Educação&Participação

Brincadeiras populares de roda de nossa cultura.

Início

  • O que éO que é

    Vivência de brincadeiras populares de roda de nossa cultura.

  • PúblicoPúblico

    Crianças.

  • MateriaisMateriais

    Letras das canções indicadas.

  • EspaçoEspaço

    Em qualquer espaço livre.

  • DuraçãoDuração

    Aproximadamente 90 min.

  • FinalidadeFinalidade

    Valorizar as brincadeiras como um bem cultural de seu povo.

  • ExpectativaExpectativa

    Ampliar o repertório de brincadeiras; aprender a combinar regras com o grupo e segui-las.

Na prática

Como desenvolver

Inicie conversando com as crianças sobre as brincadeiras cantadas que conhecem, estimulando que as descrevam e cante trechos para que as outras crianças tentem reconhecê-las. Preste atenção em quantas e quais brincadeiras elas vão citar e quais serão identificadas. Esse dado é importante para situar você em relação à necessidade de investir na apropriação, pelas crianças, de brincadeiras populares tradicionais entre a gente brasileira. Diga que nesta oficina elas vão brincar de algumas dessas brincadeiras de roda, acompanhadas de belas canções que vão aprender e, quem sabe, ensinar para seus filhos e netos, no futuro. São elas:

Senhora Dona Sancha; Você gosta de mim?; Pobre e Rica.

Explique que essas brincadeiras são muito antigas, algumas delas vêm de lugares muito distantes da Europa e foram introduzidas na história da colonização do país. Por virem de uma outra cultura trazem, às vezes, uma letra de canção sem sentido para nós, mas que é reproduzida assim mesmo pela população. Além disso, ao passar de geração para geração, as palavras das canções vão sofrendo modificações. Por isso muitas vezes, cantamos sem saber exatamente o que estamos cantando. É o caso da expressão “de marré deci”, de uma das canções a serem trabalhadas na oficina: Pobre e Rica.

Antes de iniciar cada uma delas, é interessante que explique como se desenvolve a brincadeira e certifique-se de que entenderam as explicações. Coloque a música para ouvirem e cantarem algumas vezes. Se alguma criança conhecer a letra e a música, peça para ajudá-la a cantar, até que as demais acabem decorando.

E se ?

Se alguma criança não quiser brincar, respeite. Convide-a para ajudá-la no desenvolvimento da brincadeira, ao seu lado.  Na brincadeira, a adesão, a espontaneidade e a possibilidade de criação são fundamentais para garantir a essência do brincar.

Brincadeira : Senhora dona Sancha 

Uma criança será a dona Sancha e ficará no centro da roda, de olhos vendados.  Você poderá fazer um sorteio para definir a criança que irá começar. A roda gira, com as crianças cantando a primeira quadra da canção da brincadeira que você pode acessar aqui:

Letra da cantiga Senhora Dona Sancha

Música – procure por ordem alfabética

Dona Sancha canta, então, a segunda quadrinha. As crianças da roda cantam novamente os mesmos versos do início, param e trocam de lugar, rapidamente. Dona Sancha se aproxima de uma delas, toca o (a) colega e tenta reconhecê-lo (a), falando seu nome. Se acertar, toma o seu lugar na roda e o (a) colega vai para o centro da roda. Se não acertar, a brincadeira recomeça. E assim por diante…

Brincadeira: Você gosta de mim?

As crianças fazem uma roda e uma delas fica no meio. A roda gira e as crianças cantam a cantiga da brincadeira, cuja letra e música estão disponíveis nos sites abaixo:

http://cifrantiga7.blogspot.com/2010/10/voce-gosta-de-mim.htmlhttp://www.kboing.com.br/canais/cantigas-de-roda/ (música/ procure por ordem alfabética).

A última quadra de versos é cantada acompanhada de palmas, batidas de pé e rodopios, tanto pelas crianças da roda como pela criança que está no centro. Esta escolhe um (uma) colega para abraçar, com o (a) qual troca de lugar. Assim, a brincadeira segue.

Brincadeira: Pobre e Rica

Nesta brincadeira, as crianças se organizam em uma fileira. À frente delas uma criança faz o papel de “mãe pobre”.  Do outro lado, apenas uma criança, a “mãe rica”. A mãe pobre e a mãe rica podem ser definidas por sorteio.

Entre as mães faz-se um diálogo longo, em que a mãe rica pede, a cada vez, uma das filhas da mãe pobre, falando seu nome. A mãe pobre pergunta o ofício que a mãe rica dará a ela e consulta a filha escolhida para ver se está de acordo. Se estiver, a mãe pobre diz à mãe rica: “esse ofício lhe agrada, de marré, marré, marré, esse ofício lhe agrada de marrédeci”. A criança sai da fileira e inicia uma fileira do lado da mãe rica. Mas, se a filha não estiver de acordo, a mãe pobre diz “esse ofício não lhe agrada, de marré, marré, marré, esse ofício não lhe agrada de marré deci.” E a criança continua com a mãe pobre. O diálogo é cantado e todas dançam enquanto as mães conversam.

