicas em alguns países da Europa e da maior facilidade de transporte, com a generalização da navegação a vapor e do barateamento das passagens.

A partir das primeiras levas, a imigração se deu pela chamada de familiares ou amigos, já fixados em terra brasileira, que abriam a eles a possibilidade de moradia e trabalho.

Após os primeiros anos de dificuldades extremas, os imigrantes acabaram por se integrar à sociedade brasileira. Em sua grande maioria, ascenderam socialmente, mudando a paisagem socioeconômica e cultural do Centro-Sul do Brasil.

Os sírio-libaneses, que também imigraram para o Brasil no final do século XIX e início do XX, ao contrário dos demais, não vieram para trabalhar em lavouras. Trabalhavam como mascates e com o tempo muitos se tornaram grandes varejistas e industriais. Apesar de espalhados por todo o país, concentraram-se em maior parte na região Sudeste.

Na segunda metade do século XX e início do século XXI
Na década de 70 do século XX, houve algum fluxo de imigrantes entrando no Brasil, vindo principalmente da Coreia do Sul, da China, da Bolívia, do Peru, do Paraguai e de países africanos. Esses imigrantes, porém, já não tiveram o impacto demográfico que tiveram as outras imigrações mais antigas no Brasil.

Na década de 1980, com desemprego em alta e inflação galopante, o Brasil tornou-se um país de emigração, no qual mais saíam pessoas do que entravam. Os brasileiros emigraram, sobretudo, para os Estados Unidos, Portugal e Japão.

Nos últimos anos, o número de imigrantes no Brasil tem crescido de forma expressiva, destacando-se os imigrantes bolivianos, que são empregados nas pequenas indústrias de roupas da capital paulista, em geral propriedade de imigrantes coreanos. Muitos bolivianos vivem no Brasil sem documentação e são explorados e submetidos a jornadas exaustivas de trabalho.

A participação do Brasil na missão de estabilização do Haiti, na ONU, a partir de 2004, ampliou as relações entre os dois países, ocasionando também o aumento de imigração de haitianos para o país.

Algumas contribuições dos imigrantes para a cultura brasileira:

Índios

  • alimentação: pipoca, mandioca, tapioca, beiju, pirão;
  • objetos: canoa, artefatos de cerâmica, gamela, rede;
  • costumes: banho diário;
  • lendas: curupira, saci-pererê, boitatá, iara;
    Veja as lendas no blog indígena
  • vocabulário: açaí, abacaxi, aipim, arapuca, biboca, caiçara, caipira, caipora, capivara, cupuaçu, carioca, catapora, curumim, guaraná, guri, igarapé, ipê, jacaré, jabuticaba, jacarandá, jaguar, jerimum, jururu, maracanã, mutirão, pamonha, paçoca, perereca, pipoca, pirarucu, pitanga, sagui, samambaia, tapioca, tiririca, tucano, urubu. Veja outras palavras no site da EBC – Empresa Brasil de Comunicação.

 

Portugueses

  • língua portuguesa;
  • alimentação: arroz doce, rabanada, bacalhoada, fios de ovos, pastel de Belém;
  • religião católica, procissões e festas (festa junina, folia de reis);
  • danças: fandango, cavalhada, farra do boi;
  • folclore: cuca, bicho-papão, lobisomem e jogos infantis, como as cantigas de roda (o cravo e a rosa, roda pião, peixe vivo);
  • literatura, pintura, escultura, música e arquitetura.

 

Africanos

  • alimentação: vatapá, acarajé, cocada, pé de moleque;
  • instrumentos de percussão: atabaque, cuíca, berimbau e afoxé;
  • danças: capoeira; maracatu, samba, coco, frevo;
  • religião: candomblé, macumba.
  • lendas:Negrinho do pastoreio, Negro d’água, Negão do Caixão
  • Maculelê
  • Criação do Mundo e dos Orixás
  • vocabulário: axé, afoxé, babá, babaca, bagunça, balangandãs, bamba, banguela, banzé, batuque, birita, borocoxô, búzios, caçamba, cachimbo, cafuné, farofa, fofoca, fubá, fuxico, fuzuê, bobó, moqueca, embalar, geringonça, gororoba, lambada, lero-lero, mamulengo, nenê, pinga, quindim, serelepe, tagarela, tribufu, urucubaca, xodó, zoeira. Veja outras palavras no site da Geledes.

 

Italianos

  • alimentação: macarrão com molho de tomate, pizza, polenta, vinho, canções e danças, festa da uva;
  • vocabulário: bandolim, barcarola, camarim, caricatura, aquarela, maestro, serenata, sonata, soneto, soprano, tenor, trêmulo, trombone, violino, violoncelo; alarme, arlequim, artesão, bagatela, banquete, boletim.

 

Alemães

  • torta de maçã, cuca, chopp e cerveja, festa da cerveja, danças e canções;
  • vocabulário: blitz, kitsch, diesel, encrenca, chique, valsa, chopp, níquel, cobalto, hamster, química, guerra, Kombi, fanta, apfelstrudel;
  • arquitetura.

 

Japoneses

  • alimentação: soja, legumes e verduras, amendoim japonês, yaquissoba, molho de soja, sushi, sashimi, sakê;
  • artes marciais e esportes: judô, karatê, aikidô, sumô, jiu-jítsu, beisebol;
  • religião: budismo;
  • vocabulário: shiatsu, tatame, karatê, karaokê, caqui, cabochá, tofu, aji-no-moto, shoyu, fuji, ofurô, origami.

 

Sírios e libaneses

  • alimentação: quibe, esfiha, tabule, limão, arroz, a plantação de uva e de figo, coalhada seca, kafta;
  • danças: dança do ventre;
  • costumes: pintura das unhas e olhos;
  • vocabulário: açafrão, açúcar, açougue, alecrim, alface, alvará, enxaqueca, elixir, escabeche, esmeralda, fulano, garrafa, gergelim, laranjeira, limão, magazine, matraca, oxalá, perigo, sorvete, salada, tapete, sofá, xadrez, xerife.

 

Chineses

  • alimentação: arroz, peixe, carnes vermelhas, broto de bambu e legumes, rolinho primavera;
  • esporte: tai chi chuan;
  • medicina: acupuntura;
  • festas: celebração do Ano Novo Chinês (Praça da Liberdade – SP).

 

Veja também o vídeo Cultura brasileira, heranças de outros povos.

 

Gostou? Veja também a oficina deste banco: “De onde eu vim”.

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  •    Jonatas Hericos  em 
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