Depois que todas as filhas já escolheram se querem ir com a mãe rica ou ficar com a mãe pobre, o lado da mãe rica canta a penúltima estrofe e o lado da mãe pobre canta a última.

Ganha a mãe que ficar com mais crianças.  Veja a letra e a música da brincadeira aqui.

Agora, se você quiser saber o que significa a expressão “de marré, marré, marré” e a expressão “de marré deci”, veja as explicações disponíveis no site Revista de História.com.br


Hora de avaliar
Depois de brincarem bastante, sentem-se em círculo para conversar sobre as brincadeiras: de qual gostaram mais, que canção acharam mais bonita. Uma a uma, retome com as crianças o conteúdo das canções e discuta um pouco o que entenderam de cada uma, ao brincar, e o que não entenderam. Faça três rodadas (uma para cada brincadeira) e peça que atribuam uma nota de 0 a 10 para cada uma.

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

Você pode estimular uma pesquisa das crianças junto a familiares, sites e livros sobre brincadeiras infantis, que poderão compor um livro ou um blog para divulgação.

A ONG/escola pode montar um projeto com as crianças sobre a história das brincadeiras, com o apoio de professores de História, Arte e Língua Portuguesa, envolvendo atividades de visitação a uma biblioteca, com preparação antecipada entre ONG/escola e bibliotecário(a), para fazer rodas de leitura sobre o assunto; entrevistas com historiadores;  audição de CDs com músicas.

O produto final do projeto poderá ser um vídeo com as crianças brincando e falando sobre as brincadeiras e com os educadores e professores contextualizando sua origem e história .

O vídeo poderá ser enviado para outras ONGs/escolas e para o acervo da biblioteca parceira.

Para saber mais:

O brincar é um processo historicamente construído. As crianças aprendem a brincar com os outros membros de sua cultura e suas brincadeiras são impregnadas pelos hábitos, valores e conhecimentos de seu grupo social.

As mães ou pessoas responsáveis pelos cuidados com os bebês, através dos vínculos afetivos estabelecidos, interagem com eles, criando diferentes situações que poderíamos identificar como o início desse processo.

Do aconchego materno, acalantos e sorrisos surgem os jogos de pegar, esconder e achar, bater palminhas, fazer “serra, serra, serrador”; os objetos são explorados , batendo, golpeando, balançando. Constituem-se também brincadeiras as cócegas, as caretas e as pantomimas diversas.

A familiaridade e a repetição das brincadeiras tornam possível o seu final previsível, o que permite à criança usufruí-la com tranquilidade.

Quando estão mais velhas, as crianças associam outros elementos à brincadeira e ampliam seus parceiros.

Assim, aproximadamente aos dois anos, começam as brincadeiras de faz de conta; mais tarde, surgem as brincadeiras corporais de correr para escapar de pegador, saltar, pular amarelinha, pular corda, subir em árvores. Surgem também os jogos em que as regras são previamente combinadas e devem ser seguidas por todos os participantes.

Os jogos e as brincadeiras infantis propiciam o desenvolvimento da imaginação, o espírito de colaboração, a socialização e ajudam a criança a compreender melhor o mundo.

Atualmente, devido ao progresso e às mudanças dele decorrentes, as brincadeiras e os jogos infantis populares estão sendo substituídos pela televisão, pelos jogos eletrônicos e pelo computador.

A evolução urbana também tem contribuído para isso, pelo fato de se trocar a moradia em casas por prédios de apartamentos, além do sentimento generalizado de insegurança no país, o que faz com que as calçadas deixem de ser um local de divertimento infantil, como eram há algum tempo atrás, principalmente nas cidades pequenas do interior.

Brincadeira é um bem cultural, faz parte da história de um povo de algum lugar e, portanto, deve ser preservada como patrimônio imaterial desse povo.

Fonte de Referência:

O BRINQUEDO e a brincadeira na infância [Cyrce Andrade, Marina Célia Dias, Maria Lúcia Medeiros, Zoraide Faustinoni da Silva]. São Paulo: Cenpec, 2009.


Obs: Os links informados na oficina foram visitados em 22 de outubro de 2015, às  17h.

Participe

Eu fiz assim…

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Total de 3 comentário(s)

  •    Glauce Birochi  em 
  •    Marilene de sousa Albuquerque  em 
         Educação&Participação respondeu em 
  •    Maria Cristiana  em 
         Educação&Participação respondeu em